2ª Missão Cruls, 1894-1895
Relatório de Glaziou

Fonte: A missão Cruls,
no site / livro / CD: Olhares sobre o Lago Paranoá
Nota dos autores: "Várias denominações são registradas para o rio Paranoá. Os bandeirantes paulistas que primeiro visitaram a região do Planalto Central, no século XVII, chamavam-no em nhengatú (língua falada pelos bandeirantes, resultante do português caipira, de uso geral no sertão,
e do tupi paulista) de Parnaguá. Em Tupi-Guarani, Paranoá é o mesmo que Paranaguá,
que quer dizer 'rio largo, rio espraiado'."

Enfim, de jornada em jornada, estudando tudo: qualidade do solo, vantagem de águas, clima, caráter do conjunto da paisagem, etc., cheguei a um vastíssimo vale banhado pelos rios Torto, Gama, Vicente Pires, riacho Fundo, Bananal e outros; impressionou-me profundamente a calma severa e majestosa dêsse vale. Talvez movido pelo mesmo sentimento, o chefe da Comissão, o Sr. Dr. Cruls, mandou estabelecer aí o acampamento geral. Ao depois, quase que diàriamente percorri, herborizando cá e lá, ora uma parte, ora outra, dêsse calmo território e dessas excursões voltava sempre encantado; cem vêzes as repeti, quase sempre a pé para facilidade das observações, em todos os sentidos e sem a menor fadiga, tão benéfica é aí a amenidade atmosférica.

Explorando depois, com vagar, num raio de uns quarenta quilômetros, nada vi que fôsse comparável ao tabuleiro do rio Torto. Nesse sítio, ainda, a extrema suavidade dos acidentes naturais do terreno não requer trabalho algum preparatório, nenhum para o arruamento ou delineação dos bulevares, nem para a edificação, quer numa ou noutra direção.

A tôdas essas riquezas oferecidas ao homem laborioso, nesse centro do planalto, juntam-se mais os recursos e a vantagem que lhe proporcionarão ainda abundantes águas piscosas. Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa; outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o rio Parnauá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou, com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (dique ou tapagem provida de chapeletas e cujo comprimento não excede de 500 a 600 metros, nem a elevação de 20 a 25 metros) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.

Além da utilidade da navegação, a abundância de peixe, que não é de somenos importância, o cunho de aformoseamento que essas belas águas correntes haviam de dar à nova capital despertariam certamente a admiração de todas as nações.

 

Relatório da Comissão de Estudos da Nova Capital da União
Typo-lith. Carlos Schmidt, Rio de Janeiro, 1896

2ª Missão Cruls – 1894-1895

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Os autores não indicam a fonte do "Relato", que datam "1893". Ernesto Silva também data "1893", igualmente sem indicação da fonte.

No entanto, Auguste François Glaziou parece ter participado apenas da 2ª Missão Cruls (1894-1895), embora o Relatório Cruls de 1894 (ref. 1ª Missão) tenha incluído — na última hora — uma carta de Glaziou.

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