Agricultura, 1895
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Fabrica de Ferro de Ypanema
- Histórico desde 1590
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Em 1765 chegava a Santos Domingos Ferreira Pereira, que havia formado
uma sociedade para explorar a concessão que lhe fizera o
governo portuguez em 1760, dando-lhe privilegio exclusivo, pelo
tempo de dez annos, para minerar ferro e chumbo nas terras da capitania
e nellas estabelecer fabricas de caldear o ferro. (...)
Essa tentativa não teve ainda o desejado exito.
Em 1810 empenharam-se em levar a cabo tal emprehendimento accionistas
particulares que, por intermedio do Governo, mandaram contractar
na Suecia operarios peritos na arte de fundidor. Esse contracto
foi lavrado com o metallurgista Hedberg, que trouxe comsigo quatorze
operarios com destino á fabrica, para onde seguiram acompanhados
pelo capitão Luiz Guilherme Varnhagen, na dupla qualidade
de interprete e representante dos accionistas.
Depois de haver Hedberg montado quatro fornos do systema stückoffen
de dous metros de altura e destinados a produzir noventa kilogrammas
de ferro em vinte e quatro horas, depois de demarcada a zona florestal,
que devia fornecer de combustivel a fabrica, os suecos retiraram-se
do estabelecimento sem ter podido levar ao cabo a sua obra.
O governo resolveu então encampar as acções
particulares, nomeando em 1815 Varnhagen para dirigir a usina, auxiliado
pelo barão de Eschwege, que foi encarregado do estabelecimento
dos fornos altos e das forjas de refino.
A 1º de novembro de 1818 fez-se a primeira corrida de ferro
no forno alto; e continuaram os serviços a cargo de Varnhagen,
com as difficuldades proprias de uma industria nascente, até
que em 1822 abandonou elle a direcção dos serviços.
** decadência
até 1834 (Regência)
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Em 1834 a Regencia do Imperio, preoccupada com a sorte da fabrica
de Ypanema nomeou, para inspeccional-a e mais tarde reconstruil-a,
uma commissão composta... [surto
da Regência à Maioridade: 1842]
Diante dos resultados negativos que apresentava a fabrica, resolveu
o Governo em 1860 dissolvel-a, mandando que o seu material e todo
pessoal fossem removidos para Matto Grosso, onde sob a direcção
do engenheiro Rodolpho Wanheldt devia ser installada uma outra fabrica.
[por essa época, Paraguai
fundia 1 tonelada por dia]
Si as tentativas então feitas em Ypanema haviam sido infructiferas,
a planejada remoção para Matto Grosso foi um desastre
completo, pois que o pessoal dispersou-se e todo o material, composto
de custosas machinas e uteis collecções de minerios,
perdeu-se por completo no caminho, não podendo ser arrecadada
nenhuma das peças do pesado machinismo, que ficou a enferrujar-se
pelas estradas e pelas margens dos rios.
Subordinada sempre ao Ministerio da Guerra, foi a fabrica de ferro
de Ypanema reorganisada sob a direcção do então
capitão de engenheiro Joaquim de Souza Mursa, em 1865, quando
a guerra do Paraguay veiu revelar a necessidade de haver no paiz
usinas metallugricas capazes de supprir aos arsenaes, que pela distancia
dos paizes extrangeiros e pelas difficuldades proprias do tempo
de guerra, não podiam ter fornecimentos com a desejada regularidade.
Sob a direcção do dr. Mursa foram reconstruidos os
fornos feitos de maneira a garantir uma producção
diaria de 3 a 4 toneladas de ferro, e adquiridas mattas nos arredores
para maior garantia do supprimento do combustivel, entrando a fabrica
em uma phase de prosperidade [curiosa
essa pendulação entre fases de prosperidade e de decadencia,
subliminarmente associadas ao bom ou mau caráter do administrador
do momento], que animou o governo a mandar em 1873
o seu director á Europa para adquirir pessoal habilitado
e os machinismos necessarios.
** em 1878 passou
ao Min. Agricultura, na flor do bom aparelhamento
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Pouco depois de proclamada a Republica deixou a direcção
dos trabalhos da fabrica de Ypanema o dr. Mursa; e pelo decreto
n. 1384 de 19 de fevereiro de 1891 [Barão
de Lucena] foi auctorizada a venda da mesma, justificando
o Governo Provisorio o seu acto, pela improficuidade da utilização
da usina sob a administração do Estado, como a experiencia
já havia cabalmente demonstrado; pela nenhuma compensação
das consideraveis despezas feitas (...), e baseando-se emfim na
autorizada opinião de seu ultimo director o dr. Mursa contra
a continuação do regimen official naquelle proprio
nacional, que imporia sempre ao Estado sacrificios não compensadores.
Á vista desse acto, o Ministerio da Agriculura chamou concurrentes
para a compra da fabrica, por edital de 1 de maio daquelle mesmo
anno, não tendo sido levada a effeito a venda porque só
se apresentou um licitante e em condições, que não
foram dignas de acceitação.
A lei n. 39 A de 30 de janeiro de 1892 transferiu novamente a Fabrica
de Ypanema para o Ministerio da Guerra, afim de ser alli fundado
o Arsenal de Guerra da Republica.
Nada se fez até agora para dar á fabrica aquelle
destino; e si fosse desde então cumprida essa deliberação
do Congresso Nacional, certamente a experiencia já teria
demonstrado o desacerto da medida, que estudos mais completos sobre
a natureza dos minerios e sobre as condições actuaes
da fabrica já teem posto em evidencia.
A ultima lei orçamentaria, subordinando-a novamente ao Ministerio
a meu cargo, contemplou apenas a exigua verba de 10:000$ para a
guarda e conservação dos respectivos edificios, e
ao mesmo tempo deu auctorização ao Governo para arrendar
ou alienar o referido estabelecimento e contractar com a Sociedade
Pastoril e Agricola do Estado de São Paulo, ou com quem melhores
condições offerecesse,a exploração das
jazidas de phosphato de cal dos terrenos da fabrica.
A área do estabelecimento (fabrica, bemfeitorias, etc.)
abrange uma zona de 6.651 hectares, dos quaes 75% em mattas e o
mais em campos naturaes; é atravessada pela estrada de ferro
Sorocabana em cerca de 20 kilometros, existindo duas estações
dentro dos terrenos e uma terceira distante apenas dous kilometros
da divisa do estabelecimento. [convertendo
a 2,47 acres por hectare, isso corresponde a 16.428 acres; suficiente
para 102 famílias de colonos, que a 2 dólares por
acre pagariam 32.856 dólares; ver Huberman]
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Em breve terá de ser atravessada pela estrada de ferro Sapucahy
[???], cujos
estudos foram já realizados.
O rio Ypanema reprezado fornece ao estabelecimento uma força
superior a 60 cavallos.
Além das jazidas de minerio, em estado de protoxido, dos
fundentes, silicoso e calcareo, encontra-se em Ypanema o iman natural
ou oxido de ferro magnetico, frequentemente em massas compactas,
crystallisado em octaedros regulares, como nas minas ricas da Suecia.
É abundante o carbonado de cal, bello como o melhor marmore
e ainda o grés refractario, em extensas jazidas, com applicações
differentes, principalmente a de ser empregado no revestimento interior
dos fornos.
As officinas em Ypanema acham-se divididas em seis divisões;
a dos altos fornos, a do refino, a de machinas, a de carpintaria
e serraria, a de olaria e a do forno para calcinação
do calcareo.
Como motores possue a fabrica duas rodas hydraulicas, nas officinas
dos fornos altos, de 16 cavallos cada uma; uma roda hydraulica na
casa das machinas; uma para o martello; outra para os antigos pilões;
outras para os pilões novos e ainda uma na serraria. (...
florestas)
Além do pessoal da administração, que compõe-se
de um director, um ajudante, um escripturario, um almoxarife e um
agente, trabalham nos diversos serviços do estabelecimento
cerca de 200 operarios, que alli residem e teem cerca de 300 pessoas
de familia.
** relatorio do
ano findo, a cargo da Guerra
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** autorizada privatização
no penultimo dia, optou-se por não paralisar de imediato,
para não depreciar, romper contratos (encomendas em andamento),
dispersar pessoal; no entanto, manda manter apenas o pessoal estritamente
necessario a finalização das encomendas; e proíbe
receber novas encomendas...
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