Agricultura, 1881
Continuar ou não continuar?

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Augustos e dignissimos senhores representantes da nação

Nomeado por decreto de 21 de janeiro deste anno Ministro e Secretario de Estado dos Negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas, não me é dado cumprir, de modo cabal que desejara, o dever de expor-vos, na fórma da Lei de 15 de dezembro de 1830, já o estado dos numerosos serviços que competem a esta repartição, já as necessidades de cada um e os meios adequados a provel-as. O curto prazo da minha administração e o pequeno intervallo decorrido apóz a data do Relatorio que vos foi presente na 1ª sessão, bastam a explicar as lacunas que sem duvida encontrareis no que ora vos offereço.

Em varias das suas partes o ultimo Relatorio limitou-se a dar conta do andamento dos serviços até fim do primeiro semestre do anno proximo passado. Taes informações serão agora completadas pelas do segundo semestre, abrangendo tambem a presente exposição o que mais notavel ha occorrido nos ultimos quatro mezes.

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[reorganização da Secretaria de Estado, Arquivo Nacional, pareceres do Conselho de Estado etc.]

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Ferro-vias

Não ha em nosso tempo quem desconheça como a questão dos transportes entende não só com a organização economica mas com todas as manifestações da actividade social; e nada mais superfluo do que pôr em relevo uma aspiração, por ninguem contrariada, qual é dominar pelos meios de communicação facil, prompta e barata as grandes distancias que, em nosso vasto territorio, separam dos mercados immensas regiões excellentemente dotadas pela natureza. É sobretudo em paiz como o nosso que os meios de transporte maior transformação são destinados a realizar. Pudessemos rasgar numerosas ferro-vias e aproveitar pelo menos grande parte dos nossos cursos d’agua navegaveis e não se faria demorar a compensação dos sacrificios que nos fosse dado antecipar.

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Conheceis, entretanto, as circumstancias que, sem nos opprimir, todavia nos tolhem até certo ponto a energia com que todos desejaramos poder activar os grandes melhoramentos de que necessita o paiz. De taes circumstancias é a representação nacional o juiz mais competente e as tendencias que tendes manifestado não são certamente para induzir-me a propor-vos gastos consideraveis, por mais uteis e remuneradores que sejam. A vossa sabedoria e o vosso patriotismo são penhores do bem publico e estou certo de que resolvereis o melhor que as nossas actuaes condições permittirem a bem do desenvolvimento da viação ferrea.

A autorização concedida pela Lei nº 2.450 de 24 de setembro de 1873 póde dizer-se esgotada. Dos 100.000:000$ sobre os quaes foi habilitado o governo a garantir ou afiançar juros até 7% ao anno, apenas resta por garantir capital equivalente ao em que será fixado o custo da ferro-via da Natividade á Victoria.

Convirá esperar por algum tempo que diminuam os actuaes encargos do Estado, para que só então novo credito seja concedido á viação ferrea?

É este um dos grandes problemas que se impõem á vossa esclarecida attenção.

Não é só a garantia de juros, porém, ou a subvenção kilometrica que póde fomentar a viação ferrea. A concessão gratuita de terras devolutas á margem das ferro-vias, divididos os terrenos em grandes lotes que alternadamente sejam reservados para o Estado e distribuidos ás emprezas, não é favor menos valioso para incitar o espirito de iniciativa e em muitos casos sel-o-ha mais do que a garantia.

Por este systema, ao mesmo tempo que dariamos real valor ao nosso rico, mas quasi improductivo patrimonio territorial, augmentariamos o capital das emprezas e lograriamos associal-as á obra da colonisação. Em todo o caso é um systema para experimentar entre nós, mas já experimentado com vantagem nos Estados-Unidos.

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[tabela de todas as ferrovias construídas e em construção (quilômetros)]

 

Agricultura, 1881 (2º)
Relatorio apresentado á Assembléa Geral Legislativa (...) pelo ministro e secretario de Estado dos negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas
Manoel Alves de Araújo
Rio de Janeiro - (?), 1882

Manoel Alves de Araújo — nomeado em 21 jan. 1882 — relata o 2º semestre do ano anterior, gestão de Buarque de Macedo (falecido em agosto) e dos interinos que o sucederam: Pedro Luiz Pereira de Souza (min. Negócios Estrangeiros) e José Antônio Saraiva (min. Fazenda e presidente do Conselho de Ministros).

1º semestre

2º semestre

Relatórios

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Legislação

Lei Feijó
Lei da Garantia de Juros
Lei da subvenção quilométrica
  Regulamentação
Lei de Terras
  Regulamentação
Sistema Métrico Decimal

Padrões

Padrões monetários
Pesos e medidas
Longitudes

Referências

Planos ferroviários | Linhas concedidas do plano de 1890 | EF Tocantins | Cia. Mogiana | Linha Angra-Catalão | EF Goiás | Ramal de Pires do Rio | O prolongamento da Central do Brasil | A linha da Cia. Paulista
A idéia mudancista | Hipólito | Bonifácio | Independência | Império | Varnhagen | República | Cruls | Café-com-leite | Marcha para oeste | Constitucionalismo | Mineiros | Goianos | Projetos de Brasil | Ferrovias para o Planalto Central
 
  
 
    
 
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