Liso do Sussuarão
Juarez Távora (1928)

Na área aproximada do “Liso do Sussuarão”, — denominação que não usa, — Juarez Távora, em seu relato de 1928, cita apenas “uma região árida e deserta do oeste baiano”, da qual a “Divisão” tratou de sair, “privada de provisões e quase já sem cavalhada[À guisa de depoimento sobre a revolução brasileira de 1924, Ed. Mendonça, Machado & C., Rua do Senado, 54, Rio, 1928 — 3° volume, p. 55-56].

Mas, se a “aridez” é um claro atributo físico da região, o “deserto” se confunde com atividade econômica rarefeita, — cavalos, gado e alimentos que pudessem ser “requisitados” com certa abundância e regularidade, dia após dia.

Isso fica bem claro nos parágrafos seguintes, onde recapitula meteoricamente a perambulação de “cerca de um mês, pelas regiões quase desertas do oeste de Minas e Bahia”, — o que abrange desde a saída de Goiás até a margem esquerda do rio São Francisco, em São Romão (19 Ago.), e da barra do Urucuia subindo as veredas rumo à Bahia, — ou seja, uma vasta região que nada tinha de “árida”, nem se podia considerar “sem ocupação humana”. Acontece que a ocupação econômica rarefeita, largamente espaçada, não concentrava recursos suficientes, em pontos de fácil apropriação, além de facilitar sua ocultação perante a aproximação dos rebeldes. Como no Sítio da Abadia, por exemplo, que encontraram “inteiramente abandonado por seus habitantes”.

Sem mais detalhes do caminho, registra que em “Riachão” (Mambaí, GO), alcançada em 7 Set., finalmente descansaram três dias, — “para refazer a sua cavalhada, diminuída e exausta, com a travessia dos areais desertos de uma e outra margens do alto Carinhanha”.

Como descrição, portanto, esse relato de 1928 é ralo e impreciso, — além de misturar a aridez de “areais desertos”, de localização restrita, com um suposto “deserto” muito mais amplo, onde pouco gado e cavalos conseguiam “requisitar”.

Confira:

(...) «Diante de tais contratempos, que impediam a sua marcha para leste, a Divisão infletiu o itinerário para noroeste, buscando o porto do Cobra, no rio Carinhanha, que atingiu a 2 de setembro, depois de atravessar, sucessivamente, os rios Pardo, Areias e Pandeiro. Invadindo, a 3, uma região árida e deserta do oeste baiano, a Divisão, privada de provisões e quase já sem cavalhada, transpôs os rios Itaguari e Formoso, rumando célere, para a fronteira goiana.

Marcha através do norte de Goiás

«Depois de ter pervagado, durante cerca de um mês, pelas regiões quase desertas do oeste de Minas e Bahia, a Divisão revolucionária, não tendo podido transpor o S. Francisco, retornou ao estado de Goiás, invadindo-o, a 5 de setembro, na altura das cabeceiras do rio Formoso. Nessa mesma data, o dest. Siqueira Campos atingiu a vila de Sítio de Abadia, encontrando-a inteiramente abandonada por seus habitantes.

«A Divisão marchou diretamente sobre a vila de Riachão, que ocupou, sem resistência, a 7. Aí repousou, até o dia 10, para refazer a sua cavalhada, diminuída e exausta, com a travessia dos areais desertos de uma e outra margens do alto Carinhanha.

«Rumando, daí, para o norte, o dest. João Alberto entrou, ao meio-dia de 12, na cidade de Posse, que ocupou sem resistência, ... (...)».

Liso do Sussuarão: a NW da Serra das Araras


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