Agricultura, 1894
[propõe resgate
e arrendamento. No entanto, o "enorme sacrifício dos
cofres públicos" só leva a ameaçar as
ferrovias do Nordeste; e mesmo entre essas, algumas merecem o benefício
(Bahia); outras, degola sumária (Rio Grande do Norte); e
como meio termo, Pernambuco; já a EFCB e a Porto Alegre -
Uruguaiana, nem pensar! Têm condições "especiais".
A privatização recomendada, portanto, segue muito
de perto o peso de cada Estado na Federação]
p. 3-5 - gif 10-12
Sr. Presidente da Republica,
** perduram alguns
problemas apontados pelos ilustres antecessores Paula Souza e Bibiano;
mas são tão pujantes os recursos do paiz, e o impulso
dado pela Republica que, apesar da aguda crise dos últimos
2 anos, alguns serviços do MIVOP, eficientes fatores da prosperidade
nacional, até cresceram. Lisongeira esperança de
que, assim que o desvelado presidente resolver tudo, a indústria
vai florescer Redução de pessoal, mas o trabalho
vai bem. Directoria de Industria está quebrando o galho com
o serviço das aposentadorias Pessoal é bom demais;
merecem um aumento, estão defasados com o pessoal do Tesouro
e outras repartições.
p. 97 / gif 97
Viação ferrea
O desenvolvimento da industria de transportes é o ponto
de partida para o engrandecimento e prosperidade dos povos. (...)
A grande Republica Americana, fazendo desse principio a mais ampla
applicação, mostrou como uma nação nova
podia hombrear, por sua riqueza industrial, com os povos mais cultos
do velho continente, cujos recursos, de toda ordem, representavam
a experiencia e o esforço de milhares de gerações
extinctas.
O problema da viação publica se impõe, portanto,
como uma das mais sérias cogitações dos governos
que presidem a evolução dos paizes novos; não
queremos com essas palavras acquiescer ao preconceito, que infelizmente
domina a muitos espiritos de que exclusivamente ao Governo deva
caber a iniciativa das grandes obras; pelo contrario, é convicção
nossa que á iniciativa privada está reservado um saliente
e importante papel nesse concerto harmonico dos interesses nacionaes;
e o grande impulso que tiveram ellas, sob essa fórma, nos
Estados Unidos e na Inglaterra, é exemplo pratico e ensinamento
proveitoso.
Num paiz, como o nosso, onde os capitaes não superabundam
e encontram applicação facil e fartamente lucrativa
em numerosos ramos da industria nascente, não se póde
deixar as grandes obras, e nomeadamente a viação publica,
entregue aos recursos exclusivos das emprezas particulares. (...)
Desbravar as mattas para substituir o silencio secular de seu abandono
pelo rodar incessante da locomotiva, transformando o deserto em
centro de população e actividade, para arrancar do
solo os recursos quasi inexgottaveis de sua uberdade, não
é obra que possa tentar o capital, sem que tenha elle bem
garantida sua applicação contra o fracasso que tem
sido o epilogo de algumas emprezas mais audazes.
(p. 98 / gif 98)
Aos poderes publicos se impõe tambem o dever de estreitar
as relações dos Estados da Republica, facilitando
entre elles as communicações e os transportes, que
geram os interesses reciprocos, a mais solida argamassa com que
a federação ha de levantar muralhas para resistir
ao sôpro da desaggregação e do fraccionamento.
Muitas vezes o espirito de desordem não é mais do
que a degenerescencia de forças vivas abandonadas á
esterilidade e de actividades poderosas, que não encontram
uma applicação proveitosa e util.
É geralmente entre os desoccupados que os caudilhos e desordeiros
vão arrebanhar forças (...).
Já foi synthetisado esse pensamento por um notavel publicista
quando disse que as revoluções findam no dia em que
começam as grandes obras por utilidade publica.
Não são menos valiosas as razões de ordem
economica que aconselham os paizes novos a fazerem todos os sacrificios
para desenvolver e aperfeiçoar os seus meios de transporte.
É sabido que no interior do Brasil correm numerosos rios
(...) desaproveitados, em sua maioria, posto que attestem em sua
exuberante seiva a pujança dos fertilisantes naturaes alli
accumulados pelos annos.
Esses terrenos, hoje (...) estão á espera de que
as ferro-vias e o vapor venham transformal-os em fontes uberrimas
de abastança e de riqueza.
p. 99
Na grande Republica Americana essa transformação
operou-se com uma rapidez admiravel, as linhas ferreas penetraram
na floresta ou nos campos deshabitados, deixando na sua passagem
os germens das grandes cidades e das surprehendentes industrias,
que surgiram como por encanto, ao lado dos trilhos ou á margem
dos rios. E não é só o conforto e as commodidades
que as vias de transporte trazem: ellas poderão libertar
as populações das cidades do tributo que pagam á
agriculura do estrangeiro, mesmo para os generos mais communs de
primeira necessidade.
A somma avultada que representa hoje a nossa importação
de cereaes e de gado, successivamente crescente, nos aconselha a
cogitar de meios que venham facilitar essa producção,
a que tão bem se prestam os terrenos até agora incultos,
no interior do paiz, onde a cultura se limita ás necessidades
locaes, pela difficuldade que offerecem os transportes para os centros
consumidores.
Sob ouro aspecto devemos ainda encarar o systema ferro-viario da
Republica, attendendo aos interesses internacionaes que nos adveem
de nossa collocação geographica.
Posto que nada tenhamos a receiar das boas relações
de amizade das nações vizinhas que confimam com as
nossas fronteiras, nos cumpre acautelar interesses de futuro, apparelhando-nos
para a lucta economica que nellas se ha de travar, á medida
que forem germinando os elementos de progresso e de actividade industrial
que á porfia procuram cultivar alli.
As estradas propriamente denominadas estrategicas, outr'ora lembradas
para as eventualidades da guerra, devem hoje ser levadas a effeito
com toda presteza; não que tenhamos o pensamento de utilisal-as
propriamente para a guerra ou como elemento de transporte rapido
para forças e armamentos, mas sim como sendo ellas as fortalezas
com que nos cumpre balisar nossa fronteira para a lucta economica
que já nos offerecem os nossos vizinhos do sul, trazendo
suas linhas a quasi todos os pontos importantes dos marcos divisorios,
de modo a obrigar a circulação em suas estradas, de
avultados interesses brasileiros.
Para prepararmos uma politica internacional que facilite o exercicio
desassombrado de nossas instituições, accentuando
ao mesmo tempo o desempenho do papel que nos cabe na politica sul-americana,
cumpre que não desviemos egualmente nossas vistas da fronteira
occidental, por mais fracas que hoje se nos afigurem as nossas relações
commerciaes com o Paraguay e com a Bolivia.
(p. 100)
Prepararmo-nos para receber em nossos portos os productos naturaes
ou de industria dessas duas nações amigas, é
acto de previdencia politica, que nos deve preoccupar.
A sonhada ligação dos dous grandes oceanos, o Atlantico
e o Pacifico, no continente sul-americano, deve ter o contingente
dos esforços do Brasil, si quizermos tirar desse commettimento
os resultados que elle póde ter para nossa patria; o que
hontem era utopia, póde hoje ser um plano para se transformar
amanhã em surprehendente realidade.
A falta de estudos technicos ou mesmo de simples reconhecimento
não nos permitte pensar por emquanto qual a directriz que
poderia tomar essa linha; entretanto, a solidariedade das aspirações
americanas nos fazem antever a possibilidade de confraternizarmos,
por via terrestre nos mesmos mercados, com o povo chileno, quebradas
que sejam pelo progresso as fronteiras das nações
que delles nos separam.
p. 101
Estradas de ferro de propriedade da União
Possue actualmente a União em trafego nove ferro-vias com
uma extensão de 2.825 (etc.)
kilometros, representando em 31 de dezembro de 1894 um capital effectivamente
gasto de 257.674:936$793, como se vê do seguinte quadro: (...)
[91:212$ / km]
Os dispendios do Thesouro em virtude do deficit verificado entre
a receita e a despeza orçam por 11.118:481$ (etc.) até
o fim do anno passado, como se vê do quadro em seguida, demonstrando
além do seu custo, os enormes encargos com que teem sido
onerados os cofres publicos: (...) [aliviar
esse "sacrificio", só mesmo construindo uma ferrovia
até o Pacífico. Em tempo: o quadro não inclui
a ferrovia gaúcha.]
p. 102 / idem
Diante dos resultados pouco animadores que já se faziam
sentir em 1892, resolveu o Poder Legislativo auctorizar o Governo
a mandar proceder a um inquerito sobre a conveniencia de transferir
a propriedade e a exploração das estradas de ferro
da União para a industria privada e estudar os methodos que
deveriam ser preferidos nessa operação.
Nesse intuito foi incumbido o general Francisco Raphael de Mello
Rego, em data de 18 de março de 1893 [min.
Limpo de Abreu], desse estudo, tendo em vista as condições
economicas de cada uma das mesmas estradas e o desenvolvimento por
ellas operado nas regiões a que servem, afim de conhecer
quaes as que deviam ser preferidas para os respectivos prolongamentos
e o modo de os levar a effeito.
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Viação
|
Agricultura
|
Antonio Paulino Limpo de Abreu
(Engenheiro) |
17-12-1892
22-4-1893
|
17-12-1892
22-4-1893
|
Antônio Paulino Limpo de
Abreu
(Engenheiro) |
Nasc. RJ
1904
|
|
Primeiro Ministro da nova fase, cumulativamente
exerceu o cargo de Min. da Ind., Viação e Obras
Públicas
|
Completando essas instrucções, expediu um dos meus
dignos antecessores, em 2 de junho de 1893, um aviso, recommendando
que fossem igualmente prestadas detidas informações
com relação: [custo
de cada uma e por que o excesso; quais prolongar; necessidade de
vender ou arrendar, e quais; justificar a manutenção
de alguma; conveniência de exigir prolongamento de alguma
ao privatizar; discriminar déficit, por exercício.
General entregou relatório 1 mês depois, 3 jul., frisando
que só usou dados disponíveis na repartição,
sem exame nos locais]
|
Viação
|
Agricultura
|
| Antônio Francisco de Paula
e Souza [engº] |
22-4-1893
8-9-1893
|
* Lacuna
|
p. 103
extensão,
até 1891, das nove estradas da união era 2.546 km;
custo efetivo 218.623:691$ [dá 85:869$ / km]
** conclusão:
fiscais estavam olhando para o outro lado, já que aceitaram
preços exorbitantes, mesmo quando havia tabelas que bastava
consultar; e tampouco verificavam as obras recebidas
Comparando o custo kilometrico das estradas Sul de Pernambuco e
prolongamento da da Bahia, nota que o daquella, onde não
houve difficuldades a vencer nem obras d'arte de execução
arriscada, superiores ás que se encontram na segunda, attingiu
mais de 100:000$, comprehendido o valor do material fixo e rodante;
ao passo que o da outra não excedeu a 43:244 (etc.),
ou menos da metade.
** Central de Pernambuco
devia ter 139 km; em trafego 72 km em meados de 1886 ao custo de
5.534:500$ ou 76:895$ / km. Autorizado prolongar até Pesqueira
em 1890. Desde 1886, cinco anos, nenhuma nova estação.
Gastou-se mais 12.906:164$, o que eleva o total a 18.410:644 [ou...
255:703$ / km???] Déficit das oito (falta uma) orça
por 9.500:000$, sendo que até dezembro de 1891 era 7.266:131$.
Com relação ao 2º quesito, responde o general
Mello Rego:
b) Que, si o prolongamento destas oito estradas
da União devesse ficar subordinado aos effeitos produzidos
pela construcção de cada uma na respectiva região,
nenhuma estaria no caso de ser prolongada. Entretanto, por considerações,
que apresenta, lhe parece mais prudente e razoavel que, na sua maioria
e a permanecerem sob o dominio da União, devam parar nos
pontos em que terminarem as secções que se acham em
construcção.
E, assim, a de Sobral poderá ficar em Ipú,
a de Baturité em Quixeramobim ou em Humaitá, a Central
de Pernambuco em Pesqueira. Na do Sul de Pernambuco não convirá
interromper os trabalhos do ramal de Angelim a Bom Conselho até
Correntes [por que?], bem assim o de Paquevira a Imperatriz. Não
deve tambem parar o prolongamento da estrada da Bahia até
Joazeiro, convindo antes apressar sua conclusão; o mesmo
acontece com a de (p. 105) Porto Alegre a Uruguayana, e a do Rio
do Ouro convém prolongar até á Barra do Pirahy,
com um ramal á estação do Commercio e outro
á do Desengano, com um desenvolvimento de 80 kilometros,
prestando duplo serviço, quer como linha auxiliar (...).
Quanto ao 3º quesito:
c) Sustenta a conveniencia da transferencia daquellas
estradas á industria particular, com excepção
das que se acharem em circumstancias especiaes, como a Central do
Brasil e Porto Alegre a Uruguayana, que devem ficar sob a administração
do Estado; e, comquanto, em principio, pareça que como regra
deva ser a transferencia effectuada por venda, attenta a inconveniencia
de ser o Estado industrial, casos ha em que circumstancias inherentes
a cada uma tornam preferivel, si não unicamente praticavel
o arrendamento. Conclue que é preciso verificar quaes as
que se acham no primeiro e quaes as que se acham no segundo caso;
o que não póde ser feito no gabinete.
(...) Ao entrar para o Ministerio encontrei esta materia de tão
alta transcendencia sem solução, nada mais se tendo
feito após a publicação do relatorio a que
me refiro.
|
Viação
|
Agricultura
|
| Antônio Francisco de Paula
e Souza [engº] |
22-4-1893
8-9-1893
|
* Lacuna
|
| João Felipe Pereira |
interino
8-9-1893
24-4-1894
|
* Lacuna
|
Bibiano Sérgio Macedo de
Fontoura Constallat
(general de Brigada, "Dr.";) - relat.
1893 |
24-4-1894
15-11-1894
|
* Lacuna
|
Nestas condições julguei conveniente mandar proceder
a novas e mais acuradas pesquisas e bem assim a estudos locaes que
deveriam completar o trabalho iniciado em 1893.
Para o desempenho dessa commissão foi nomeado em 18 de dezembro
ultimo o engenheiro Emilio Armando Henrique Schnoor, a quem em 7
de janeiro dei as instrucções constantes do aviso
seguinte: [duas páginas]
(p. 106)
(...) devereis percorrer, tanto na parte em trafego
como na em construcção, as estradas de Sobral, Baturité,
Central de Pernambuco, Sul de Pernambuco, Paulo Affonso, Bahia (prolongamento)
e Central da Parahyba. [total: sete
das nove; descarta-se visitar EFCB e Porto Alegre - Uruguayana]
(...)
No estudo das condições economicas
de cada uma das referidas estradas e do desenvolvimento operado
nas regiões por ellas servidas (...) devereis especificar
as industrias ou genero de commercio ahi fundados e sua apparencia
em relação ao futuro, observando si a zona percorrida
é mais apropriada á cultura ou á criação,
assim tambem si existem em taes regiões terrenos devolutos
ou de propriedade particular, que se prestem á fundação
de nucleos coloniaes.
Igualmente procurareis conhecer o genero de industria
a que de preferencia se entregam as populações das
localidades servidas pela viação ferrea, e qual o
artigo que, como producto della, mais avulta entre as mercadorias
transportadas.
p. 107
No desempenho de sua commissão seguio para o norte o engenheiro
Schnoor, tendo já feito necessario e minucioso exame sobre
a estrada de ferro da Bahia.
Desse exame verifica-se que as sommas despendidas até 31
de dezembro ultimo com aquella estrada foram:
** [soma numa conta
só a construção de 2 linhas e 2 ramais (20.756:142$),
mais o "custeio do tráfego" de uns 15 anos, 1880
a 1894 (6.485:764$, ou 432:384$ anuais), subtotalizando 27:241:906$,
e daí deduz "receita bruta recolhida", imagino
que também de 15 anos (2.919:060$, ou seja, cobre 45% do
"custeio" médio anual; déficit seria 3.566:000$,
ou 238:000$ anuais, suficientes para construir 8 km anuais ao preço
quilométrico padrão, e por baixo, de 30:000$). O déficit
anual seria então 1,15% do capital empatado. Em cima do subtotal
(construção + 15 anos de déficit) que chama
de "capital effectivo" Schnoor (ou o ministro?) acrescenta
"os juros simples a 5% annualmente sobre as quantias effectivamente
despendidas com essa estrada desde a sua inauguração
e a importancia destes juros". Não entendo por que,
além de calcular os juros, ainda precisa (acrescentar?) "a
importancia destes juros". Imagino que o limite seria 75% do
capital, ou 5% vezes 15 anos, o que daria no máximo 15.000:000$
de 20 mil contos. Mas nem todo investimento ocorreu antes do primeiro
ano. O valor calculado é 10.688:307$, que se somam ao "capital
efetivo", e dá 35.010:153$]
Vê-se, portanto, que os resultados obtidos [os
que acaba de mostrar, contábeis; nada a ver com o resultado
na economia regional] não correspondem aos enormes
sacrificios feitos e que ainda continuam a gravar os cofres publicos.
Effectivamente, reunindo-se os juros de 1.750:000$, em que annualmente
importa aquella quantia, ao deficit do anno de 1894, na importancia
de 423:000$, temos 2.173:000$ de prejuizo annual.
Urge, pois, tomar medidas indispensaveis para diminuir este onus
que, sommado ao de £ 126.000 que annualmente paga o Governo
de juros á companhia ingleza da Estrada de Ferro da Bahia
ao S. Francisco e que ao cambio actual corresponde a cerca de 3.150:000$,
temos um sacrificio annual, quasi em pura perda, de 5.323:000$.
p. 108
O engenheiro Schnoor em seu relatorio propõe para sanar
essas difficuldades, diminuindo os encargos da União, duas
providencias: 1ª, o arrendamento da estrada a uma companhia
particular, que se encarregue da exploração desse
serviço mediante uma fórmula de trafego calculada
de modo a induzir a companhia ao trabalho, economicamente sem prejuizo
do publico; 2ª, a encampação da estrada ingleza
e sua reunião sob uma mesma administração com
a do prolongamento, englobando-a no contracto de arrendamento já
mencionado.
Assim procedendo, teremos uma grande economia para os cofres publicos;
pois, de accordo com o actual contracto com a mesma companhia, verifica-se
que a sua encampação póde hoje ter logar mediante
apolices ouro da divida publica, que a juro de 5% ao anno importará
a despeza em cerca de £ 111.784, em vez das £ 126.000,
que actualmente paga o Governo. Dahi resultaria uma economia de
£ 14.216, que ao cambio actual importa em cerca de 355:000$,
sendo que a diminuição de despeza em vista da reunião
das duas estradas seria de cerca de 600:000$, desde que fosse reduzida
a bitola da Bahia até Alagoinhas a 1m,00.
Do que ahi fica exposto, temos a confirmação cabal
de que o systema de construcção e custeio das obras
publicas pelo Governo é em geral anti-economico, muitas vezes
improficuo e quasi sempre na pratica funesto em suas consequencias.
Commetimentos de tal ordem, por sua natureza vastos, urgentes e
momentosos não cabem nas forças do Governo, que, para
realizal-os não devem nem póde recusar auxilio algum
e muito menos o da iniciativa industrial, trazendo enorme concurso
de capitaes, de talentos, de aptidões e actividades.
E de facto, é ao espirito de associação e
de iniciativa individual incitado e fomentado em quasi todos os
paizes civilizados pela preferencia dada ás companhias na
realização das obras de utilidade publica que devem
aquelles povos o seu desenvolvimento material.
A execução e custeio de taes obras pelo Governo teem
por via de regra provocado funestos e desastrosos resultados, acarretando
enormes onus e sacrificios, matando o espirito de iniciativa, creando
a indifferença nacional e a falsa idéa de que tudo
devemos esperar do poder publico, a quem compete satisfazer todas
as necessidades.
p. 109
Por outro lado na execução de taes obras a ação
official indirectamente representada na administração
e direcção dos trabalhos é quasi sempre mais
lenta, mais dispendiosa e frouxa que a particular, que é
exercida por agentes immediatamente interessados.
Longa e interminavel seria a serie de argumentos, de factos e de
pareceres, nelles apoiados, attestando todos a inconveniencia da
construcção e custeio de obras de utilidade publica
por conta dos cofres nacionaes e sob a administração
do Governo; além de que pareceria superfluo insistir sobre
esta questão diante dos resultados colhidos e que ahi ficam
succintamente expostos.
É este, portanto, um assumpto que vai continuar a merecer
a minha especial attenção, proseguindo no seu exame
e estudo de modo a em prazo breve ficar o Governo habilitado a tomar
a respeito uma resolução efficaz, alliviando assim
o Thesouro dos pesados encargos que tão poderosamente teem
conribuido para aggravar as finanças da União.
(...)
|