Rebouças: Agricultura Nacional
Economias do Rio de Janeiro
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Pertence a esta mesma ordem de ideias um problema financeiro muito interessante:
— Qual a importancia das economias annuaes da capital do imperio? Ou que
somma póde o Rio de Janeiro immobilisar em melhoramentos urbanos
sem sacrificio de seu movimento financeiro? Consultamos para solução
deste problema um dos mais provectos capitalistas do Rio de Janeiro e
um dos bons amigos do Visconde de Itaborahy: forneceu-nos estes algarismos:
Calculo approximado das economias annuaes da cidade do Rio de Janeiro.
| 1º Depositos na Caixa Economica |
6,000:000$000 |
| 2º Depositos em bilhetes do Thesouro |
15,000:000$000 |
| 3º Depositos nos Bancos |
30,000:000$000 |
| 4º Juros de cerca de 250,000 apolices de 6% |
15,000:000$000 |
| Somma |
Rs. 66,000:000$000 |
Considerando que 50% desta somma seja necessaria aos gastos annuaes dos
capitalistas, teremos que o Rio de Janeiro poderia, pelo menos, empregar
30,000 contos de réis, por anno, em obras de utilidade publica
e em melhoramentos urbanos.
Desde muito que nos impressiona dolorosamente a repugnancia, que tem
o capital estrangeiro em se fixar no Brazil.
Nas companhias industriaes são rarissimos os accionistas estrangeiros.
Quando indagamos a razão d'esta repugnancia que nos é tão
prejudicial, respondem-nos invariavelmente: — O papel-moeda e a escravidão
trazem o Brazil em continuo estado de suspeição para a Europa.
Pois bem, é preciso terminar com o papel-moeda e com a escravidão.
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O cambio fluctua presentemente nas immediações de 26½:
basta que não prosigamos nos absurdos esbanjamentos do fatal systema
da paz armada, e que affastemos toda a hypothese de guerra no Prata para
termos cambio ao par. Poder-se-ha principiar então a reunir effectivamente
papel-moeda, beneficio tantas vezes promettido pelo legislador quantas
negadas pelo abuso governamental!
Cumpramos, já é tempo, a Lei de 11 de Setembro de 1846
e principalmente o artigo 3º da Lei de 31 de Maio de 1850, que prohibem
explicitamente que se augmente a somma de papel circulante no Imperio,
qualquer que seja o caso, qualquer que seja o pretexto ainda mesmo temporariamente.
Quanto á escravidão!... essa nos serve de obstaculo em
tudo e por tudo. Na vida intima, na vida publica, na vida internacional,
sempre a escravidão como um anathema fatal! É a escravidão,
que impede a emigração espontanea para o Brazil. É
a escravidão o primeiro argumento dos governos europeus contra
a colonisação no Brazil.
Dizem abertamente. Querem escravos brancos agora que a Inglaterra
os impedio de ter escravos pretos.
Na tristissima guerra do Paraguay as sympathias da Europa eram manifestamente
pelo Paraguay — porque, diziam elles, são barbaros, é possivel;
mas, pelo menos, não possuem escravos! A verdade historica dirá,
porém, que os ultimos escravos paraguayos foram libertados pelo
Principe, que guiou o exercito brazileiro ás ultimas victorias
no Paraguay.
No emtanto é preciso que, em ponto algum, o Brazil seja inferior
a qualquer nação do mundo. E para alcançar quanto
antes este apogêo, é necessario, é urgente, é
indispensavel acabar, logo que possivel fôr, com a escravidão
e com o papel-moeda.
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Agricultura Nacional: estudos econômicos.
Propaganda abolicionista e democrática
Setembro de 1874 a Setembro de 1883
André Rebouças
A. J. Lamoureux & Co., Rio de Janeiro, 1883
2ª edição fac-similar - Fundação
Joaquim Nabuco / Editora Massangana, Recife, 1988
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