Agricultura, 1868
O custo das primeiras ferrovias
Relatorio que ao Illm. Sr. Director Geral da Secretaria de Estado
dos Negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas
apresentou o Chefe da 3ª Secção
J. M. Pereira de Alencastre
Annexo L / gif 395-414
Vias de communicação
I
Não ha ainda quinze annos que o Brasil dotado pela natureza
de tão prodigas riquezas, não possuia uma só
via de communicação regular.
Data de 30 de Abril de 1854, a inauguração de seu
primeiro caminho de ferro, devido ao espirito emprehendedor de um
dos mais activos obreiros do nosso progresso industrial, o Sr. barão
de Mauá.
Data tambem de então, o periodo em que os melhoramentos
materiaes principiárão a ter entre nós algum
incremento, tanto quanto têm permittido os nossos recursos.
Temos feito pouco; e se houvesse mais confiança no futuro
do paiz, quero crer que mais teriamos progredido.
Tambem o systema adoptado nas construcções dos nossos
caminhos de ferro concorreu, para que não fossemos mais longe,
do que estamos hoje.
Depois de quinze annos de trabalhos, apenas possuimos 634 kilometros
de caminhos construidos, inclusive trilhos urbanos, o que
em relação ao nosso paiz, á sua extensão,
ás suas necessidades, não significa progresso.
Em igual periodo os Estados-Unidos, comprehendendo desde o principio
os prodigiosos resultados economicos dos caminhos de ferro, os adoptou
com coragem e sem reservas, e entregou á circulação
5,000 milhas de vias de communicação artificial, e
nunca mais parou no seu desenvolvimento.
Henrique Stucklé, director dos caminhos de ferro da Helvecia,
estudando as vias ferreas americanas, nos diz que os canaes, e as
estradas artificiaes são os mais poderosos instrumentos,
que podem ser empregados em prol da civilisação, e
do desenvolvimento do commercio e da industria de um paiz novo,
que apenas tem completado seus trabalhos de colonisação.
É precisamente a condição em que nos achamos:
para que, porém, possamos vencer os embaraços, que
nos tolhem os passos, cumpre que não só confiemos
mais no futuro do paiz, como abandonemos o systema até agora
seguido.
As estradas que temos construido sob a garantia do Estado, absorvendo
grandes capitaes, impõem muitos sacrificios ao thesouro;
e estou convencido que estes serão effectivos durante um
longo praso das concessões. Ou por que não produzissem
as emprezas desde logo os beneficios, que os capitalistas esperavão
colher, ou por outras razões, veio delles o desanimo, e da
parte do governo o receio de novos onus, paralysando-se os trabalhos
que parecião começados sob os melhores auspicios.
O preço das construcções das nossas estradas
tem sido outro motivo para descoroçoamento; mas se em verdade
esses preços são excessivos comparativamente com os
das estradas artificiaes da Europa e dos Estados-Unidos, a culpa
é principalmente das companhias que não zelárão
seus capitaes, e não economisárão nas construcções,
quasi todas executadas por empreitadas em globo.
Os esbanjamentos forão consideraveis, e minha mais firme
convicção é que as obras construidas pela maior
parte não representão os valores que figurão
nos orçamentos e balanços, em razão do systema
porque forão executadas.
O contracto Price, na estrada de ferro de D. Pedro II, o contracto
Furness em Pernambuco, e finalmente o contracto celebrado com R.
Sharp & Filhos fallão eloquentemente contra o systema
adoptado pelas companhias, de cujos erros não forão
infelizmente advertidas pelo governo.
Das lacunas que se notão nos decretos de concessão,
e das imprevidencias dos contractos em globo para execução
das obras por empreiteiros estranhos ao paiz, e desconhecedores
de tudo, se derivárão sempre serias controversias,
e questões graves, algumas das quaes ainda estão por
decidir.
Desses contractos em globo, pelo modo como forão executados
resulta, que não podemos conhecer o custo real das nossas
obras de estradas de ferro, e se ellas representão elevados
algarismos, e vão muito além dos capitaes garantidos,
toda a responsabilidade deve ser levada á conta das emprezas
concessionarias. De todos os contractos existentes o que mais me
sorprende é o da estrada de ferro de S. Paulo, celebrado
com Sharp & Filhos, onde além das obras permanentes e
da via ferrea, a companhia incluiu as desapropriações
e o proprio trem rodante!
Um governo acreditado como o nosso, que se apresenta n'uma praça
como a de Londres onde abundão capitaes a 4 e 3%, e offerece
acções de companhias privilegiadas com garantia de
7% por 90 annos, abre uma mina inexgotavel e capaz de saciar aos
mais ambiciosos.
O capital que por este modo é tão largamente remunerado,
gasta-se sem escrupulo, desapparece em liberalidades, e qualquer
que seja a sorte da empreza, prospera ou decadente as consequencias
são sempre as mesmas, porque os lucros são infalliveis.
No emprego do capital das companhias de caminhos de ferro, é
que maiores abusos têm apparecido, que os actos de concessão
podião ter prevenido de um modo mais efficaz.
Em geral quando tratamos do custo das nossas estradas, invejamos
o preço das estradas europeas, e fazemos com ellas esse pararellelo
que é para nós tão desfavoravel. E a verdade
é que parece ter-se já firmado o principio erroneo,
de que nas nossas condições é impossivel construir
no Brasil vias artificiaes mais baratas, do que as existentes. Nas
condições economicas da Europa, na natureza do seu
terreno, no seu clima, na modicidade dos salarios, e em muitas outras
circumstancias se vão procurar as razões, que explicão
a barateza de suas vias ferreas; entretanto a Europa dirige vistas
invejosas para os Estados-Unidos, onde mais baratos são os
caminhos de ferro, e por sua vez nos diz: os americanos no estabelecimento
de seus canaes e vias ferreas são mais favorecidos do que
nós, porque têm madeiras e terrenos baratos. Em circumstancias
identicas, não temos podido chegar aos mesmos resultados.
O que porém até hoje temos feito não pode servir
de regra para o futuro, nem as construcções existentes
de typo regulador em materia de preço: o mal está
no systema seguido, que deve ser abandonado, a menos que não
queiramos ficar estacionarios, emquanto o resto do mundo progride,
e os nossos visinhos do Prata dão o exemplo da maior vitalidade
em melhoramentos desta ordem.
E de facto o Estado-Oriental do Uruguay e a Confederação
Argentina prolongão seus caminhos existentes, e decretão
novos em direcção ás nossas fronteiras.
Esses projectos dos nossos visinhos contém uma grande politica,
cujas consequencias hão de ser de futuro sentidas.
O governo imperial não deve esquecer esta grande e profunda
verdade. De todas as conquistas a da civilisação é
a mais efficaz e duradoura.
As nossas vias ferreas são os instrumentos da futura grandeza
do Imperio: o paiz as reclama como o grande verbo do seu progresso.
O commercio, a industria, a emigração, a unidade
do Imperio, a politica interna, a politica internacional, todos
os interesses da familia brasileira não conhecem necessidade
mais urgente, nem garantia mais poderosa de sua felicidade e do
seu futuro.
Em quinze annos de trabalhos temos conseguido bem mediocres resultados.
A estrada de ferro de D. Pedro II rasgando o interior de Minas aspira
chegar com suas locomotivas ao valle do rio de S. Francisco, e saudar
a estrada de ferro de S. Paulo no valle do Rio-Grande; Goyaz e Mato-Grosso,
que pela sua distancia parecem segregadas da união brasileira,
anciosas esperão que o telegrapho electrico e a locomotiva
as vão remir do atrazo e prostação, em que
as tem a difficuldade das communicações.
As estradas de ferro de Pernambuco e Bahia anciosas medem o espaço
que as separão do seu ponto terminal. Os actuaes e futuros
interesses do Imperio não serão verdadeiramente consultados
emquanto uma linha ferrea não cobrir a nossa fronteira do
Sul, desde o Quarahim até Jaguarão, desde Sant'Anna
do Livramento até S. Borja.
Presentemente possue o Imperio 674,687 kilometros de caminhos
de ferro em circulação, e [68,851?]
kilometros em construcção; entretanto varias concessões
de tem feito de novas linhas, cujas emprezas nem ainda se constituirão.
O quadro annexo sob n. 1 mostra qual é presentemente a situação
dessas emprezas.
Figurão n'este quadro concessões que já caducárão,
como sejão a da linha ferrea de Tamandaré a Una, por
completo abandono dos concessionarios, e a do Camucy ao Ipú,
no Ceará, por morte do concessionario e clausula expressa
do contracto.
Alguns projectos ahi figurão, que não podem merecer
a menor confiança, e outros cujos emprezarios aguardão
uma situação economica mais favoravel para levantarem
capitaes, e darem principio aos seus trabalhos.
A imprensa européa occupa-se presentemente de uma importante
questão sobre os caminhos de ferro economicos de M. Larmaujat.
Se effectivamente chegou-se a reconhecer pela pratica que o novo
systema póde ser applicado com toda a confiança, não
direi nos caminhos de grande trafego e circulação,
mas nos ramaes, e estradas de interesse puramente local, grandes
vantagens se póde d'elle colher para o nosso paiz. O systema
já foi submettido á experiencia em um caminho de 8
kilometros de extensão, que liga a communa de Raincy á
de Montfermeil, e segundo vi dos jornaes, foi ella muito satisfactoria.
Todo o segredo do novo systema consiste em fazer assentar sobre
um só trilho toda a carga a conduzir, e em aproveitar a adherencia
das rodas motrizes sobre o solo, e poder se construir machinas ao
mesmo tempo muito leves e muito possantes. Augmento de força
moriz de um lado, reducção das resistencias a vencer
do outro, tal é o effeito desta combinação
tão simples quanto engenhosa.
A pequena locomotiva de M. Larmaujat, quasi inteiramente construida
de aço, é de um peso total de 3 toneloadas, do qual
mais de dous terços são repartidos sobre as rodas
motrizes; estas são ligadas ao apparelho motor por meio de
uma endentação e de um parafuso sem fim, arranjadas
de tal sorte que cada volta das rodas corresponda a seis idas e
voltas dos embolos. Tem esta disposição a dupla vantagem
de dar mais regularidade á marcha e pôr o apparelho
motor ao abrigo dos choques que podem se produzir sobre as rodas.
Um systema de molas dos mais engenhosos torna, além disso,
esses ultimos inteiramente independentes em seu movimento de rotação,
de modo a evitar todo o attricto na passagem das curvas; têm
estas molas, demais, a vantagem de regularisarem a força
motriz e evitarem qualquer abalo na occasião da partida.
Transpondo com igual facilidade rampas e curvas, o novo systema
accommoda-se quasi por toda a parte ao traço das estradas
existentes. Construida segundo esses dados, uma linha de 20 kilometros
(3 leguas e 90 braças) custaria, de gastos de construcção
e acquisição do material, 289,000 francos (cêrca
de 145:000$000 ao cambio actual, ou 48:000$000 por legua); de despezas
de trafego, 65,000 francos por anno pouco mais ou menos. Estamos
longe, como se vê, nos 120,000 francos por kilometro, que
não ha muito affirmava um orador na tribuna do corpo legislativo
ser o minimo ao qual seria possivel fazer descer o custo dos caminhos
de ferro de interesse local.
Resulta de orçamentos feitos por M. Larmaujat, segundo as
mais rigorosas bases de apreciação, que tarifas inferiores
de 20% ás das grandes companhias assegurarião ao capital
empenhado em uma linha construida pelo novo systema, e sem o soccorro
de subvenção alguma, um lucro de mais de 33%.
II
Situação das vias ferreas
Não foi até hoje dito que somma de sacrificios tem
custado ao Estado a construcção desses poucos caminhos
de ferro contractados com companhias inglezas mediante a garantia
dos seus capitaes.
A intervenção do Estado na industria dos transportes
por meio de caminhos artificiaes se tem entre nós verificado
de todos os modos.
Accionista e garantidor da estrada de ferro de D. Pedro II, é
hoje seu proprietario e sob sua administração a vae
custeando e construindo.
Accionista e garantidor das estradas da Bahia e Pernambuco intervem
na gerencia e fiscalisação das companhias com duplo
caracter. Como simples garantidor a sua acção se faz
tambem directamente sentir na direcção da estrada
de Santos a Jundiahy.
Mas qual é a extensão dos sacrificios, quaes os compromissos
do Estado até hoje em relação a essas emprezas?
É o que vamos ver, submettendo á appreciação
de V. S. uma serie de dados que, se não rigorosamente completos,
approximão-se da realidade.
As actuaes emprezas de vias ferreas figurão presentemente
nos balanços com os seguintes capitaes:
| D. Pedro II |
|
|
28,589:653$875 |
| Bahia |
|
|
16,000:200$000 |
| Recife |
|
|
10,666:600$000 |
| S. Paulo |
Capital primitivo |
17,778:000$000 |
|
| |
Idem addicional |
5,777:850$000 |
23,555:850$000 |
Nestas quatro estradas, que representão a extensão
de 563 kilometros estão pois presentemente empregados 78,812:303$875.
Como, porém, liquidadas as contas da de Pernambuco, foi
reconhecido que a companhia dispendeu bona fide, além
do capital garantido, mais a somma de £ 485,648, ou 4,316:925$072
ao cambio par e o governo prometteu garantir este excesso de capital,
o devemos desde já addicionar, bem como o emprestimo de £ 100,000
feito á de S. Paulo, de que paga a companhia juros ao Thesouro,
bem como a importancia de £ 10,000, ou 88:890$000, que
se permittio á de Pernambuco deduzir da renda liquida para
augmento do seu trem rodante.
Assim temos que a esse capital de 78,000:000$000 se deve adicionar:
| Pernambuco: |
|
| Augmento de capital (£ 485,648) |
4,316:925$072 |
| Deduzido da renda para trem rodante
(£ 10,000) |
88:800$000 |
| S. Paulo: |
|
| Emprestimo (£ 100,000) |
888:900$000 |
Representão, pois, as actuaes estradas subvencionadas pelo
Estado, e a de sua propriedade o capital de 85,107:018$947.
Para que se possa saber qual a quota deste capital com que tem
concorrido o Thesouro, cumpre lembrar que o governo imperial autorisado
pelo art. 5º da lei n. 1,083 de 2 de Agosto de 1860 permutou
por apolices da divida publica de juro de 6% 13,549 acções
da estrada de ferro de Pernambuco, e 1,020 acções
da da Bahia.
Cumpre ainda lembrar que para o capital da de Pernambuco concorreu
o Estado com o emprestimo de £ 400,000, do qual paga
a companhia juros.
Temos, pois, que o Thesouro figura na somma total desse capital
com os seguintes algarismos:
| Estrada de ferro de D. Pedro
II |
|
28,589:653$875 |
| Pernambuco: |
|
|
| Emprestimo de £ 400,000 |
|
3,555:600$000 |
| Acções representadas
por 2,463 apolices de |
1:000$000 |
|
| Tres de |
600$000 |
|
| Quatro de |
400$000 |
2,466:400$000 |
| Adiantamento de £ 10,000
tirado da renda liquida |
88:800$000 |
| Bahia: |
|
|
| Accções representadas
por 186 apolices de |
1:000$000 |
|
| Uma de |
600$000 |
186:600$000 |
| S. Paulo: |
|
|
| Emprestimo de £ 100,000 |
|
888:900$000 |
Temos pois o Estado representado pelo capital de 35,776:043$884
e as companhias inglezas pelo de 48,330:975$072.
Mas este sacrificio do Thesouro vae mais longe: o governo pagando
6% das apolices que permutou por acções das companhias,
não recebe como accionista valor correspondente ao onus com
que carrega, embora fique aliviado da garantia de juros desse capital,
que é seu.
O Estado pelas sommas despendidas com a garantia de juros não
sei que tenha lucrado indirectamente na proporção
dos sacrificios que tem feito. Seria este um estudo muito util a
fazer-se, e do qual não me encarrego nesta occasião
por falta de tempo, e na carencia de todos os elementos precisos.
Devo porém deixar aqui consignado a importancia das garantias
pagas pelo Estado, desde que as linhas ferreas forão abertas
ao trafego.
Importando approximadamente em 21,443:857$588 o que o governo tem
despendido até a ultima data com os pagamentos da garantia,
quer geral, quer provincial, resta-lhe deduzir dos seus encargos
a garantia de 2% que das provincias têmd e haver na importancia
superior á 5,000:000$000 até o fim do anno passado.
A somma total dos sacrificios até hoje feitos pelo thesouro
é de cerca de 57,219:901$472, segundo os meus calculos; se
porém addiccionarmos o capital despendido pelas companhias,
se verá que as nossas estradas, representão actualmente
a importancia de 105,550:876$544.
A liquidação desta divida em fins de 1867 importava
em (...) *[não entendi]
Estas garantias representão hoje sommas consideraveis, como
V. S. passará a ver do quadro demonstrativo sob n. 2.
Para que melhor se possa comprehender o quadro que vae intercalado,
a marcha ascendente do capital e dos correspondentes pagamentos
das garantias, cumpre lembrar que á proporção
que as secções das estradas de ferro da Bahia e Pernambuco
erão abertas ao trafego, se procedia a uma capitalisação
provisoria, cujo algarismo ia sendo addicionado aos anteriores,
até prefazer a somma total garantida, como melhor verá
V. S. do seguinte quadro, sómente referente áquellas
duas estradas, por isso que a de S. Paulo foi entregue ao trafego
depois de inteiramente concluida.
| Bahia |
| Secções |
Extensão em KL. |
Data da abertura ao trafego |
Capitalisação |
| £.
S. D. |
| 1ª secção |
21,30 |
26 de Junho 1860 |
455,xxx- 0-
0 |
| 2ª secção |
21,30 |
10 de Setbrº
1861 |
499,xxx-
18- 0 |
| 3ª secção |
23,61 |
4 de Agosto 1862 |
| 4ª secção |
16,30 |
31 de Janeiro 1863 |
231,893- 10- 6 |
| 5ª secção |
16,30 |
31 de Janeiro 1863 |
613,237- 11- 6 |
| 6ª secção |
24,07 |
31 de Janeiro 1863 |
223,xx |
1,800,000 |
| Nota do site: Ilegibilidade
e erros tipográficos. Extensão: 123,xx km |
| Pernambuco |
| Secções |
Extensão em KL. |
Data da abertura ao trafego |
Capitalisação |
| £.
S. D. |
| 1ª secção |
31,511 |
8 de Feverº 1858 |
375,000- 0- 0 |
| 2ª secção |
26,160 |
1 de Outub. 1861 |
230,977- 9- 1 |
| 3ª secção |
38,170 |
13 de Maio 1862 |
314,898- 3- 1 |
| 4ª (parte) |
26,951 |
7 Setbrº 1862 |
279,127- 7- 10 |
| 4ª (parte) |
30 Nov... 1862 |
|
124,xxx |
1,200,000 |
A situação economica das nossas vias ferreas na praça
de Londres comquanto tenha melhorado, continúa a não
ser muito lisongeira. De Dezembro de 1867 a Janeiro ultimo as acções
desas emprezas têm tido as seguintes cotações:
| |
|
Pernambuco |
Bahia |
S. Paulo |
| 1867 Dezembro |
14 |
|
|
16½ 17 |
| 1868 Janeiro |
6 |
9 10 |
17 17½ |
19 19½ |
| » Janeiro |
20 |
|
14½ 15 |
|
| » Agosto |
22 |
10 11 |
15½
15¾ |
17½
18½ |
| » Setembro |
30 |
12½ 13 |
15½ 16½ |
18¾ 19¼ |
| » Novembro |
8 |
11 12 |
15 15½ |
18 19 |
| » Dezembro |
8 |
12 13 |
15½ 16 |
18½ 19 |
| 1869 Janeiro |
7 |
11½ 12½ |
15¾ 16½ |
18½ 19 |
| » Fevereiro |
6 |
13¼ 14 |
16 17 |
19 20 |
| » Março |
8 |
13 14 |
16¼ 16¾ |
19¼ 19¾ |
As acções de Pernambuco não são procuradas.
Em agosto do anno passado fizerão-se transacções
com os titulos da Bahia a 15 3/8 e na mesma occasião com
as de S. Paulo a 17 1/8 e 18¼. Houverão fundadas esperanças
em Janeiro do anno passado de que as acções de S.
Paulo podessem chegar em pouco tempo a 24, mas foi o contrario,
descerão, sem motivo justificado. Agora, porém, que
a linha foi aceita e o trafego se desenvolve, as acções
subirão de valor no mercado, e a cotação de
19 20 parece que se manterá.
Durante o anno passado a renda das estradas de ferro attingiu o
algarismo de 6,429:718$310, e tendo sido a despeza de 3,324:750$373,
resultou um saldo de 3,104:967$937. Este rendimento foi principalmente
alimentado pela exportação e importação
dos principaes productos da nossa lavoura e mercadorias com o peso
de mais de 20,000,000 arrobas.
Isto melhormente se vê dos seguintes demonstrativos
* [quadro pouco
legível]
O trafego de passageiros (...) e kilometros percorridos nos 642,103
que estiverão em circulação.
* [quadro pouco
legível. Comparando as 2 tabelas, com erros, parecem indicar...]
| Linhas |
Extensão kilometrica
por trafego |
... |
| Estrada de ferro de D. Pedro
II |
203,13 |
... |
| Dita de S. Paulo |
139,00 |
... |
| Dita da Bahia |
123,50 |
... |
| Dita de Pernambuco |
124,50 |
... |
| Dita de Mauá |
17,50 |
... |
| Dita de Cantagallo |
34,00 |
... |
| Total |
642,03 |
|
(...)
|