Autobiographia de
C. B. Ottoni

IV - Vida de estudante: 1828-1837

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Theophilo e Honorio tinhão vindo para a Corte em 1826 em companhia do Ouvidor Placido Martins Pereira, eleito deputado: moravão com meu tio José Eloy Ottoni, que tinha offerecido a sua casa; e a ella viemos ter a 25 de Janeiro de 1828 eu e o meu Jorge.

Passava o velho uma vida excentrica e de misanthropo: entregou-nos a casa, pondo á nossa disposição o seu cozinheiro, e installou-se em um sotão, onde se fechava invariavelmente á chave 1[Servia então o cargo de Official da Secretaria de Marinha]; não comia em casa. Bom dia e boa noite, quando entrava ou sahia atravessando a nossa sala de jantar e corredor; nunca tivemos outras relações. De sorte que achei-me installado em uma verdadeira republica de quatro estudantes; mas o presidente (Theophilo) exercia authoridade incontestada e obedecida.

São matriculados os dous mais velhos, já aspirantes, no 2º anno da Academia de Marinha, e os dous recem-chegados no 1º. Os preparatorios erão traducção de francez e rudimentos de arithmetica: para este 2º exame preparou-nos Theophilo nas quatro semanas que medearão entre a nossa chegada e a matricula. Eis-me pois encetando um curso de estudos superiores, com a importante bagagem de instrucção que descrevi a pag. 25.

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Não era vocação o que nos levava para a carreira da Marinha: seguimol-a, por ser a mais barata, aliás escolhida por meu pae sem audiencia nossa.

D. Pedro 1º empenhado em crear officialidade de mar, que não tinha, mandava abonar rs. 12$000 mensaes a quem se matriculava, dependente o pagamento do attestado de frequencia e aproveitamento. O posto de Aspirante (cadete) até alli reservado aos fidalgos, foi garantido a todo o estudante que obtivesse uma approvação plena, e o Aspirante approvado em qualquer anno era promovido a Guarda Marinha. Da pensão ainda gozavão os dois mais velhos, e nós os mais moços das outras vantagens.

Achando-nos no fim de dous annos Guardas-marinha, cada um com 22$ mensaes de soldo, e podendo abrir em casa explicação das materiais já cursadas, tinhamos meios de subsistencia, dispensando o nosso velho das mesadas, que erão onerosas 1[A vida não custava a quarta parte do que custa hoje].

(...)

Theophilo e Honorio, concluido o curso, pedirão baixa e forão negociar: eu conservei a farda, porque como Lente achei-me dispensado de embarcar. (...)

p. 35 - professores

(...) e Maximiano Antonio da Silva Leite, todos Capitães de Mar e Guerra.

(...)

Era um homem excentrico, misanthropo, celibatario; vivia em grande isolamento entre os seus livros, um sextante com que fazia frequentes observações, e a sua flauta que tocava bem.

A casa era immunda, coberta de pó; na sala, sobre as cadeiras e uma grande mesa de estudo, via-se pêle-mêle, livros, botas, roupas, a caixa do sextante, velas de sebo, etc.

(...)

Foi, creio, o 1º homem que preparou para a latitude e longitude do Rio de Janeiro calculos de eclipses, que os publicadores de folhinhas lhe compravão.

(...)

Era á tardinha; cadeiras desembaraçadas e arrumadas, sala sacudida do pó, mesa desobstruida e limpa, no centro della perfilados seis castiçaes de latão com grandes velas de cera preparadas para a noite. Era dia de festa (...).

(...) "espero aqui alguns amigos que tocão diversos instrumentos: temos um pequeno concerto, em que hei de tocar flauta 3 ou 4 horas successivas". E o casmurro não me convidou para o concerto: parece que a ninguem convidava: os amadores se regalavão a si proprios com as harmonias musicaes.

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No começo de 1829, além dos estudos de Marinha, comecei a abrir a minha intelligencia a outras noções, e a interessar-me pelas cousas publicas, não porque Theophilo me attrahisse para seus ensaios politicos. (...)

Mas Epiphanio José Pedroso, seu companheiro nas eleições, travou logo relações comnosco, começou a frequentar a nossa casa e a emprestar-nos livros: tal foi a origem das minhas primeiras leituras de Historia, Direito Publico, Litteratura, Philosophia.

Era Epiphanio um republicano convicto e intransigente, mas cuja acção, ao menos directa e pessoal, nunca passou dos clubs: sua pequena livraria compunha-se quasi exclusivamente de escriptores do seculo 18: tinha boa intelligencia e cultivava-a.

Traduzio em portuguez o Contracto Social de Rousseau, que considerava a ultima palavra em direito publico, e pretendia publicar a traducção (...).

(...) foi quem fez, elle e os seus livros, a minha educação politica. Publicistas e Philosophos da epocha de Voltaire, historia da revolução franceza, choix de rapports opinions e discours do parlamento installado em 1789 (...).

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Fiquei profundamente democrata, e taes são até hoje os meus sentimentos. Transigi depois com a monarchia, mas nunca pude vencer certas repugnancias (...).

(...)

Minha matricula de revolucionario teve logar no fim de 1830, logo depois da partida de Theophilo para Minas: tomei o seu logar na Sociedade dos Amigos Unidos, club politico com forma maçonica, que muito concorreu para o movimento de 7 de Abril de 1831. Para este carreguei a minha pedrinha, já como Secretario do club, já declamando nas rodas para animar os tibios, e até fabricando cartuchos que erão destribuidos ao povo liberal. Esta lide e as minhas leituras erão as minhas unicas distracções.

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Concluido (1830) o meu curso de Marinha e tendo de dar-me á vida do mar, senti para ella vivissima repugnancia, e decidida vocação para a Jurisprudencia: desejei ir para S. Paulo e formar-me em direito. A difficuldade era a mezada que não me animava a pedir a meu pae, sabendo que lhe seria onerosa: mas um momento cri resolvida a questão.

Vagou a cadeira de Geometria annexa ao Curso Juridico e por ter de ordenado apenas rs. 600$ ninguem a desejava. Requeri-a provando que fôra classificado o 1º estudante da minha turma, e certo de que nenhuma informação podia desabonar-me. Lancei o requerimento na caixa da Secretaria: se então alguem me dissesse que era necessario um empenho para obter o despacho, a lembrança me causaria o mais comico dos espantos e indignações.

Entretanto, foi indeferida a petição, e mais tarde o Marquez de Valença, amigo de meu pae, explicou-lhe os motivos, narrando o seguinte incidente de que fôra testemunha.

Disse o Ministro do Imperio Conselheiro Silva Maia a D. Pedro 1º: "Está vaga a cadeira de Geometria de S. Paulo, e só apparece um pretendente, cujo requerimento aqui está".

— Que tal é elle? colheo informações?

— Tem o curso de Marinha, onde foi bom estudante: dizem-me que é muito moço, mas bem comportado.

— Como se chama?

— Christiano Benedicto Ottoni.

Neste ponto interveio o Marquez de Paranaguá, dizendo ao Imperador: "Se V. M. I. me permitte dar-lhe um conselho não pedido, direi que nunca assigne despacho para homem desse appellido: em lhe soando aos ouvidos o nome Ottoni — pode V. M. estar certo que se trata de um seu inimigo".

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Paranaguá, aliás homem de bem, era um absolutista convicto, intransigente, dedicado á Monarchia e ao Monarcha; o que fez, no seu modo de ver as cousas, era talvez logico e louvavel.

E eis ahi o que me privou de ir estudar Direito: um soneto de meu tio, o liberalismo de meu pae; as travessuras de meu irmão mais velho. (...)

Conservei-me no meu posto de Guarda-Marinha, e cheguei a embarcar para a Fragata Campista, Commandante Pedro Ferreira de Oliveira; mas logo depois o 7 de Abril, derrubando da pasta da Marinha o meu anthipathico marquez, permittio-me obter uma licença para seguir estudos de Engenharia na Academia Militar. Estudei em 1831 o 3º anno (sendo os dous primeiros communs com os da Academia de Marinha), curso completo de Mechanica, regido por J. J. Rodrigues Torres, depois Visconde de Itaborahy. Ensinava elle com muita proficiencia, mas sem sahir dos dominios da theoria: não dava noção alguma de applicações. Tratou-me com summa distincção, de que me lembro com prazer.

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Este anno de 1831 foi de grande agitação politica no Brazil, e especialmente no Rio de Janeiro, quer antes, quer depois da abdicação de D. Pedro 1º em 7 de Abril. (...) A minha intervenção em palestras e declamações não pode ter pesado na balança: era um rapazola (...)

Na tarde de 6 de Abril, sabendo que o batalhão de Artilheria aquartelado no Largo do Moura, e cuja officialidade era filiada aos clubs revolucionarios, não tinha marchado para o Campo por falta de soldados e alliciava voluntarios, apresentamo-nos eu, o meu Jorge 1[Theophilo estava em Minas, Honorio andava ainda embarcado como Guarda Marinha] e mais dous moços mineiros, e marchamos fazendo parte da guarnição de uma peça: lá assistimos ao desfecho incruento, abdicando o Imperador de madrugada.

(...)

D. Pedro 1º não era, nem pouco nem muito, author na nossa independencia: ficou no Brazil para garantir a união com Portugal, e para d'aqui ajudar o pae na reacção contra o Congresso que deliberava em Lisboa. Quando vio que a independencia se faria necessariamente, soffreu a doce violencia de se deixar coroar Imperador. Esta é a verdade que está bem patente: não a descobri eu.

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Encetou o governo com o grande crime da dissolução da Assembléia Constituinte, quando apenas formulára um projecto de Constituição. E o apparato de força que desenvolveo, mostra que receou resistencia ao seu desatino.

Logo depois, rodeando-se de preferencia de absolutistas e de portuguezes, authorizou a crença de que era seu proposito, quando morresse D. João VI de quem era herdeiro, reunir os dous paizes sob o mesmo sceptro: sou dos que acreditarão e ainda acreditão que este plano existio, mas foi abandonado diante da resistencia armada de algumas provincias e do desenvolvimento que foi tendo o espirito publico e os ciumes da autonomia nacional.

Exercia por si proprio o governo, intervindo na administração sem nenhuma hypocrisia de constitucionalidade.

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Á vista de tantos desconchavos, a opposição liberal crescia todos os dias, e era opposição ao Imperador.

Não se pleiteava a subida de um partido ao poder: queria-se a queda de D. Pedro I e a reforma da Constitutição, tornando-a mais democratica.

Os liberaes mais illustrados, Vergueiro, Costa Carvalho, Vasconcellos, Honorio Hermeto, Evaristo, etc., erão monarchistas: desejavão organisar o governo constitucional á Benjamin Constant; mas o grosso do partido era republicano.

Na madrugada de 7 de Abril, apenas constou a abdicação do Imperador, tres dos principaes agitadores, Ezequiel Correa dos Santos, Antonio Borges da Fonseca e outro que não me occorre 1[Balbino J. da França Ribeiro: recordei-me depois] forão á casa de Vergueiro, e dando-lhe a noticia perguntaram: — "A quem agora devemos dar vivas?"

O sisudo Vergueiro passeou pela salla alguns minutos, silencioso; depois, parando em frente dos emissarios, disse em tom solemne: "Viva o Sr. D. Pedro II, Imperador Constitucional em menoridade."

— Os senhores hão de arrepender-se, disseram os tres e não voltaram ao Campo. Garanto a authenticidade da occurrencia; mas não posso dizer si aquelles tres homens procederão espontaneamente ou si tinhão missão dos chefes da revolução. É certo, porém, que tendo ella sido promovida pelos mais exaltados democratas, os moderados monarchistas se apoderarão da situação e logo cuidarão nos meios de consolidar a monarchia.

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No resto do anno houve diversos levantamentos de tropa, verdadeiros motins, anarchia resultante da insubordinação da soldadesca que ajudara os revolucionarios.

Em um unico desses movimentos me achei envolvido por algumas horas, e disso quero justificar-me. (...) eramos dos exaltados descontentes com a direcção dada á revolução; quizeramos a convocação immediata de uma constituinte para reformar a Constituição e decretar a monarchia federativa com autonomia das provincias; mas não eramos anarchistas.

Os motins militares que se succederam de 12 a 15 de Julho, só no dia 14 á tarde pareceram assumir um caracter politico. (...)

(...) reunidos no Rocio alguns corpos para ir desarmar o da Policia, que se amotinára, havião fraternisado todos e marchado com o povo para o Campo, pedindo abolição da chibata, convocação da Constituinte e deportação dos contra-revolucionarios.

Estivemos no meio delles o resto da madrugada e para não travar lucta com alguns exaltados chegamos a assignar a representação pedindo deportação, que era um desproposito: mas logo de manhã descontentes com o que observamos nos retiramos calados.

Parece que alguns dos mais exaltados, tendo alliciado a tropa, foram convidar o Epiphanio para pôr-se á frente do movimento, mas este não era serio, e por falta de direcção foi desfeito facilmente pelo Governo da Regencia.

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Quanto a mim, pouco a pouco me fui emballando com as promessas dos moderados, que a menoridade seria um ensaio de governo do paiz por si mesmo e nos conduziria sem abalo á democracia, e fiquei quieto, sem abandono de aspirações.

Reproduzindo-se na cidade desordens parciaes, organisou-se a Guarda Municipal provisoria, composta de voluntarios que rondavam ao mando dos Inspectores de quarteirão: alistei-me e fiz algumas rondas como soldado. Deste serviço a unica recordação que me ficou é que achava enormemente pesada a espingarda reúna que me distribuiram, e tinha ás vezes terriveis acessos de somno.

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Passei em Minas o anno de 1832: ia com licença visitar a minha gente no Serro; mas encontrando meu pae em Ouro Preto, metteo-me elle em cabeça tirar em concurso uma cadeira de geometria, recentemente alli creada. A intenção do meu velho, que só mais tarde percebi, era arredar-me do Rio de Janeiro, onde como revolucionario poderia comprometter-me; a mim sorriu a idéa de ter uma posição, e lisongeava-me o pensamento de mostrar que sabia mais Geometria do que os meus examinadores dous padres do Caraça.

Regi a cadeira por tres ou quatro mezes; e ao mesmo tempo declamava nas palestras (só palestras) como exaltado, o que desagradou aos moderados que governavão a provincia. Por minha parte, comecei a vêr que lá não tinha futuro, e pois, com satisfação, de ambas as partes, em vez de demittir-me de Guarda Marinha deixei a cadeira e fui passar no Serro o resto do meu anno de licença. No fim do anno recolhi-me á Côrte, e prosegui em 1833 com os estudos da Academia Militar 1[Hoje Escola Polytechnica] que terminei em 1837.

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Em 1833 e 1834 voltei a uma certa actividade politica, não de clubs secretos como antes de 7 de Abril, mas de agitação publica. Os moderados que se mostravão tibios quanto a reformas da Constituição, vendo erguer-se um partido que abertamente pleiteava a restauração de D. Pedro 1º assustados se fizerão um pouco mais democratas, affagavão os exaltados e os chamavão em auxilio da situação. Ao lado da Sociedade Defensora do Evaristo, funccionava a Federal, de que era o Epiphanio presidente e eu 1º secretario: agitavamos o espirito publico em sessões muito concorridas, ás vezes bem tempestuosas.

Desta situação resultarão as reformas constitucionaes de 1834 com algumas concessões ao espirito democratico e á autonomia das provincias.

Pouco depois, a 24 de Setembro falleceo D. Pedro 1º (4º de Portugal) deixando sem objecto o partido restaurador. E os successos posteriores provarão que si aquella morte se houvesse antecipado alguns mezes, não teriamos o Acto Addicional, depois tão sophismado. Unindo-se os restauradores aos moderados começaram logo a desenhar-se as feições da reacção que tres annos depois produziu o forte partido conservador.

p. 51

Ainda em 1835 e 1836, já com alguma tibieza, protestei e luctei, na Assembléa Provincial do Rio de Janeiro (fui eleito para a 1ª legislatura) contra a authorisação para admittir noviços nos conventos, contra a suppressão da electividade dos postos da G. N., contra outros passos de reacção. (...)

Desde 1838 até 1848 não fui homem politico, sinão passageiramente de 1842 a 1844, isto é, desde a Rebellião de Minas, até a amnistia, porque todos os meus amigos e parentes estavão compromettidos. (...)

  

Autobiographia
de C. B. Ottoni
natural da Villa do Principe, depois cidade do Serro, na provincia de Minas Geraes
Maio 1870

Rio de Janeiro
Typographia Leuzinger
1908

A Autobiografia foi escrita entre 1870 e 1871 e permaneceu inédita, recebendo notas e apêndices nas décadas seguintes, até a morte de Ottoni, em 1896.

Índice

  1. Porque e para que escrevo
  2. A casa de meu pae
  3. Minha infancia até 1828
  4. Vida de estudante: 1828 a 1837
  5. 1837-1848
  6. 1848-1855
  7. EF D. Pedro II (1855-1865)
    1. Decretação
    2. Organisação
    3. Direcção
    4. Contracto Price (1ª secção)
    5. Serra e prolongamento
    6. Custeio e administração
    7. Moralidade da gestão
    8. A protecção imperial
    9. Procedimento politico no decennio
  8. 1865-1868
  9. 1868-1871
  10. Julho 8 de 1872
  11. Novembro 11 de 1873
  12. Junho de 1875
  13. Agosto 31 de 1876
  14. Abril de 1877
  15. Maio de 1880
  16. 1885
  17. 1886
  18. 1887
Nota G - Decretação e construcção
             de estradas de ferro

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Parecer

Discurso ao imperador

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