Real, réis, contos-de-réis

Ao longo do Império (1822-1889), República Velha (1889-1930) e primeira parte da era Vargas (1930-1945), a moeda brasileira foi o "mil-réis" — já que desde o século XVI o velho "real" não valia o custo da cunhagem.

[Com a Restauração (separação Portugal / Espanha), a moeda portuguesa voltou a circular no Brasil em 1654. Em 1669 circularam no país moedas de $80, $160, $320 e $640 réis. Em 1695 foram cunhadas na Bahia moedas de ouro de 1$000, 2$000 e 4$000; de prata, de $20, $40, $80, $160, $320 e $640; e foram introduzidas moedas de cobre de $10 e $20, cunhadas no Porto. Em 1749 o Maranhão passou a ter moeda própria, feita em Portugal, nos valores de $5, $10, $20, $40, $80, $160, $320 e $640. Em 1752 passaram a ser cunhadas em Minas Gerais moedas de $600, $300, $150 e $75. Fonte: Irdeb].

A notação abreviada limitava-se ao cifrão ($) separando os mil-réis do resto.

Notação
numérica
Referência Valor
(em réis)
$   1
real
1
$   2
réis
2
1$000
mil-réis
1 mil
1:000$000
conto-de-réis
1 milhão
1.000:000$000
mil contos-de-réis
1 bilhão

À direita do cifrão, indicavam-se valores "fracionários".

[Durante o Império essas frações eram representadas por moedas de $10, $20 ("vintém"), $40, $80, $160, $320 ("pataca") e $640 réis. A expressão "de meia-pataca", indicando coisa "sem valor", é sugestiva da quantia considerada digna da atenção de pessoas de bem — certamente, não menos de $100. Ainda deviam circular moedas de $37,5, $75 e $960, cunhadas em 1810. A partir de 1834 (Regência), começam a circular moedas de $100 ("tostão"), $200, $400, $800. Em 1846 (início do Segundo Reinado) foi lançada a moeda de $500. Em 1871, as moedas de níquel de $50, $100 e $200, refletindo talvez o sistema métrico-decimal adotado 9 anos antes. Fonte: Irdeb].

À esquerda do cifrão, indicavam-se os valores "inteiros". Em quantias "redondas", era comum omitir os "000" à direita do cifrão.

[Embora houvesse moedas de valor redondo (1$, 2$, 5$, 10$ e 20$), nem por isso deixavam de circular as de valor significativo, não-redondo, como 1$200, 6$400 etc.]

A casa dos milhões era separada por dois pontos — "1:000$000", ou simplesmente "1:000$" — e a denominação era "conto-de-réis".

Mil contos significavam 1 bilhão de réis. A partir daí, a separação das casas de milhar se fazia por pontos — "1.000:000$000".

[À falta de um padrão oficial, alguns autores / impressores adotaram grafias divergentes]

E quanto valia?

Durante todo o século XVIII, a contação do real foi oficialmente mantida entre 1$600 e 1$200 por oitava de ouro [1/8 de onça].

Com a volta de D. João VI para Portugal, levando o Tesouro (1821), o Brasil passou a emitir dinheiro sem lastro metálico, e portanto com valor em rápido declínio.

"A paridade legal do mil-réis (...) que na época da Independência era de 67½ pence (correspondente a 1$600 por oitava de ouro de 22 quilates), foi reduzida a 43½ pence em 1833 e a 37 pence em 1846. No decênio dos cinqüenta, a taxa média anual esteve a 27, ou acima de 27, durante seis anos em dez, e em todos os anos foi superior a 25. Nos sessenta, a média anual alcançou 27 num ano e foi superior a 25 em cinco anos. Nos setenta, alcançou 27 num ano e foi superior a 25 em quatro anos. Nos oitenta, não alcançou 27 em nenhum ano, foi superior a 25 em dois e inferior a 20 em dois. Nos noventa foi inferior a 20 em nove anos" [Furtado, p. 203. O penny (plural = pence) é uma fração de 1/12 do shilling, que por sua vez é uma fração de 1/20 da libra esterlina].

A cotação "ao par" — às vezes descrita como "ao câmbio de 27 d." — era indicativa de "1$000 do Brasil = 27 dinheiros esterlinos" [Lemos Brito].

Em 1832 (Regência), o real foi fixado em 2$500 por oitava de ouro. Em 1846 (início do 2º Reinado), a 4$000 por oitava.

Empréstimos (quando possíveis diante da conjuntura externa) lastreavam a emissão de dinheiro, reequilibrando o câmbio em patamares mais ou menos elevados, durante períodos maiores ou menores.

"E é preciso acabar de uma vez por todas com a lenda do câmbio a 27, na monarquia. Rarissimamente a essa taxa se elevou. E sempre na onda de um empréstimo em ouro. | Assim, passageiramente, houve câmbio a 27 nos anos de 58, 59, 60, 62, 63, 64 e 65. Seis meses em 75 e 3 meses em 88. E em 89, de janeiro a abril, e de julho a novembro. Porque, em 85, o câmbio oscilou entre 17 e 19. Em 86, entre 17 e 21. Em 87, a média anual foi de 22. O câmbio elevara-se em 88 e 89, graças ao empréstimo de seis milhões, feito pelo Ministério João Alfredo, e ao de vinte milhões no gabinete Ouro Preto, para conversão de outros empréstimos. Além disso, obtivera Afonso Celso [Ouro Preto] um crédito de três milhões na Casa Rothschild" [Mangabeira, p. 48].

Com o ciclo do ouro distanciando-se na memória, tais empréstimos teriam de ser pagos com exportações — e na maior parte do período imperial elas não foram suficientes para tornar a situação confortável.

Padrões monetários desde 1942

De 1942 (era Vargas / II Guerra Mundial) em diante, o Brasil passou por 8 mudanças de padrão monetário — além de alguns ajustes provisórios, que eliminavam os centavos, sempre que perdiam qualquer significado exceto o de sobrecarregar calculadoras e outras máquinas:

Moeda Notação Conversão inicial Data Conversão
acumulada
Real / "reais
R$ 1,00
CR$ 2.750,00
1º jul. 1994
2.750.000.000.000:000$000
Cruzeiro Real
CR$ 1,00
Cr$ 1.000,00
1º ago. 1993
1.000.000.000:000$000
Cruzeiro
Cr$ 1,00
NCz$ 1,00
16 mar. 1990
Novo Cruzado
NCz$ 1,00
Cz$ 1.000,00
16 jan. 1989
1.000.000:000$000
Cruzado
Cz$ 1,00
Cr$ 1.000,00
28 fev. 1986
1.000:000$000
Cruzeiro
Cr$ 1,00
NCr$ 1,00
15 mai. 1970
Cruzeiro Novo
NCr$ 1,00
Cr$ 1.000,00
13 fev. 1967
1:000$000
Cruzeiro
Cr$ 1,00
1$000
1º nov. 1942
1$000
Mil-réis
1$000
   
1$000
Real / réis
$   1
   
 
 

Relatórios

1851 | 1852 | 1853 | 1856 | 1860 | 1861 | 1862 | 1864 | 1865 | 1866 | 1868 | 1869 | 1870 | 1873 | 1874 | 1876 | 1877 | 1881 | 1886 | 1888 | 1889 | 1890 | 1891 | 1892 | 1893 | 1894 | 1895 | 1896 | 1897 | 1900 | 1908 | 1922 | 1925 | 1926 | 1937 | 1954 | 1955 | 1958 | 1960 | 1961 | 1962 | 1963 | 1964 | 1965 | 1966 | 1967 | 1968 | 1969 | 1970 | 1974

Legislação

Lei Feijó
Lei da Garantia de Juros
Lei da subvenção quilométrica
  Regulamentação
Lei de Terras
  Regulamentação
Sistema Métrico Decimal

Padrões

Padrões monetários
Pesos e medidas
Longitudes

Referências

Museu de Valores - Banco Central

Cronologia das moedas brasileiras - Irdeb

Lemos Brito, José Gabriel de. Medidas e pesos durante o regime colonial. in Pontos de partida para a história econômica do Brasil. 3a. ed. São Paulo: Editora Nacional; [Brasília]: INL, 1980, p. 352-355. (Brasiliana; v. 155)

Planos ferroviários | Linhas concedidas do plano de 1890 | EF Tocantins | Cia. Mogiana | Linha Angra-Catalão | EF Goiás | Ramal de Pires do Rio | O prolongamento da Central do Brasil | A linha da Cia. Paulista
A idéia mudancista | Hipólito | Bonifácio | Independência | Império | Varnhagen | República | Cruls | Café-com-leite | Marcha para oeste | Constitucionalismo | Mineiros | Goianos | Projetos de Brasil | Ferrovias para o Planalto Central
 
  
 
    
 
Sobre o site Centro-Oeste | Contato | Publicidade | Política de privacidade