Patrocínio:
Desapropriar, desfeudalizar.
Rever traçado das ferrovias e dar-lhes orientação
econômica
Cidade do Rio, 18 jun. 1888
(...)
O que a carta do sr. Paulino de Sousa nos diz é que S. Ex.ª
está pronto com os seus amigos a servir ao Governo que lhes prometer
sociedade com os cofres públicos.
Este pedido de indenização, de auxílios à
lavoura, de bancos de emissão, essa lengalenga do venha a nós
dos cofres públicos, demonstra o que sempre dizemos: que a escravidão
havia convertido o Governo brasileiro no socialismo o mais baixo e torpe,
porque se resumia no roubo do país inteiro em benefício
de uma classe: a lavoura.
Indenização dos herdeiros dos ladrões que piratearam
a alma humana e a honra da pátria durante 25 anos!
Auxílios à lavoura, a essa lavoura do absenteísmo,
a essa lavoura da jogatina, do luxo, da imprevidência, da oligarquia,
a essa lavoura que produziu como estadista o sr. Paulino; como instituições
livres a escravidão, o parlamento do sim e não, o júri
dos assassinos do Rio do Peixe; como indústria o funcionalismo;
como finanças o deficit; como economia nacional a hipoteca e o
exclusivismo do comércio estrangeiro!
(...)
Os clubes neo-republicanos são os mesmos clubes de lavoura da
escravidão. O tom, a ameaça são os mesmos.
Só há dois meios para acomodá-los: ou fazer como
o imperador em 1885, entregar-lhes de uma vez o Governo; ou então
fazer uma larga política popular e com o punho de Luís XI
esmagar esse feudalismo, que quer mascarar com a federação
a coligação de suseranias ameaçadas pela abolição.
O Governo não deve perder a calma.
O povo, o verdadeiro povo, que não é composto nem de caloteiros
de bancos, nem de comissários despeitados, nem de bacharéis
vadios, que querem suprir a falta de clientes pelo subsídio; o
povo que vê nas mãos da maioria desses republicanos das dúzias
o calo do chiquerador de eito; o povo está pronto a apoiar, a sustentar
o atual estado de coisas.
Que o Governo o faça votar; dê-lhes meios de resistir à
oligarquia que domina as urnas; essa oligarquia com que o sr. Paulino
de Sousa conta para a experiência de indisciplina; essa oligarquia
que ontem era conservadora de fazer inveja e hoje ameaça eleger
republicanos.
Que promova desde já a desapropriação das terras
à margem das estradas de ferro e dos rios navegáveis, e
sistematize para aí a imigração; que faça
rever os traçados de nossas estradas de ferro e lhes dê
uma orientação econômica; que abra as portas
à laicização completa e absoluta do país;
finalmente entre numa política larga e prática e deixe vozear
para aí a pirataria despeitada, que, não podendo mais explorar
o negro, quer explorar o Tesouro.
(...)
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