Rebouças: Agricultura Nacional
Centro-Oeste: navegação fluvial
p. 100
Muitos annos já tem decorrido depois que o devotado Dr. Couto
de Magalhães iniciou a navegação do Araguaya. Ainda
até hoje não se resolveu que se construisse um kilometro
de via ferrea, de plank-road sequer, nas secções
encachoeiradas do Araguaya ou do Tocantins. Todos os auxilios se têm
reduzido a mesquinhas subvenções, muito tardias, muito discutidas,
muito regateadas, sempre problematicas!
É por isso que com toda a razão a resposta ao inquerito
sobre o estado da lavoura colloca em primeiro lugar 1[Vide
a brochura — Informações sobre o estado da lavoura. Rio
de Janeiro, Typ. Nacional, 1874, pags. 93 e 94]:
"A falta de vias de communicação faceis
para a exportação dos productos, tanto que os lavradores
só plantam o estrictamente necessario para o consumo local, por
isso que, sendo caro o preço do transporte, preferem perder o genero
a exportal-o!!!"
A camara municipal de Goyaz, abundando nessas mesmas idéias, disse:
"Que o melhoramento que mais convém é
fundar-se a navegação do rio Araguaya, que se fôr
feita regularmente, de modo a estabelecer um frete razoável, muito
animará a exportação dos productos para o Pará".
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E ainda no importantissimo assumpto das vias de communicação,
accrescentou o engenheiro Moraes Jardim:
"Que a posição central da provincia,
onde a exportação e a importação são
quasi exclusivamente feitas por vias terrestres, exige mais do que nenhuma
outra estradas regulares, que offereçam segurança e commodos
aos viajantes; entretanto, pouco se ha feito a este respeito, devido isto
ao estado sempre precario dos cofres provinciaes e ao diminuto auxilio,
esse mesmo de grande proveito, que annualmente presta o governo imperial
ás obras publicas da provincia".
A agricultura, a industria, o commercio, a prosperidade, emfim, da provincia
de Goyaz dependem da navegação a vapor do Araguaya!
Há mais de 10 annos que o devotado Dr. Couto de Magalhães
luta com a rotina para abrir Goyaz ao commercio do mundo!
Ultimamente escreveu um livro precioso sobre a catechese desse milhão
de indios, que habitam o vastissimo planalto ou araxá, que
se estende desde o Araguaya até os Andes.
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A provincia de Matto Grosso não respondeu ao inquerito sobre o
estado da lavoura, ordenado pelo Ministerio da Fazenda, em Outubro de
1873.
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Matto Grosso é a tristissima victima de todos os nossos erros
no Rio da Prata.
E o que ha de mais atroz é que os nossos governantes se desculpam
com a provincia de Matto Grosso para manter no Rio da Prata uma politica
infernal, que arrasta este Paiz para uma crise medonha!
Elles dizem: é necessario a intervenção no rio da
Prata para termos caminho para Matto Grosso!
Que pretexto e que mentira! Grita horrorrisada a topographia d'este Paiz
immenso!
— Não é brazileiro o rio Madeira, que conduz em linha recta
ao Fórte do Principe da Beira, o ponto mais longiquo e mais occidental
de Matto Grosso?
— Não é brazileiro o Tapajóz, que dá o mais
curto caminho para a cidade de Matto Grosso, pelo confluente Juina, e
para Diamantina e Cuyabá, pelo confluente Arinos?
— Não são todos brazileiros o Xingú, o Tocantins,
o Araguaya, cujos valles immensos se estendem até o planalto, onde
se acha a picada, unico e produtivo caminho, que ainda hoje liga Goyaz
a Cuyabá?
— Não é brazileiro o Rio Grande, cujo valle parece uma
linha recta, traçada por Deos entre a Capital do Imperio e a cidade
de Miranda em Matto Grosso?
— Não são brazileiros o Tieté, o Parapanema, o Tibagy
e o Ivahy, que indicam outras tantas linhas rectas convergindo em Miranda?
— Não é todo brazileiro este predestinado Iguassú,
que vai em linha recta a Coaguazú, a Villa Rica e a Assumpção?
Um caminho de ferro n'este valle não tornaria o Paraguay uma dependencia
commercial, perpetua e eterna, do Brazil.
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Confessai (...) que essa vossa eterna occupação do Rio
da Prata é um miseravel pretexto para alimentar no Brazil a oligarchia
e o militarismo!
Vós dissestes, durante a guerra do Paraguay, que ieis abrir ao
Mundo os grandes rios da Bacia do Prata.
São passados já quatorze annos!
— Que tendes feito pela liberdade da navegação do Alto
Paraná?
— Que portos francos já creastes no Alto Paraná?
— O que tendes feito pela liberdade de navegação do Alto
Uruguay?
(...)
p. 108
O proprio Voltaire, no seu Diccionario Philosophico, no artigo "Patrie"
faz consistir o patriotismo em desejar e fazer todo o mal possivel ás
outras nações.
p. 125-126
É preciso têr viajado pela Europa, principalmente pela Europa
Central, para poder avaliar o ardor, o enthusiasmo com [que]
os proletarios do velho mundo aspiram o titulo de proprietario da terra?
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