Mauá, 30 de abril de 1854
Na abertura da EF Mauá
« Senhor
A diretoria da Companhia de Navegação a Vapor e Estrada
de Ferro de Petrópolis vem render graças a VV.MM.
pela honra que se dignaram conferir à Estrada, vindo assistir
à solenidade de sua inauguração.
Vinte meses apenas são contados desde que VV.MM. honraram
com suas augustas presenças o primeiro acampamento dos operários
da companhia; coube-me, então, a distinta honra de depositar
nas mãos de V.M. um humilde instrumento de trabalho do qual
V.M. não se desdenhou de fazer uso, como para mostrar aos
seus súditos que o trabalho, essa fonte perene de prosperidade
pública, era não só digno de sua alta proteção,
porém, mesmo, de tão extraordinária honra!
Esse exemplo, Senhor, não foi perdido; ele faz vibrar em
nossos corações o entusiasmo, e o entusiasmo é
esse sentimento um tanto indefinível, porém que, uma
vez despertado em corações generosos, não há
mais obstáculos que não saibam vencer.
Hoje dignam-se VV.MM. de vir ver correr a locomotiva veloz, cujo
sibilo agudo ecoará nas matas do Brasil — prosperidade e
civilização — e marcará sem dúvida uma
nova era no país.
Seja-me permitido, Imperial Senhor, exprimir nesta ocasião
solene um dos mais ardentes anelos do meu coração:
esta estrada de ferro que se abre hoje ao trânsito público
é apenas o primeiro passo na realização de
um pensamento grandioso. Esta estrada, senhor, não deve parar
e se puder contar com a proteção de V.M. seguramente
não parará mais senão quando tiver assentado
a mais espaçosa de suas estações na margem
esquerda do rio das Velhas.
Ali se aglomerará para ser transportado ao grande mercado
da Corte a enorme massa de produção com que devem
concorrer para a riqueza pública os terrenos banhados por
essa imensa artéria fluvial, o rio São Francisco e
seus inúmeros tributários.
É então, senhor, que a majestosa baía, cujas
águas beijam com respeito as praias da capital do Império,
verá surgir em seu vasto e abrigado ancoradouro navios sem
conta. É, então, senhor, que o Rio de Janeiro será
um centro de comércio, indústria, riqueza, civilização
e força que nada tenha que invejar a ponto algum do mundo!
Uma proteção eficaz aos primeiros passos deste meio
de locomoção admirável, que tem contribuído
poderosamente para a prosperidade e grandeza de outros povos, fará
com que seja uma realidade, e porventura, em época não
mui distante, esta visão que me preocupa.
Dignai-vos, Imperial Senhor, de acolher os ardentes votos que faz
a diretoria da Companhia que leva a efeito no Brasil a primeira
estrada de ferro, pela glória do reinado de Vossa Majestade,
pela ventura da augusta família imperial e pela prosperidade
de grande nação, cujos destinos se acham confiados
à alta saberdoria e paternal solicitude de Vossa Majestade. »
A resposta do Imperador
« A diretoria da Estrada de Ferro Mauá pode estar
certa de que não é menor o meu júblio ao tomar
parte no começo de uma empresa que tanto há de animar
o comércio, as artes e as indústrias do Império. »
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