Agricultura, 1860
Annexo A
Relatorio do presidente da directoria da estrada de ferro de D. Pedro II

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(...) A grande massa de generos alimenticios que a estrada de ferro transporta quasi exclusivamente para o interior he uma questão digna de estudo.

Os municipios do sul da provincia de Minas, que mandão á côrte tão grande quantidade de toucinho, queijos, e lombo de porco, poderião fornecer-lhe muitos outros alimentos, grandes porções de carne de vacca salgada, todos os productos de rez, e mesmo cereaes.

Mas entre a côrte e esse grande centro de producção de generos alimenticios medeia a matta, que cultiva café, e importa em não pequena parte a sua alimentação; a pequena porção de estrada de ferro em serviço mui pouco attenua o frete dos generos mineiros, que percorrem muitas dezenas de legoas para chegar a Belem. A maior parte da producção da provincia não póde tolerar tão longo transporte ás costas de bestas.

Por isso a 1ª secção da estrada de ferro apenas facilita o abastecimento dos plantadores de café, com prejuizo da cidade; mas a continuação dos trilhos, aproximando-os da provincia de Minas, trará muito naturalmente o movimento contrario. (...)

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§ 3º — Segunda secção em construcção

Esta secção comprehende 17 milhas inglezas de Belem até o lado occidental da serra do Mar, e mais 11½ descendo até a margem do rio Parahyba. (...)

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A duas milhas de Belém, do ponto em que começa a grande rampa de 15 milhas que vence a cordilheira, destaca-se um ramal que com 3 [1/10?] milhas alcança o lugar denominado — Macacos — na estrada do Presidente á duas legoas de Belém, sendo esta estrada o pirncipal contribuinte da nossa 1ª secção, vê-se que o ramal prestará commodidade ao grande numero de viajantes que a percorrem, e á grande massa de productos que se transportão pela estrada do Presidente, em ambas as direcções.

Estão assentados os trilhos nas duas milhas até a bifurcação do ramal, e este tem prompto o leito para receber lastro e superstructura, podendo esperar-se que com mais um mez de trabalho possão as locomotivas percorrê-lo em toda a extensão.

A construcção do ramal dos Macacos, em que a companhia não podia empregar capital garantido, foi contractada com os proprietarios da fazenda do mesmo nome, que o edificão á sua custa, e receberão depois em indemnisação metade da renda especial delle, ficando livre á directoria, quando abrir além outra estação continuar ou não a explorar o ramal, como o aconselhar a experiencia. (...)

§ 4º — Terceira e quarta secções

Prospecto de vantagens

A 3ª secção com 94½ milhas da barra do Pirahy ao Porto Novo do Cunha, e a 4ª com 96 á povoação da Cachoeira, estão estudadas e pendentes os planos da approvação do governo imperial. A 3ª secção percorre em toda a extensão o centro de uma zona de terreno, eminentemente productora de café, e que actualmente o exporta por Belém, por Iguassú, por Petropolis, Magé e Piedade, estando averiguado que toda essa producção, e mesmo uma parte da que desce para S. Fidelis e Campos procurará com vantagem os nossos trilhos. Do termo actual da 3ª secção para o norte e para leste se estende um vasto sertão de terras novas, em grande parte já occupadas, que promettem á estrada de ferro o mais brilhante futuro.

A 4ª secção he destinada a servir um territorio menos esperançoso; e na parte comprehendida na provincia do Rio de Janeiro soffrerá a concurrencia da navegação do Parahyba, facilitada pela circumstancia de terem os barcos carga muito mais pesada na descida do que na subida.

As primeiras legoas desta secção jazerão fronteiras á serra da Mantiqueira, que as separa dos municipios do sul de Minas em vertentes dos rios Grande e S. Francisco. Transpôr esta cordilheira, e alcançar os campos produtores de gado, parece ser a primeira idéa que se recommenda actualmente aos poderes publicos.

Facilitar a exportação de productos, que de presente não supportão o custo do transporte.

Habilitar a capital para receber as subsistencias mais do interior do que da navegação, estado de cousas que em caso de guerra e bloqueio a expõe aos horrores da fome.

Lançar os fundamentos da grande communicação entre a metropole e as provincias do norte.

Taes são as vantagens do pensamento que aventei, sahindo talvez do circulo que V. Ex. traçou as informações que ordenára, circulo em que novamente procurarei circumscrever-me. (...)

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§ 5º — Medidas e projectos que pendem de decisão do governo imperial

(...)

2º A idéa de communicar-se a estação central da estrada de ferro com um ponto do littoral foi desenvolvida em um projecto completamente estudado pelo engenheiro Henry Law, e submettido á approvação do governo imperial em data de 9 de Março de 1860.

Este projecto, por insinuação do Exm. Sr. Ministro da Fazenda, comprehende os meios necessarios para reunir-se no mesmo lugar de embarque o serviço da estrada de ferro, e o da repartição publica que percebe os impostos sobre a exportação; e tal circumstancia elevou o orçamento acerca de 2.500 contos. Não entrando tal verba nas previsões da empreza, e excedendo manifestamente as faculdades do capital autorisado, pedio a directoria um augmento equivalente de garantia. O relatorio que acompanha o projecto parece não deixar duvida de que a garantia, logo depois de concluida a construcção, se tornará nominal. A decisão deste negocio he necessaria por mais de um motivo: se por ventura o projecto não fôr autorisado, a directoria terá de alienar os predios que para sua execução já tinha desapropriado, e no caso contrario urge completar a desapropriação, que cada anno decorrido torna mais difficil. (...)

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Deus Guarde a V. Ex. — Illm. e Exm. Sr. Conselheiro João de Almeida Pereira Filho, Ministro e Secretario de Estado dos Negocios do Imperio. — Christiano Benedicto Ottoni. — Presidente da Directoria.

 

Agricultura, 1860
Relatorio da Repartição dos Negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas apresentado á Assembléa Geral Legislativa (...) pelo respectivo ministro e secretario de Estado
Manoel Felizardo de Souza e Mello
Rio de Janeiro - Typographia Universal de Laemmert, 1861

Ferrovias
EF de D. Pedro II
Annexo A — Relatorio do presidente da directoria da estrada de ferro de D. Pedro II

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