Agricultura, 1895

p. 209 / gif 208

Fabrica de Ferro de Ypanema
- Histórico desde 1590

p. 210 / gif 209

Em 1765 chegava a Santos Domingos Ferreira Pereira, que havia formado uma sociedade para explorar a concessão que lhe fizera o governo portuguez em 1760, dando-lhe privilegio exclusivo, pelo tempo de dez annos, para minerar ferro e chumbo nas terras da capitania e nellas estabelecer fabricas de caldear o ferro. (...)

Essa tentativa não teve ainda o desejado exito.

Em 1810 empenharam-se em levar a cabo tal emprehendimento accionistas particulares que, por intermedio do Governo, mandaram contractar na Suecia operarios peritos na arte de fundidor. Esse contracto foi lavrado com o metallurgista Hedberg, que trouxe comsigo quatorze operarios com destino á fabrica, para onde seguiram acompanhados pelo capitão Luiz Guilherme Varnhagen, na dupla qualidade de interprete e representante dos accionistas.

Depois de haver Hedberg montado quatro fornos do systema stückoffen de dous metros de altura e destinados a produzir noventa kilogrammas de ferro em vinte e quatro horas, depois de demarcada a zona florestal, que devia fornecer de combustivel a fabrica, os suecos retiraram-se do estabelecimento sem ter podido levar ao cabo a sua obra.

O governo resolveu então encampar as acções particulares, nomeando em 1815 Varnhagen para dirigir a usina, auxiliado pelo barão de Eschwege, que foi encarregado do estabelecimento dos fornos altos e das forjas de refino.

A 1º de novembro de 1818 fez-se a primeira corrida de ferro no forno alto; e continuaram os serviços a cargo de Varnhagen, com as difficuldades proprias de uma industria nascente, até que em 1822 abandonou elle a direcção dos serviços.

** decadência até 1834 (Regência)

p. 211 / gif 210

Em 1834 a Regencia do Imperio, preoccupada com a sorte da fabrica de Ypanema nomeou, para inspeccional-a e mais tarde reconstruil-a, uma commissão composta... [surto da Regência à Maioridade: 1842]

Diante dos resultados negativos que apresentava a fabrica, resolveu o Governo em 1860 dissolvel-a, mandando que o seu material e todo pessoal fossem removidos para Matto Grosso, onde sob a direcção do engenheiro Rodolpho Wanheldt devia ser installada uma outra fabrica. [por essa época, Paraguai fundia 1 tonelada por dia]

Si as tentativas então feitas em Ypanema haviam sido infructiferas, a planejada remoção para Matto Grosso foi um desastre completo, pois que o pessoal dispersou-se e todo o material, composto de custosas machinas e uteis collecções de minerios, perdeu-se por completo no caminho, não podendo ser arrecadada nenhuma das peças do pesado machinismo, que ficou a enferrujar-se pelas estradas e pelas margens dos rios.

Subordinada sempre ao Ministerio da Guerra, foi a fabrica de ferro de Ypanema reorganisada sob a direcção do então capitão de engenheiro Joaquim de Souza Mursa, em 1865, quando a guerra do Paraguay veiu revelar a necessidade de haver no paiz usinas metallugricas capazes de supprir aos arsenaes, que pela distancia dos paizes extrangeiros e pelas difficuldades proprias do tempo de guerra, não podiam ter fornecimentos com a desejada regularidade.

Sob a direcção do dr. Mursa foram reconstruidos os fornos feitos de maneira a garantir uma producção diaria de 3 a 4 toneladas de ferro, e adquiridas mattas nos arredores para maior garantia do supprimento do combustivel, entrando a fabrica em uma phase de prosperidade [curiosa essa pendulação entre fases de prosperidade e de decadencia, subliminarmente associadas ao bom ou mau caráter do administrador do momento], que animou o governo a mandar em 1873 o seu director á Europa para adquirir pessoal habilitado e os machinismos necessarios.

** em 1878 passou ao Min. Agricultura, na flor do bom aparelhamento

p. 212

Pouco depois de proclamada a Republica deixou a direcção dos trabalhos da fabrica de Ypanema o dr. Mursa; e pelo decreto n. 1384 de 19 de fevereiro de 1891 [Barão de Lucena] foi auctorizada a venda da mesma, justificando o Governo Provisorio o seu acto, pela improficuidade da utilização da usina sob a administração do Estado, como a experiencia já havia cabalmente demonstrado; pela nenhuma compensação das consideraveis despezas feitas (...), e baseando-se emfim na autorizada opinião de seu ultimo director o dr. Mursa contra a continuação do regimen official naquelle proprio nacional, que imporia sempre ao Estado sacrificios não compensadores.

Á vista desse acto, o Ministerio da Agriculura chamou concurrentes para a compra da fabrica, por edital de 1 de maio daquelle mesmo anno, não tendo sido levada a effeito a venda porque só se apresentou um licitante e em condições, que não foram dignas de acceitação.

A lei n. 39 A de 30 de janeiro de 1892 transferiu novamente a Fabrica de Ypanema para o Ministerio da Guerra, afim de ser alli fundado o Arsenal de Guerra da Republica.

Nada se fez até agora para dar á fabrica aquelle destino; e si fosse desde então cumprida essa deliberação do Congresso Nacional, certamente a experiencia já teria demonstrado o desacerto da medida, que estudos mais completos sobre a natureza dos minerios e sobre as condições actuaes da fabrica já teem posto em evidencia.

A ultima lei orçamentaria, subordinando-a novamente ao Ministerio a meu cargo, contemplou apenas a exigua verba de 10:000$ para a guarda e conservação dos respectivos edificios, e ao mesmo tempo deu auctorização ao Governo para arrendar ou alienar o referido estabelecimento e contractar com a Sociedade Pastoril e Agricola do Estado de São Paulo, ou com quem melhores condições offerecesse,a exploração das jazidas de phosphato de cal dos terrenos da fabrica.

A área do estabelecimento (fabrica, bemfeitorias, etc.) abrange uma zona de 6.651 hectares, dos quaes 75% em mattas e o mais em campos naturaes; é atravessada pela estrada de ferro Sorocabana em cerca de 20 kilometros, existindo duas estações dentro dos terrenos e uma terceira distante apenas dous kilometros da divisa do estabelecimento. [convertendo a 2,47 acres por hectare, isso corresponde a 16.428 acres; suficiente para 102 famílias de colonos, que a 2 dólares por acre pagariam 32.856 dólares; ver Huberman]

p. 213 / gif 212

Em breve terá de ser atravessada pela estrada de ferro Sapucahy [???], cujos estudos foram já realizados.

O rio Ypanema reprezado fornece ao estabelecimento uma força superior a 60 cavallos.

Além das jazidas de minerio, em estado de protoxido, dos fundentes, silicoso e calcareo, encontra-se em Ypanema o iman natural ou oxido de ferro magnetico, frequentemente em massas compactas, crystallisado em octaedros regulares, como nas minas ricas da Suecia.

É abundante o carbonado de cal, bello como o melhor marmore e ainda o grés refractario, em extensas jazidas, com applicações differentes, principalmente a de ser empregado no revestimento interior dos fornos.

As officinas em Ypanema acham-se divididas em seis divisões; a dos altos fornos, a do refino, a de machinas, a de carpintaria e serraria, a de olaria e a do forno para calcinação do calcareo.

Como motores possue a fabrica duas rodas hydraulicas, nas officinas dos fornos altos, de 16 cavallos cada uma; uma roda hydraulica na casa das machinas; uma para o martello; outra para os antigos pilões; outras para os pilões novos e ainda uma na serraria. (... florestas)

Além do pessoal da administração, que compõe-se de um director, um ajudante, um escripturario, um almoxarife e um agente, trabalham nos diversos serviços do estabelecimento cerca de 200 operarios, que alli residem e teem cerca de 300 pessoas de familia.

** relatorio do ano findo, a cargo da Guerra

p. 214 / gif 213

** autorizada privatização no penultimo dia, optou-se por não paralisar de imediato, para não depreciar, romper contratos (encomendas em andamento), dispersar pessoal; no entanto, manda manter apenas o pessoal estritamente necessario a finalização das encomendas; e proíbe receber novas encomendas...

 

Agricultura, 1895
Ministerio da Industria, Viação e Obras Publicas
Relatório de 1895 - apresentado em 1º de maio de 1896
Ministro engº Antonio Olyntho dos Santos Pires

Apresentação
• Exposição industrial
Immigração e colonização
Telegraphos
• Obras publicas
   • Fabrica de ferro de Ypanema
Commissão de Estudos
da Nova Capital da União

Estradas de Ferro de propriedade da União

Relatórios

1851 | 1852 | 1853 | 1856 | 1860 | 1861 | 1862 | 1864 | 1865 | 1866 | 1868 | 1869 | 1870 | 1873 | 1874 | 1876 | 1877 | 1881 | 1886 | 1888 | 1889 | 1890 | 1891 | 1892 | 1893 | 1894 | 1895 | 1896 | 1897 | 1900 | 1908 | 1922 | 1925 | 1926 | 1937 | 1954 | 1955 | 1958 | 1960 | 1961 | 1962 | 1963 | 1964 | 1965 | 1966 | 1967 | 1968 | 1969 | 1970 | 1974

Legislação

Lei Feijó
Lei da Garantia de Juros
Lei da subvenção quilométrica
  Regulamentação
Lei de Terras
  Regulamentação
Sistema Métrico Decimal

Padrões

Padrões monetários
Pesos e medidas
Longitudes

Referências

Planos ferroviários | Linhas concedidas do plano de 1890 | EF Tocantins | Cia. Mogiana | Linha Angra-Catalão | EF Goiás | Ramal de Pires do Rio | O prolongamento da Central do Brasil | A linha da Cia. Paulista
A idéia mudancista | Hipólito | Bonifácio | Independência | Império | Varnhagen | República | Cruls | Café-com-leite | Marcha para oeste | Constitucionalismo | Mineiros | Goianos | Projetos de Brasil | Ferrovias para o Planalto Central
 
  
 
    
 
Sobre o site Centro-Oeste | Contato | Publicidade | Política de privacidade