Agricultura, 1870
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Augustos e dignissimos Senhores Representantes da Nação
Obedeço ao preceito da lei, vindo offerecer-vos o relatorio do estado
dos differentes ramos de serviço da competencia do ministerio dos negocios
da agricultura, commercio e obras publicas, para o qual fui nomeado por decreto
de 7 de março deste anno.
Secretaria de Estado
Não tendo ainda sufficiente experiencia para aventurar juizo sobre a
reforma effectuada pelo decreto nº 4.167 de 29 de abril de 1868, direi comtudo
que não me parece desacertada a organisação que teve outr’ora
a secretaria de estado deste ministerio.
Como quer que seja, attendendo-se á natureza dos serviços a elle
sujeitos, verifica-se que a parte technica não mereceu a importancia devida.
Esta lacuna foi ultimamente supprida pelo decreto que deu novo regulamento para
a creação do corpo de engenheiros civis.
A expedição dos negocios que competem á secretaria fez-se
com regularidade, não obstante augmentarem de dia em dia.
Em consequencia desse facto, estou resolvido a prover os seis logares de praticantes
creados pelo regulamento vigente e para cujo fim o § 1º do art. 8 da
lei nº 1.836 autorixou a correspondente despeza.
Já expedi as instrucções de 19 de abril ultimo (annexo
A), regulando o concurso para o provimento daquelles logares e dos de amanuense.
Senso sensivel a falta de um engenheiro habilitado para informar as questões
technicas, o meu illustrado antecessor [gab. S. Vicente?] remediou-a mandando
addir á secretaria o engenheiro Francisco Pereira Passos, que em longo
tirocinio tem dado provas de suas habilitações.
Cessando para a directoria geral de contabilidade do thesouro a obrigação
de verificar préviamente os calculos arithmeticos dos documentos de despezas
realizadas em outros ministerios, conforme dispôz o decreto nº 4.153
de 6 de abril de 1863, cresceu consideravelmente o trabalho a cargo da secção
de contabilidade desta secretaria.
(...)
Corpo de engenheiros civis
Por decreto 4.696 de 16 de fevereiro do corrente anno foi expedido novo regulamento
para o corpo de engenheiros civis, creado pelo artigo 4º do decreto nº
2.748 de 16 de fevereiro de 1861.
A vantagem desta creação foi sempre reconhecida por meus antecessores,
em seus relatorios. Sendo as obras publicas um dos ramos mais importantes do ministerio
da agricultura, a falta de centro habilitado para examinar as questões
de engenharia, é serio embaraço á boa marcha do serviço.
Sem esse centro, ao qual ficassem subordinados os engenheiros incumbidos de
differentes commissões, não podia haver fiscalisação
e uniformidade nos trabalhos, variando as bases de execução, conforme
a vontade do executor.
A França que, neste assumpto, tanto avantaja-se entre as nações
mais cultas, adoptou a uniformidade, estabelecendo para cada ramo de engenharia
convenções invariaveis, firmadas nos principios da sciencia, na
pratica ou exigencias do serviço.
Não sendo facil encontrar todas as habilitações reunidas
no mesmo individuo, é de vantagem crear engenheiros versados em cada um
dos ramos da engenharia civil.
Para conseguil-o, porém, cumpre conhecer e aproveitar as aptidões
de cada um, sem o que é inutil toda a tentativa.
É impossivel asseverar desde já que o novo regulamento satisfará
todas as necessidades do serviço: só a pratica poderá demonstral-o.
Entretanto, embora em proporções modestas, procurou organisar o
serviço nas provincias, sem prejudicar a unidade precisa de sua direcção
e fiscalisação.
Com as commissões de engenheiros que cessarão com o regimen que
vae ser iniciado despende-se actualmente cêrca de 290:000$000, sem resultados
equivalentes a tão avultado encargo.
Se fôr preenchido o quadro do regulamento, a despeza elevar-se-ha a 500:000$000,
em consequencia do augmento dos vencimentos abonados aos engenheiros, augmento
reclamado pelas conveniencias do serviço e necessidade de offerecer incentivos
para attrahir e reter no serviço publico engenheiros de merecimento, os
quaes sem esse estimulo procuraráõ emprego em emprezas particulares,
como já tem acontecido.
Entretanto, não havendo necessidade de preencher desde já todo
o quadro, estou deliberado a circumscrevel-o quanto possa, afim de não
onerar os cofres publicos. Assim, acredito que a despeza não excederá
muito a que actualmente se faz.
Em todo o caso, a differença será compensada com a regularisação
do serviço presentemente prestado por engenheiros, espalhados por todo
o Imperio, em commissões eventuaes, com obrigações mal definidas
e peior fiscalisadas.
(...)
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Systema metrico
Pouco posso adiantar ao que se acha exposto no ultimo relatorio que vos foi
presente, ácerca da execução da lei
n. 1.157, de 26 de junho de 1862, que mandou substituir o actual systema de
pesos e medidas pelo systema metrico francez.
Este serviço continúa entregue á commissão
de que é presidente o dr. Guilherme Schüch de Capanema,
a qual propôz: 1º, que se désse preferencia á
fórma dos padrões do systema metrico francez, empregado
na Confederação Germanica; 2º, que nos padrões
de medidas para seccos se substituisse a fórma cylindrica
pela cubica, com a mesma capacidade; 3º, que para carimbo se
adoptasse a corôa imperial; 4º, finalmente, que se encommendassem
desde logo os padrões necessarios para todas as municipalidades
do Imperio.
Para realização desta ultima medida, já por
vezes este ministerio recommendou ás presidencias das provincias
que obtivessem das respectivas assembléas a decretação
dos necessarios fundos destinados á acquisição
dos padrões de que precisassem.
Por emquanto attenderam a estas recommendações as
seguintes provincias:
(...) *[verbas votadas:
AM, RN, SE, ES, MG, MT, RJ, PR, PB, BA]
Sendo, porém, urgente providenciar quanto antes sobre a
acquisição de padrões metricos em numero sufficiente
para todas as provincias, afim de que dentro do prazo de 10 annos,
marcado na lei, estejam todas as municipalidades habilitadas para
a completa substituição do systema actual, o governo
imperial julgou conveniente abrir pelo decreto n. 4.712, do 1º
de abril deste anno, um credito extraordinario de 410:000$000 para
tal acquisição.
Não é uma despeza, é apenas um adiantamento
que espero brevemente estará satisfeito pelas provincias.
A assembléa da provincia das Alagôas votou os fundos
necessarios para este serviço e a presidencia tratou de realizar
logo a compra dos padrões.
Por aviso de 30 de março ultimo declarei á mesma
presidencia que, sendo este assumpto da exclusiva competencia da
assembléa geral, não podem as assembléas provinciais
ampliar ou reduzir o prazo marcado na lei, nem as presidencias fazer
adoptar padrões que não forem aferidos pelos legaes.
Trato de examinar o projecto de regulamento organizado pela respectiva
commissão.
(...)
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Obras publicas
Vias de communicação
Não é mister demonstrar que uma das mais urgentes
necessidades do paiz consiste no desenvolvimento progressivo do
systema bem combinado de meios rapidos e economicos de communicação
que fôr adoptado, aproveitando-se as vias fluviaes e construindo-se
estradas segundo os preceitos mais modernos da sciencia e as lições
da pratica adquirida nestes ultimos annos.
Dessa necessidade indeclinavel compenetra-se todo aquelle que,
estendendo os olhos sobre nosso vasto territorio e contemplando
os germens de riqueza e prosperidade encerrados em seu seio, vê
desaproveitados tantos elementos de futura grandeza, e sente que
o Brazil não caminha para o logar que lhe compete entre as
maiores nações com o vigor que lhe permittiriam suas
forças naturaes, se devidamente fôssem utilizadas.
O que temos feito até agora para desenvolver os meios de
locomoção aperfeiçoados, é muito pouco
em relação ao muito de que carecemos.
A respeito de estradas de ferro, eis o que actualmente possuimos:
Extensão das linhas em trafego
| D. Pedro II |
260,480 |
kilometros |
| Santos á Jundiahy, em
S. Paulo |
139,600 |
» |
| Bahia a S. Francisco |
123,500 |
» |
| Recife a S. Francisco |
124,900 |
» |
| Cantagallo |
49,100 |
» |
| Mauá |
17,500 |
» |
| Apipucos a Caxangá, em
Pernambuco |
8,775 |
» |
| Recife a Olinda |
8,000 |
» |
| Estrada de ferro no Pará |
|
|
| Dita nas Alagôas |
|
|
| Total |
731,855 |
» |
Extensão das linhas em construcção
| Pedro II (3ª e 4ª secções) |
160,000 |
kilometros |
| Ramal de Valença |
25,000 |
» |
| Cantagallo (Cachoeira á
Nova Frigurgo) |
35,000 |
» |
| Jundiahy á Campinas |
43,000 |
» |
| Jundiahy á Itú |
69,000 |
» |
| Total |
332,000 |
» |
Temos, pois, um desenvolvimento de 1,163 kilometros e 855 metros
[soma de verificação: 1.063,855
km] de linhas ferreas, sendo 731 kilometros e 855 metros
já em trafego, e 332 kilometros em construcção,
cuja maior parte será entregue ao trafego até o fim
do corrente anno.
Temos mais cerca de 1,500 kilometros de estradas de ferro concedidas
a emprezas particulares e em estudos por conta do governo.
Compare-se, porém, esse resultado com a vastidão
do nosso territorio, e comprehender-se-ha facilmente quanto no Brazil
são ainda escassos os meios aperfeiçoados de transporte.
A respeito de estradas empedradas estamos em peiores condições.
Exceptuando-se a de Petropolis ao Juiz de Fóra, que mede
245,4 kilometros com todos os seus ramaes, e algumas outras construidas
pelas provincias, mas a respeito das quaes não tem este ministerio
as precisas informações, nada temos feito que mereça
o nome de estradas de rodagem.
Caminhos geralmente mal traçados e ainda peior construidos,
que apenas se prestam ao transito de cavalleiros e animaes durante
a estação secca, e exigem constantes e avultadas despezas
de conservação, eis o que constitue a viação
terrestre de quasi todo o Imperio.
Quanto á navegação interior, só contamos
alguns canaes de pequena extensão que pouco serviço
prestam, e aproveitamos a navegabilidade de alguns de nossos importantes
rios; mas não temos tratado de melhorar o regimen de muitos
que seriam utilisaveis com um dispendio relativamente insignificante,
comparado com os resultados que podem dar.
É sem duvida pouco satisfactorio o quadro que da actual
situação do mais importante ramo de melhoramentos
materiaes acabo de esboçar, mas não hesitei em expôl-o
ás vossas vistas, porque espero que elle concorrerá
para que melhor attendamos a este ramo do serviço.
Não é pequeno o numero de pretendentes a privilegios
para construcção de vias ferreas e para navegação
de rios, e não poucas concessões desse genero tem
sido feitas, como vereis no correr deste relatorio.
Algumas, porém, já tem cadudado e outras não
apresentam probabilidade de ser levadas a effeito.
A razão é que os capitaes particulares mostram-se
receiosos de arriscar-se em emprezas que não offerecem actualmente
lucros certos, attendendo que a industria dos transportes não
póde prosperar facilmente em um paiz onde a população
está muito disseminada e a producção é
limitada.
Com adopção da bitola estreita
nas vias-ferreas, systema que se vai rapidamente generalisando na Europa, e pelo
qual se consegue a importantissima vantagem de reduzir as despezas de construcção
das linhas, sem diminuir-se-lhes a capacidade de transporte, tem-se manifestado
mais alguma animação da parte dos capitalistas a favor de emprezas
desta ordem.
Para mostrar as vantagens desse systema, basta considerar que a via-ferrea
de Santos a Jundiahy, que, segundo as contas da companhia, custou cêrca
de 1,300 contos por legoa [+/- 217 contos / km],
e cuja renda liquida representa agora mais ou menos 5% do capital social, corresponderia
certamente a mais de 12%, se nella se houvesse adoptado esse systema [A
escolha do exemplo não podia ser mias infeliz, tornando duvidosa a validade
da comparação de custos. Os cálculos disponíveis na
época fundavam-se em informações sobre linhas de simples
aderência, das bitolas "larga" e "estreita" (e mesmo
estas variando conforme o país); ao passo que nos custos da EFSJ-SPRy intervinha
— no mínimo — uma variável sem similar disponível para comparação:
o sistema de cabos e máquinas fixas, numa extensão de (8?) km (desnível:
X m), intercalado entre 2 trechos de simples aderência].
Não obstante, porém, aquella animação de que fallei,
por emquanto apenas tem vingado companhias organizadas
por individuos a quem directamente aproveita a construcção de certas
estradas, mas ainda assim com auxilio dos cofres provinciaes.
Neste ponto a provincia de S. Paulo se ha distinguido de todas as outras. Comprehendendo
a grande influencia das vias modernas de communicação sobre o desenvolvimento
de sua prosperidade, tem-se avantajado ultimamente no emprehendimento destes utilissimos
melhoramentos materiaes.
Ao Estado cumpre auxiliar e dirigir a iniciativa individual, sempre
que desperte.
Por lei geral convém marcar os auxilios e favores officiaes com que
possam contar as emprezas que se organizem no intuito de favorecer o paiz com
meios de communicação economicos.
É tambem mister definir claramente as attribuições dos poderes
geraes e provinciaes na concessão de taes emprezas, para se não
embaraçarem mutuamente, como aconteceria sem uma medida que ponha termo
á confusão que ha sobre este assumpto.
Passo a expôr-vos a situação das nossas principaes
emprezas de transporte.
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Estrada de ferro de D. Pedro II
No dia 20 de janeiro deste anno foram entregues ao trafego mais
17 kilometros na 3ª secção, do Chiador á
Sapucáia, e mais 13,620 na 4ª secção,
da Barra do Pirahy á Vargem Alegre, tendo sido as duas novas
estações inauguradas na augusta presença de
SS. MM. II.; e no dia 25 de março abriu-se a estação
dos Pinheiros, tambem na 4ª secção, a 8,300 kilometros
da Vargem Alegre.
A extensão da linha em trafego é actualmente de 260,480
kilometros.
Por todo o correr deste anno ficaráõ concluidos os
27,600 kilometros que faltam na 3ª secção até
o Porto Novo do Cunha, comprehendendo duas estações,
da Conceição e Porto Novo, a primeira das quaes está
quasi prompta e a segunda muito adiantada.
No mesmo tempo devem estar acabados mais 23½ kilometros
da 4ª secção, com duas estações
— Volta Redonda e Barra Mansa —.
Em ambas essas secções o custo real das obras tem
ficado muito abaixo dos orçamentos primitivos, comquanto
fôssem organizados com preços de jornaes e materiaes
mais baratos. Este resultado é principalmente devido a modificações
na revisão dos traços anteriores.
As despezas realizadas durante o anno findo com as obras novas
da 3ª secção importaram em 2.067:540$493, e com
as da 4ª em 454:537$693.
Os trabalhos mais pesados de toda a 3ª secção
acham-se comprehendidos na parte ultimamente aberta á circulação.
(...)
Os trabalhos da 4ª secção não apresentam
na parte concluida, nem na que está em construcção,
difficuldades importantes, e são por isso executados com
mais rapidez.
Pelo contracto de 10 de maio de 1855 ficou estipulado que o termo
desta secção seria no pequeno povoado da Cachoeira,
na provincia de S. Paulo, onde termina a navegação
livre do alto Parahyba. As camaras municipaes de Lorena e Guaratinguetá
reclamam, porém, o prolongamento da linha até aquellas
cidades, a primeira das quaes dista cêrca de 2 legoas, e a
segunda cêrca de 4½ do porto da Cachoeira.
O director da estrada de ferro é favoravel á esta
pretenção, e informa que devendo, á vista dos
resultados já obtidos, custar a 4ª secção
muito menos do que foi orçada, poder-se-hão levar
os trilhos ainda lém de Guaratinguetá sem sahir dos
limites do orçamento.
Attendendo que esta cidade é uma das mais importantes e
florescentes do interior, e que ficaria prejudicada com a terminação
da linha na Cachoeira; que as muitas voltas do rio augmentam consideravelmente
o trajecto por agua entre aquelles dous pontos; e que, prestando-se
o terreno facilmente á construcção da via ferrea,
o custo desta será remunerado pela respectiva renda, inclino-me
em favor do prolongamento reclamado.
Estão terminados os trabalhos de exploração
do 2º traço indicado em seu relatorio de 3 de fevereiro
de 1869 pela commissão incumbida de estudar o prolongamento
da linha em direcção ao rio S. Francisco.
Acabo de receber os planos e orçamentos respectivos, e vou
tratar de resolver esta questão, já bastante demorada.
Uma vez assentada a direcção da linha até
a lagôa Dourada na serra das Vertentes, cumpre não
perder tempo em começar a execução das obras.
É preciso não deixar paralysados quasi 3,600 operarios,
que actualmente trabalham na 3ª e 4ª secções,
nem inutilizar a grande quantidade de material adquirido para os
trabalhos alli em execução.
Já se fizeram estudos sobre 81 kilometros de extensão
no valle do Parahybuna, de Entre-Rios ao Juiz de Fóra.
Na parte em trafego tem-se effectuado alguns melhoramentos importantes.
No dia 31 de dezembro do anno passado inaugurou-se na augusta presença
de SS. MM. II. o edificio principal da estação da
côrte, depois de reconstruido.
Os outros edificios destinados ao serviço de mercadorias
são acanhados, e não ha muito espaço disponivel
para augmental-os dentro do terreno da estação.
Se actualmente, não estando toda a linha desenvolvida pelo
valle do Parahyba, ha demoras prejudiciaes ao serviço no
movimento das cargas dentro da estação central, por
falta de capacidade dos armazens, maiores serão os embaraços
á medida que prolongar-se a estrada pelo interior e crescer
a massa dos artigos de transporte.
Para sahir desta difficuldade suggere o director a idéa
de estabelecer-se uma estação maritima na Prainha,
partindo a linha de um ponto entre a estação central
e S. Diogo, e seguindo desde a rua de Sant'Anna até o seu
termo na altura dos primeiros andares das casas.
Espera este funccionario que as novas officinas comecem a funccionar
até o fim do proximo mez de junho.
A 2ª via ferrea, que tem de ser prolongada até Cascadura
para facilitar o movimento de trens dos suburbios, está concluida
até S. Francisco Xavier e em construcção d'ahi
ao Engenho Novo.
Trata-se de melhorar o serviço do telegrapho, mediante novos
apparelhos e collocando-se um terceiro fio, que já vai até
Entre-Rios na 3ª secção e a Pinheiros na quarta.
Depois de feitos estes melhoramentos serão reduzidos os
preços dos telegrammas particulares, que são presentemente
muito elevados. O publico poderá então aproveitar-se
com vantagem deste telegrapho.
As despezas feitas na parte da linha em trafego com obras extraordinarias
importaram em [53:615$352] e com obras
novas em 491:966$132.
Na sua proposta de orçamento para o exercicio de 1872—1873
reclama o director não pequena quantia para accrescimo do
material rodante, que a extensão da linha tornará
necessario.
É despeza de que se não póde prescindir.
A refórma das tarifas foi posta em execução
no dia 1º de julho do anno passado, e da sua applicação
resultou um augmento de 206:000$000 na renda da estrada.
Estatistica do trafego. — Do relatorio
que apresentou-me o director constam os seguintes dados:
| Renda da estrada em 1870 |
4.449:010$565 |
| Despeza de custeio |
1.875:110$430 |
| Saldo liquido |
2.573:900$135 |
A relação da despeza para a receita foi de 42,14%
contra 42,66% em 1869.
| Nesse anno a receita foi de |
4.325:816$900 |
| a despeza de |
1.845:661$929 |
| e o saldo liquido de |
2.480:154$971 |
Houve, portanto, no anno findo augmento na receita de 123:193$665,
na despeza de 29:448$501, e no saldo liquido de 93:745$164.
(...)
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Ramal de Valença
Lançado atravéz da serra que divide as aguas do Parahyba
das do rio Preto, este ramal apresenta alguns declives asperos e
curvas de pequeno raio, imprescindiveis pela natureza do terreno
para se obter uma construcção economica e adaptada
ás necessidades da zona que percorre.
O seu diminuto custo, que não excederá a 200 contos
por legoa [+/- 33,3 contos / km],
incluindo as despezas com material fixo e rodante, não obstante
percorrer a linha terreno extremamente accidentado e nas peiores
condições para o traçado de uma estrada, attestará
quanto beneficio podem taes emprezas colher quando na direcção
de suas obras sabem collocar homens praticos, zelosos e intelligentes
como o engenheiro em chefe e gerente daquelle ramal, o dr. Herculano
Velloso Ferreira Penna.
Os trabalhos estão quasi concluidos, e muito breve deve
ser inaugurada mais esta via ferrea, que será o primeiro
specimen das linhas de bitola estreita no Brazil.
A sua extensão é de 25 kilometros.
Ramal da Barra Mansa ao Bananal [concessão]
Ramal da quarta secção a Itajubá
[concessão]
Estrada de ferro do Andarahy ao alto da Boa-Vista na Tijuca
[concessão]
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Estrada de ferro de Cantagallo
A provincia do Rio de Janeiro pagou aos emprezarios Cox & Williams
o restante do preço do ramal do Porto das Caixas á
Villa Nova, e entregou á companhia da estrada de ferro de
Cantagallo o trafego desse ramal, sob a condição de
pagar-lhe a 5ª parte das despezas de toda a linha, desde a
Cachoeira até Villa Nova; 2:000$000 annualmente pelo uso
do trem rodante; e a somma annual de 3:559$992 pela estação
do Porto das Caixas.
A companhia tem dado transporte gratuito aos trabalhadores e ao
material para as obras do prolongamento da via ferrea até
Nova Friburgo.
Ultimamente ha feito nas suas officinas obras encommendadas pelos
fazendeiros da vizinhança, colhendo desta medida bons resultados,
segundo informa o gerente.
A receita da estrada desde o 1º de julho de 1869 até
30 de junho de 1870 foi de 220:364$150 (...).
O saldo liquido foi de 72:957$445. (...)
O peso das mercadorias transportadas foi de 796,658 arrobas e 12
libras (...).
Espera o gerente da companhia que, concluido o prolongamento até
Nova Friburgo, receba a linha mais 600,000 arrobas de diversos generos,
o que melhorará as condições da empreza.
Estrada de ferro de Cachoeira á Nova Friburgo
Esta estrada, destinada a prolongar a via ferrea de Cantagallo
desde a sua actual estação terminal em Cachoeira até
á villa de Nova Friburgo, tem de vencer a serra do mar por
uma garganta de consideravel altura e de flancos escarpados.
Por isto adoptou-se o systema Fell já empregado provisoriamente
na estrada do — Mont-Cenis —, no qual a linha é formada
de tres trilhos, e adaptado á locomotivas de rodas motrizes
verticaes e horizontaes.
O maximo declive da estrada é de 8:100 e o minimo raio de
curvatura de 40 metros; na linha ordinaria os declives não
excedem de 2½:100, e o menor raio das curvas é de
150 metros.
A bitola será de 1m,10 em toda a extensão da linha.
(...)
A construcção desta linha, com o desenvolvimento
de cêrca de 39 kilometros, corre por conta da provincia do
Rio de Janeiro, tendo sido contractada por 2.800:000$000, inclusive
o material rodante.
Consta que as obras progridem com actividade, sob a intelligente
direcção do honrado emprezario dr. Bernardo Clemente
Pinto.
Estrada de ferro de Mauá
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Estrada de ferro de Santos a Jundiahy
As continuadas chuvas do principio do anno passado causaram sérios
estragos em algumas obras de terra nos planos inclinados, não
obstante achr-se a estrada em bom estado de conservação.
Resultou disso ficar o trafego interrompido por duas vezes entre
Santos e S. Paulo, a primeira desde 16 de janeiro até 8 de
fevereiro, e a segunda de 9 a 12 de março.
Durante esse tempo, porém, os trens de passageiros continuaram
a fazer o serviço entre aquellas duas cidades nos dias de
chegada e partida dos vapores, que navegam regularmente entre o
porto de Santos e o desta cidade, passando os viajantes a pé
o 3º plano inclinado.
Os trabalhos de reconstrucção acham-se concluidos
de um modo satisfactorio, tendo-se substituido as porções
de aterro por muralhas de pedra secca, sobre as quaes repousa a
via ferrea.
Foram substituidos durante o anno findo 624 metros de trilhos,
3,282 dormentes de madeira, 1,515 ditos de ferro fundido, e 264
roldanas nos planos inclinados.
Collocou-se um novo cabo de tracção em um dos mesmos
planos inclinados.
Nas obras d'arte e edificios das estações fizeram-se
por conta do custeio reparos e melhoramentos pouco importantes.
Além destas obras a companhia augmentou as accommodações
da estação do Rio Grande, accrescentou a officina
de reparação do material rodante, e assentou nesta
algumas machinas novas.
As respectivas despezas foram pelos commissarios do governo eliminadas
das contas de custeio.
Na linha telegraphica collocaram-se 121 postes novos e 137 metros
de fio.
As obras addicionaes já exigidas, e que a companhia ainda
não executou, mas que o desenvolvimento do trafego vai tornando
cada vez mais necessarias, são um armazem de mercadorias
em Belém, uma estação no alto da serra, o augmento
da estação central em S. Paulo, e um novo deposito
para as locomotivas.
Não houve alteração no material rodante, que
era no fim do anno passado de 18 locomotivas, 38 carros e 261 wagões.
O inspector especial das estradas de ferro em Londres remetteu
o resultado dos exames a que procedeu para a fixação
do capital desta empreza com direito á garantia de juros,
capital que tinha sido provisoriamente computado, a pedido da companhia,
em £ 2.650,000.
O governo julgou conveniente ouvir sobre este assumpto a uma commissão
especial, composta de dous engenheiros e um empregado do thesouro,
cujo parecer aguardo.
Esta estrada de ferro, que é de todas as subvencionadas
pelo Estado a que se acha em condições mais prósperas
e a que tem diante de si o futuro mais brilhante, devido principalmente
á sua posição e á riqueza e fertilidade
da provincia de S. Paulo, não é, infelizmente, a melhor
administrada.
O superintendente tem pelos seus actos provocado repetidas e bem
fundadas representações da parte do engenheiro fiscal.
É preciso que os accionistas em Londres se convençam
de que, sendo o governo o mais interessado na prosperidade da via
ferrea, sua fiscalisação deve aproveitar aos capitaes
compromettidos na empreza e que a mais urgente providencia é
dotal-a de uma administração zelosa e intelligente,
a qual possa e queira dedicar-se sinceramente a promover os verdadeiros
e legitimos interesses da estrada.
(...)
| Receita no anno findo |
1.992:577$650 |
| Ddespeza |
785:599$675 |
| Saldo liquido |
1.206:977$975 |
| Receita em 1869 |
2.287:051$860 |
| Despeza |
846:736$244 |
| Saldo liquido |
1.440:315$616 |
(...)
A despeza de tracção na linha ordinaria, com 131
kilometros de extensão, foi de 94:207$640 e nos planos inclinados,
que medem 8 kilometros, de 87:318$590.
A receita kilometrica da linha foi de 14:335$019 e a despeza de
5:651$799 [não é só
tração].
Devendo de ora em diante diminuir as despezas de custeio, por estarem
muito melhoradas as condições da estrada, e havendo
toda probabilidade de grande crescimento na renda, sobretudo depois
que fôrem entregues ao trafego a via ferrea de Jundiahy a
Campinas e o ramal de Jundiahy a Itú, cujas construcções
vão muito adiantadas, é de crer que nos annos seguintes
a garantia do governo torne-se nominal.
O seguinte quadro dos generos que passaram pela barreira do Cubatão
nos annos de 1869 e 1870 mostra que a concurrencia das tropas vai
diminuindo annualmente:
| |
1869 |
1870 |
| |
T |
T |
| Café |
2.060,275 |
700,289 |
| Algodão |
557,090 |
296,921 |
| Fumo |
161,319 |
104,750 |
| Diversos |
286,286 |
227,952 |
| Total |
3.064,970 |
1.329,912 |
Na tomada das contas os commissarios do governo incluiram na receita
a quantia de 532$520 e excluiram da despeza a de 25:647$937.
Accidentes. — (...)
No dia 17 de janeiro o trem de passageiros que partiu de S. Paulo
ás 2 e meia horas da tarde para Jundiahy, encontrou-se nas
immediações do logar denominado Barra Funda, cerca
de meia legua distante da estação da Luz, com o trem
de mercadorias sahido de Jundiahy ás 10 e meia horas da manhã,
que devia chegar á referida estação á
1 hora da tarde, mas que por desarranjo se demorava em caminho.
Um carro de freio e outro de 3ª classe, que vinham atrás
da machina do trem de passageiros, assim como o primeiro wagon do
trem de mercadorias ficaram espedaçados, resultando a morte
instantanea do ajudante do guarda do trem de passageiros. Destes
poucos foram os que não ficaram feridos ou contusos; alguns
gravemente.
Logo depois do desastre compareceram na estação diversos
medicos da capital para tratar dos feridos.
A policia tratou de proceder á investigação
dos factos, para reconhecer as causas que deram lugar a tão
lamentavel desastre.
Tendo a autoridade competente encontrado indicios de culpabilidade
da parte do superintendente, inspector do trafego e outro empregado
da estrada, instaurou processo contra os mesmos, os quaes depois
de pronunciados foram recolhidos á prisão.
Vendo-se preso, mandou o superintendente suspender o trafego da
via ferrea, causando com isso graves prejuizos ao commercio e á
lavoura.
O impedimento do superintendente e do inspector não era
motivo sufficiente para determinar a cessação do movimento
dos trens. Havia alli outros funccionarios, como o hefe da tracção,
que em algumas occasiões tem substituido o superintendente
e o engenheiro residente, habilitados para tomar a direcção
do serviço.
O desfalque que com a interrupção do trafego soffreu
a renda da estrada, e portanto o thesouro, será indemnizado
levando-se nas contas de receita e despeza do presente semestre
a importancia correspondente, calculada por uma média dos
productos dos dias anteriores.
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Estrada de ferro de Jundiahy a Campinas
Estão muito adiantados os trabalhos desta estrada, que póde
ser considerada como a primeira secção do prolongamento
da via ferrea de Santos a Jundiahy em direcção ao
Rio Claro, da qual é emprezaria a companhia Paulista, organisada
entre fazendeiros e capitalistas da provincia de S. Paulo.
As obras d'arte estão quasi concluidas, com excepção
de alguns boeiros pouco importantes.
Ha esperanças de que o leito da estrada fique prompto até
dezembro deste anno; a companhia envida esforços para conseguil-o.
A extensão da linha é, mais ou menos, de 43 kilometros
ou 6½ legoas. A bitóla da via será a da estrada
de Santos a Jundiahy.
Consta-me que o seu custo, inclusive o material rodante e todas
as despezas accessorias, deve orçar por 3.600:000$000.
Emprehendendo a construcção desta estrada, da qual
não quiz encarregar-se a companhia da via ferrea de Santos
a Jundiahy e realizando-a por um terço menos do orçamento
apresentado pelos engenheiros inglezes, os capitalistas de S. Paulo
deram ensejo a que mais uma vez se reconhecesse quanto se póde
conseguir entre nós com os nossos proprios recursos, quando
se dispõe de força de vontade e perseverança.
A renda da estrada deve remunerar os capitaes que se despenderem,
porque a linha tem de percorrer uma região muito fertil e
productora.
Ramal de Jundiahy a Itú
No anno passado foram inaugurados os trabalhos de construcção
deste ramal que destaca-se, na direcção de oéste,
da via ferra de Santos a Jundiahy em sua estação terminal
e desce pelo valle do Jundiahy até o rio Tieté, seguindo
depois de o atravessar pelo corrego do Guarabú até
a cidade de Itú.
A extensão da linha é de 69 kilometros, ou cerca
de 10½ legoas.
A largura da via será de 1 metro de eixo a eixo dos trilhos;
o minimo raio de curvatura de 120 metros e o maximo declive de 1,9%
na extensão de 800 metros.
A largura normal do leito da estrada é nos atterros de 3m,20,
nos córtes de 3m entre as valletas lateraes ou de 4m,50 incluidas
estas.
Os trilhos que tem de ser empregados são do systema Vignole,
com o peso de 18,4 kilogrammas por metro corrente.
As locomotivas serão machinas-tenders de 4 rodas
e com o peso de 12 toneladas, inclusive agua e combustivel.
O custo da linha, comprehendendo o material rodante e accessorios,
está orçado em 2.197:000$000; ficará por menos
de 210:000$000 o preço de cada legoa [31,8
contos / km (légua de 6,6 km)].
Espera-se que as obras sejam concluidas antes de fom de 1872.
Este ramal, que tambem está a cargo de uma companhia organizada
entre os fazendeiros da localidade, vai servir a uma zona importante,
e teria um futuro brilhante, se os lavradores de Sorocaba não
tivessem abandonado a idéa de prolongal-o até a cidade
daquelle nome pelo projecto de construir uma linha directa de S.
Paulo a Ipanema, passando por S. Roque e Sorocaba.
Não havendo ainda entre nós bastantes elementos naturaes
para a prosperidade da industria de transportes, que para isso tanto
carece de favores e auxilios dos governos provincial e geral, convem
concedel-os discretamente para não fomentarem emprezas que
se prejudiquem mutuamente.
Estrada de Ferro de S. Paulo a Ipanema
Já começaram os estudos desta estrada, concedida
ultimamente pela assembléa provincial de S. Paulo em substituição
do ramal de Itú a Sorocaba.
Este poderia ter 6 legoas de extensão e ser feito com 1.000:000$000,
ao passo que a estrada não terá menos de 20 legoas,
e não custará menos de 4.000:000%000.
Tanto á estrada, como ao ramal de Jundiahy a Itú,
a provincia concedeu garantia de 7% sobre os capitaes que se despenderem
dentro do maximo estabelecido.
Estrada de ferro de S. Paulo ao termo da 4ª secção
da de D. Pedro II
A assembléa provincial de S. Paulo autorisou tambem a incorporação
de uma companhia, para construir uma estrada de ferro entre a capital
da provincia e a 4ª secção da estrada de ferro
de D. Pedro II.
A lei concedeu garantia de juros de 7% por 90 annos sobre o capital
de £ 1.200,000 ao cambio par, creiou o imposto de 80
rs. por arroba sobre os generos de exportação transportados
pela linha, o qual será cobrado em quanto o rendimento liquido
não cobrir a garantia.
Esta estrada annulla a empreza concessionaria do ramal da estação
do Rio Grande a Jacarehy, que tendia ao mesmo fim, utilisando a
navegabilidade do rio Parahyba desde a cidade de Jacarehy até
o ponto terminal na 4ª secção da via ferrea de
D. Pedro II.
É mais uma linha de elevado custo que vem substituir outra
muito mais modesta que attenderia sufficientemente aos interesses
do norte de S. Paulo, sem immobilisar avultados capitaes.
Os emprezarios da nova empreza calculam que circularáõ
pela estrada 85.000 passageiros e 1.500,000 arrobas de generos de
exportação, produzindo com as mercadorias de importação
a renda bruta de 2.000:000$000; e contam com a receita liquida de
1.200:000$000, equivalente a 10% do capital necessario para a construcção
das obras.
A linha terá cêrca de 40 legoas de extensão.
p. 125-130 / gif 130-135
Estrada de ferro do Recife ao S. Francisco
Para execução da lei n. 1.767 de 9 de julho do anno
passado, que concedeu a garantia de 5% sobre o capital addicional
de £ 485,660 a esta estrada, foi celebrado em Londres
a 20 de agosto entre a legação imperial e a directoria
da companhia o accôrdo que achareis annexo sob a letra R.
—
Tratou-se de resolver nesse accôrdo todas as questões
pendentes desde a inauguração da estrada, e estabelecer
as bases sobre as quaes devem se regular as relações
entre a companhia e o governo imperial.
O superintendente representou, com o fim de augmentar a renda da
estrada, sobre a conveniencia de serem elevadas algumas tarifas
que considera baixas.
Parece que podem ser augmentados os fretes de varios generos que
são inferiores aos que se pagam nas outras estradas de ferro.
O accrescimo de renda proveniente dessa medida reverterá
em beneficio do thesouro e da propria provincia, que com o melhoramento
das condições financeiras daquella estrada verá
despertar o estimulo para a organização de novas emprezas
de viação, de que tanto carece od esenvolvimento de
sua prosperidade.
Medida semelhante foi tomada o anno passado na via ferrea de D.
Pedro II, e já começou a produzir bons effeitos. (...)
A companhia insistiu em conservar de partido um advogado, vencendo
dous contos de réis por anno. Á vista da informação
do engenheiro fiscal que declarou ser desnecessaria a permanencia
desse empregado, fiz saber á administração
da companhia que a partir do 1º de julho do corrente anno o
governo não aceitaria mais semelhante despeza nas contas
de custeio.
(...)
A maior parte das estações são insufficientes
para o serviço quer de passageiros, quer de mercadorias.
Torna-se, portanto, necessario augmentar em algumas os edificios
actuaes, e n'outras construir novos.
Ficou concluida a construcção do novo armazem de
mercadorias na estação central das Cinco Pontas, onde,
não obstante, continuam a ser acanhadas as accomodações.
Será necessario amplial-as, se o trafego augmentar, como
se espera.
Se a companhia não se resolver a prolongar a estrada até
o littoral, como ficou estipulado no accôrdo de 20 de agosto
do anno passado, terá de construir o edificio definitivo
da estação nas Cinco Pontas, para cuja despeza tem
em seu poder a quantia de £ 20.000.
(...)
As locomotivas estão em boas condições; a
mór parte dos carros e wagons carecem de reformas completas.
No accôrdo ultimo de Londres ficou estipulada a creação
de um fundo de reserva destinado ás despezas extraordinarias,
como sejam augmento e renovação do material rodante,
de estações e obras novas indispensaveis; e bem assim
que, emquanto não houver fundo de reserva, serão essas
despezas levadas á conta de custeio, se fôrem feitas
com prévia approvação do governo imperial.
Devendo o fundo de reserva formar-se sómente de um terço
do excesso da renda de 7½ a 12% sobre o capital garantido
de £ 1.685.660, terá o custeio da estrada e, portanto,
o thesouro de carregar ainda por muitos annos com a pesada despeza
do accrescimo e substituição do trem rodante.
A companhia já encommendou material rodante na importancia
de cerca de 160:000$000, o qual deve ser entregue dentro de pouco
tempo, segundo informou o engenheiro fiscal. Terá, portanto,
a receita desta estrada no anno corrente de soffrer aquelle consideravel
desfalque; é de esperar, porém, que seja compensado
com o augmento do trafego, e com uma pequena alteração
das tarifas.
Estatistica do trafego
| Receita do anno findo |
867:044$540 |
| Despeza |
506:180$012 |
| Saldo
liquido |
360:864$528 |
| Receita em 1869 |
848:798$900 |
| Despeza em 1869 |
526:122$785 |
| E
o saldo liquido de |
322:676$115 |
A receita de 1870 elevou-se mais 18:245$640 sobre a de 1869, e
a despeza diminuiu 20:942$773.
Na despeza de 1870 está incluida a somma de 65:167$731,
e na de 1869 a de 124:038$460, provenientes de differenças
de cambio na remessa da renda liquida para Londres.
Esta verba de despeza deve ficar muito reduzida este anno, em que
o cambio vai-se approximando do par.
A relação da despeza para a receita foi de 58,38%
contra 61,98% em 1869.
(...)
Estrada de ferro de Apipucos a Caxangá em Pernambuco
Desta linha, destinada a ligar a cidade do Recife aos seus mais
apraziveis arrebaldes, estão abertos ao trafego 8,775 kilometros
e continuam as obras para o Caxangá.
O material rodante da empreza consta de 8 locomotivas, 28 carros
de 1ª classe, 12 de 2ª dita, 1 de bagagem e 14 de cargas.
Estrada de ferro de Olinda
Esta empreza nacional veiu erguer Olinda do estado de decadencia
em que jazia.
A linha principal com 8 kilometros de extensão foi provisoriamente
aberta ao trafego em 24 de julho do anno passado e já produziu
até 31 de dezembro 56:389$640 de renda.
Está approvada a planta para o ramal do Beberibe.
O material rodante compõe-se de 3 locomotivas, 12 carros
de 1ª classe, 4 de 2ª, 6 de 3ª e 14 de cargas e lastro.
Estrada de ferro do Recife á cidade da Victoria
O privilegio para esta estrada, concedido pela provincia, comprehendendo
em sua maxima parte zona privilegiada da via ferrea do Recife ao
S. Francisco, deu moivo a um protesto e representação
por parte da companhia ingleza.
Sobre este assumpto aguarda o governo as informações
que exigiu da presidencia da provincia.
p. 130-134 / gif 135-139
Estrada de ferro da Bahia ao S. Francisco
As reducções ordenadas pelo governo no pessoalsuperior
da companhia, e nas despezas que improficuamente se faziam com cercas
e guardas-cancellas, e por outro lado a intelligente administração
do actual superintendente, que exerce tambem as funcções
de inspector do trafego, muito tem contribuido para melhorar as
condições daquella empreza, que no anno findo já
apresentou na Bahia um saldo de 6:908$951 da receita sobre a despeza.
A companhia ainda conserva um medico de partido na provincia. Considerando
dispensavel esse empregado, e tendo o governo já anteriormente
expedido instrucções nesse sentido, declarei que a
partir do 1º de julho do corrente anno não serão
aceitas nas contas de custeio os vencimentos que lhe forem pagos.
Está se construindo em Periperi uma casa nova para residencia
do engenheiro principal; e porque a companhia incluisse a respectiva
importancia nas contas de receita e despeza, expedi ordem para que
fôsse eliminada.
Por avisos de 31 de janeiro e 28 de março do anno passado,
mandou-se excluir das contas da estrada as verbas concernentes aos
transportes maritimos.
A commissão de engenheiros, incumbida pela presidencia da
Bahia de cuidar dos caminhos convergentes a esta via ferrea, deixou
de funccionar por diversos motivos, sendo o principal a fraqueza
dos recursos do thesouro provincial, que aquella presidencia entendeu
poderiam ter applicação mais vantajosa.
A conservação da via permanente tem exigido constante
renovação dos dormentes de madeira. O numero dos substituidos
o anno passado foi de 21.884, com o que despendeu-se 51:426$515.
Esta avultada verba de despeza tem sido constante desde 1864 e
promette continuar.
(...)
Sendo 137.280 o numero total de dormentes empregados na linha,
vê-se que em 7 annos foram renovados 1.651 além deste
numero.
Attribue o engenheiro fiscal a pouca duração dos
dormentes ao facto de terem a principio sido construidos com madeiras
de inferior qualidade, cortadas em más circumstancias, preferindo-se
as do sul da provincia, quando as dos terrenos arenosos que avizinham-se
a estrada lhes são superiores, como está hoje bem
reconhecido.
A directoria resolveu empregar dormentes de ferro fundido, e espera-se
brevemente a remessa de alguns para experiencia.
(...)
Estrada de ferro Paraguassú
A presidencia da provincia da Bahia pretendia chegar a um accôrdo
com o liquidador da empreza para acquisição da massa
fallida, afim de poder depois continuar as duas obras que se acham
paralysadas: o ramal ferreo da Feira de Sant'Anna e a ponte de S.
Felix.
Mas até a data do relatorio que apresentou á assembléa
provincial no dia 1º de março ultimo nada se havia resolvido.
p. 135-136 / gif 140-141
Estrada de ferro do Madeira e Mamoré
[concessão]
Estrada de ferro do Ceará a Baturité
[concessão]
p. 135 / gif 140
Estrada de ferro de Antonina a Curityba
Foi aceita a proposta dos engenheiros Antonio Pereira Rebouças filho,
Francisco Antonio Monteiro Tourinho e Mauricio Schwarz para organização
de uma companhia destinada a construir uma estrada de ferro economica do porto
de Antonina á cidade de Curityba, capital da provincia do Paraná,
e expedido o decreto nº 4.674 de 10 de janeiro do corrente anno, no qual
é concedido o privilegio por 50 annos.
O rapido desenvolvimento que vai tendo aquella provincia assegura um futuro
próspero á estrada, que deve ser a primeira
secção da linha para a fronteira da republica do Paraguay.
De Antonina a Curityba a extensão é calculada proximamente em
12 legoas.
Estrada de ferro de Santa Catharina a Porto-Alegre
[concessão]
Estrada de ferro de Porto Alegre a S. Leopoldo e Hamburgo-Berg
[concessão]
Estrada de ferro do Jaguarão ao Candiota
[concessão]
p. 137-140 / gif 142-145
Trilhos urbanos
Companhia de carris de ferro para o Jardim Botanico
No dia 1º de janeiro do corrente anno foi entregue ao trafego
a parte da linha comprehendida entre a praia do Botafogo e o Jardim
Botanico, com 5,230 metros de extensão.
Esta parte completa as linhas concedidas.
Actualmente o desenvolvimento total da linha incluindo o ramal
das Larangeiras é de 13k,123, a saber: (...)
Companhia de carris de ferro de S. Christovão, Tijuca e
outros arrabaldes
No dia 1º de abril do corrente anno inaugurou esta empreza
o ramal da Cancella de S. Christovão, completando a rêde
das linhas que se obrigou a construir do largo de S. Francisco de
Paula para diversos arrabaldes da côrte.
O desenvolvimento total de carris de ferro por ella assentados
é de 42,799 kilometros, a saber: (...) [uma
linha inaugurada em fins de 1869 e as demais em 1870]
Companhia Locomotôra
Pelo decreto n. 4.698 de 20 de fevereiro deste anno foi approvada
a planta da linha de carris de ferro concedida pelo decreto n. 3.568
de 20 de dezembro de 1865 á companhia — Locomotôra
—, para transporte de cargas entre a estação central
da estrada de ferro D. Pedro II e varias ruas desta cidade, e estabeleceram-se
as clausulas para o serviço da empreza.
Os carros terão sómente 4m,30 de comprimento sobre
1m,50 de largura; o systema de trilhos será o de fenda, usado
nas ruas de Londres; a bitóla da via de 0m,82 e a linha só
poderá ser dupla nas ruas de 13 metros ou mais de largura.
A companhia obrigou-se a alargar á sua custa a rua da Saúde
em frente do trapiche do Cleto, e a conservar tambem á expensas
suas os calçamentos das ruas onde estabelecer os trilhos.
No fim de 35 annos reverterá para o dominio da municipalidade
todo o material fixo e rodante da empreza, a qual não terá
direito a indemnização alguma.
Trilhos urbanos nas provincias
Na Bahia, Recife, Pará, e ultimamente em Nictheroy, S. Paulo
e Santos tem-se organizado emprezas de carris de ferro destinadas
ao transporte de passageiros e mercadorias nos arrabaldes daquellas
cidades; e já algumas funccionam com regularidade.
Na Bahia a companhia denominada — Vehiculos Economicos — presta
communicação entre a praça do Riachuelo e Itapagipe,
tendo o movimento de passageiros subido em 1870 a 493.728 e em janeiro
deste anno a 89.082, não incluindo os transportes em carros
especiaes. O ultimo dividendo da empreza foi de 13%.
Na mesma cidade a empreza dos Trilhos centraes inaugurou seus trabalhos
a 30 de novembro do anno passado, e consta já estar construida
uma parte da linha, a qual tem por fim pôr em communicação
a Barroquinha com o Engenho da Conceição, estendendo
ramaes para differentes pontos da cidade.
Tambem funcciona na mesma cidade a empreza dos Transportes urbanos
do Theatro até a Graça; o serviço é
feito com toda a regularidade, tendo produzido em 1870 a receita
de 57:938$870 mediante a despeza de 32:754$150. O respectivo gerente
tenciona continuar a linha da — Graça até a povoação
da Barra —.
Á cargo da mesma empreza estavam em andamento os trabalhos
de perfuração da montanha, para o estabelecimento
de um serviço de transporte horizontal e vertical de cargas
e passageiros entre a rua da Alfandega e a praça do Palacio.
Consta estarem perfurados o tunnel com cerca de 22 metros de comprimento,
e o poço com mais ou menos 40 metros de altura. Era esperado
o respectivo machinismo para a conclusão da obra.
Em Pernambuco a presidencia approvou os planos para o estabelecimento
das linhas de carris de ferro da cidade e suburbios. O serviço
está á cargo de uma companhia organizada nos Estados
Unidos.
Estradas de rodagem
União e Industria
(...)
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Carta geral do Imperio
Concluiram-se no anno passado mais 7 das 42 folhas da carta geral do Imperio
e restam agora sómente 11 para a terminação de todo o trabalho.
As 31 promptificadas carecem ainda de rectificações, não
só em razão da deficiencia dos esclarecimentos alcançados
pela commissão, como tambem pelas constantes mudanças dos povoados,
facto commum em paizes novos, onde muitas circumstancias concorrem a principio
para a instabilidade dos nucleos de população.
Afim de obterem-se informações ácerca de alguns pontos
menos conhecidos do Imperio ou de cujas posições astronomicas falleciam
documentos officiaes e authenticos foi mister organizar commissões incumbidas
de estudal-os.
O 1º tenente Francisco Manoel Alvares de Araujo, encarregado de conduzir
o vapor Saldanha Marinho pelo rio das Velhas até o de S. Francisco e proceder
neste a explorações sobre sua navegação e a de alguns
de seus affluentes, foi tambem incumbido de estudos no sudoéste da Bahia
e ao norte de Minas-Geraes, concernentes á carta geral.
Na provincia de S. Paulo igual serviço cumulativamente com outros commetteu-se
ao engenheiro João martins da Silva Coutinho.
Commissão especial composta do engenheiro João Nunes de Campos
e um ajudante foi enviada ás provincias do Rio Grande do Norte, Parahyba,
Pernambuco, Sergipe e ao norte da Bahia, afim de colligir documentos, tomar posições
astronomicas e formar um itinerario para ligar todos estes pontos.
É para desejar que reunidos todos os esclarecimentos obtenha-se uma
carta do Imperio mais exacta do que as existentes e que sirva de ponto de partida
para ulteriores correcções.
Organizaram-se cartas especiaes das provincias em escala conveniente, sem preterição
do serviço do levantamento da carta geral.
Acham-se promptas as das provincias de Santa Catharina e Paraná e muito
adiantada a de S. Paulo, que ficará concluida apenas cheguem as informações
exigidas.
Estes trabalhos parciaes, além de facilitarem o estudo da geographia
das provincias e conjunctamente o de sua administração, auxiliaráõ
o importante serviço do registro geral das terras do Imperio.
Opportunamente ser-vos-hão solicitados os meios necessarios para a publicação
das cartas das provincias, que não póde ser effectuada com os recursos
ordinarios do orçamento do ministerio a meu cargo.
Por aviso de 23 de maio do anno findo passou para a commissão da carta
geral o serviço da triangulação do municipio neutro, até
então a cargo da Inspectoria geral das obras publicas.
Convindo effectuar a collocação dos signaes definitivos nos pontos
da primeira triangulação, em cinco dos quaes apenas haviam vestigios,
e nos outros de construcção provisoria que era de receiar brevemente
desapparecessem, tratou-se de levantar a respectiva planta e de orçar a
despeza com aquelles trabalhos.
A difficuldade de encontrar empreiteiros que, em razão da especialidade
de tal serviço e dos embaraços oppostos pela distancia das localidades
onde tem de ser feito, quizessem encarregar-se de sua execução por
preços accommodados aos recursos de que dispõe este ministerio não
permittiu ainda sequer começal-o.
Orçam por 2:522$187 as despezas realizadas com a triangulação
depois que passou para a commissão da carta geral.
Reconhecendo-se a impossibilidade de continuar a ser feito o serviço
da carta geral nas duas salas do edificio da Inspectoria geral das obras publicas,
e sendo além disso mister accomodar tanto a commissão do registro
geral das terras do Imperio, muito inconvenientemente collocada no archivo desta
secretaria, como a da conversão de pesos e medidas pelos do systema metrico
francez, alugou-se em julho ultimo o predio nº 11 da praça da Acclamação,
para o qual foram removidas essas commissões.
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