Agricultura, 1896: Joaquim Murtinho
Darwinismo econômico

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Sr. Presidente da Republica

(...) seja-me permittido fazer algumas considerações geraes, antes de tratar detalhadamente de cada uma das secções em que se subdivide este ramo da administração publica.

A nossa organisação industrial tem seguido nestes ultimos tempos uma marcha anomala, irregular e profundamente viciosa.

Duas grandes causas teem contribuido para esse resultado: uma comprehensão falsa do patriotismo e uma plethora não menos falsa de capitaes.

A idéa erronea e anti-social de que a grandeza industrial de nossa patria depende sobretudo da nossa libertação, cada vez mais completa, dos productos da industria extrangeira, foi provocando a aspiração de estabelecer emprezas industriaes de todos os generos, para se conseguir realisar aquelle desideratum pseudo-patriotico.

De outro lado a grande illusão financeira, de que mal acabamos de sahir, fez-nos acreditar na existencia de capitaes enormes, de riquezas inexgottaveis e mais que sufficientes para realisar aquella aspiração.

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Confundindo o bilhete de emissão convertivel, precioso instrumento de credito, com o bilhete inconvertivel, simples instrumento de dictadura economica, organisámos os nossos bancos emissores, pensando por esta fórma dar ao nosso credito expansão sufficiente para satisfazer a todas as nossas phantasias patrioticas.

A emissão de bilhetes convertiveis é sempre solicitada por necessidades sociaes verdadeiras e regulada em suas oscillações pelo credito, que se manifesta pela maior ou menor frequencia da conversão.

No regimen do curso forçado, porém, como entre nós, não ha instrumento algum para regular os movimentos da emissão; o credito não é mais o seu regulador; ella se faz, por isso, ás cegas, impellida pela especulação, pelo jogo e por todas as loucuras da bolsa.

Dahi essa massa colossal de papel-moeda inconvertivel, invertendo os laços que liam a industria ao credito; não sendo mais a necessidade de uma industria que provoca a emissão, mas a emissão que solicita a creação de industrias sem razão de ser.

Esta solicitação dos pseudo-capitaes procurando collocação a todo transe, reunida ao esforço pseudo-patriotico para a nossa emancipação industrial absoluta, gerou a estructura actual da organisação da nossa industria, organisação viciosa, porque ella daria como resultado a extincção do commercio internacional e o isolamento dos povos e porque nenhum povo dispõe nem das aptidões, nem dos elementos naturaes, nem dos recursos economicos para realisar semelhante aspiração.

O resultado dessa politica industrial nós a conhecemos de uma fórma bem dolorosa.

Antes que a emissão desordenada e louca de papel tivesse manifestado seus effeitos completos, durante o tempo em que o valor e o credito se diluiam na massa geral do papel-moeda; antes que a baixa do cambio viesse mostrar aos mais cegos que o succo era o mesmo e que só o bagaço havia augmentado, manifestou-se a illusão de abundancia quasi inexgottavel de capitaes.

Organisaram-se emprezas de todas as especies e a esperança de que immediatamente o Brasil se tornaria um grande paiz industrial parecia transformar-se em realidade.

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Em breve tempo, porém, a illusão dissipou-se, deixando ver bem claro que os capitaes não se haviam multiplicado, que o credito havia cahido desastradamente e que os recursos distribuidos a cada uma das emprezas eram absolutamente insufficientes para seu desenvolvimento.

Verificou-se — e já tarde — que tinha havido dispersão excessiva do capital e começou-se então o trabalho de sua concentração.

Uma grande somma, porém, de capital circulante havia sido transformada em capital fixo, immobilisando-se em machinas e edificios, ficando assim improdutivo durante muito tempo ou inutilisando-se para sempre.

Essa immobilisação improductiva e essa inutilisação definitiva de capitaes acarretaram, como consequencia, o empobrecimento do paiz e perturbações graves nas nossas condições financeiras.

Ainda mais, o trabalho reparador se faz não em favor de industrias naturaes, que teem condições de vida propria, mas em favor das que por causas variadas teem merecido a protecção dos poderes publicos.

Essa proteção consiste na elevação de tarifas das alfandegas, tarifas que, em muitos casos, quasi se tornaram prohibitivas.

Por esta fórma tornou-se o Estado o agente principal da selecção das industrias que procuram desenvolver-se no paiz.

Julgando tudo á priori, procurou-se organisar ao mesmo tempo um sem numero de industrias, dispersando-se de um modo exagerado o capital social, diluindo por essa fórma o seu poder fecundante.

Sem a sensibilidade bastante delicada para perceber quaes as industrias mais naturaes, agindo sob a pressão de interesses politicos variados, o Estado desvia o elemento de vida das industrias naturaes e já existentes para outras que são puramente parasitarias.

Dahi resulta que deixamos de importar productos que só podemos fabricar com grande esforço e por alto preço, para importarmos productos que poderiamos fabricar com pequeno esforço, por preço baixo e com lucros reaes para os capitaes nelles empregados.

Augmentamos o preço dos objectos de consumo, tornando a vida cara sem vantagem para os industriaes que poderiam tirar os mesmos lucros em industrias naturaes, sem pesar sobre o consumidor, sem exercer uma funcção antipathica para aquelles que são victimas da carestia da vida.

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Importamos cereaes para não importarmos phosphoros; importamos gado para não importarmos sedas.

O nosso patriotismo exulta com esta politica industrial curiosa: Importamos caro aquillo que podiamos produzir barato e produzimos caro aquillo que podiamos importar barato, fórmula que representa degradação economica, pois que ella se traduz no emprego dos nossos capitaes e do nosso esforço para elevar o preço dos objectos de consumo, tornando a vida cada vez mais dura e mais difficil.

Ora, a industria não constitue um fim a que se deve procurar attingir á custa de todos os sacrificios, mas simplesmente um meio de tornar mais facil, mais confortavel e mais feliz a vida humana.

E como a amplitude e a intensidade da vida se traduzem pelo consumo, o fim da industria é tornar possivel o maximo de consumo, o que se consegue augmentando o poder acquisitivo do homem e diminuindo o preço dos productos.

Para obter-se esse resultado é necessario procurar-se o trabalho que dê o maximo de producto com o minimo de esforço, o que se traduz por grandes lucros para o productor, coincidindo com preços baixos para o consumidor.

É nesta harmonia entre dous elementos, que parecem irreconciliaveis, que está a solução do problema industrial e economico.

Para attingir-se a esse desideratum duas são as condições necessarias:

A primeira é não perder de vista que, sendo ainda muito limitado o nosso capital social e o nosso credito, somos forçados a limitar tambem a esphera de nossa vida industrial, para evitarmos a dispersão e a consequente esterilisação dos nossos recursos.

A segunda é ter sempre em mente que o capital não precisa de guia, nem de mentor governamental para chegar ao ponto em que elle encontra maior renda, determinando assim a industria que convém fundar.

Nenhum governo, por mais sabio, mais poderoso e mais patriotico que seja, póde substituir-se á acção dos milhares de homens de negocios, que, impellidos pela grande força do interesse individual, esclarecidos por longos annos de pratica, dividem a solução de um problema destes emmilhares de problemas parciaes, a que cada um póde, pela competencia adquirida, pelo estudo e experiencia de muitos annos em uma esphera determinada, dar a melhor solução possivel.

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Nem se diga que este modo de resolver o problema industrial póde muitas vezes, satisfazendo a interesses individuaes, não attender ao interesse publico.

O interesse publico está sempre na satisfação das necessidades mais urgentes da sociedade; e, como essas são sempre as mais bem retribuidas, como o capital procura expontaneamente a maior retribuição, elle pôr-se-ha ao serviço das necessidades mais urgentes da sociedade e sem a acção governamental satisfará aos interesses publicos ao mesmo tempo que aos interesses individuaes.

Subordinemos paciente e corajosamente a nossa expansão industrial á pequenhez dos nossos recursos economicos, e limitemos a acção governamental ao que ella póde offerecer de mais util e de mais salutar ao desenvolvimento industrial de nossa patria: a Ordem por meio da Liberdade, mantendo a paz a todo transe e fazendo desapparecer todas as pêas regulamentares que entorpecem os movimentos da actividade individual.

Depois, devemos reflectir que o proteccionismo contribuiria talvez para o desenvolvimento exagerado de grandes fortunas, que, entre nós, poderiam crear uma especie de aristocracia do dinheiro.

E como no maior numero de casos as emprezas industriaes productoras de grandes fortunas só se poderiam manter á custa da protecção pelas tarifas, as lutas partidarias, entre nós, poderiam ser dominadas pelos interesses dos industriaes poderosos e não pelas grandes idéas políticas.

A supremacia do industrialismo poderia trazer-nos grandes males sociaes, deixando-nos talvez a fórma, mas fazendo-nos perder com certeza a substancia de nossa liberdade.

Não podemos, como muitos aspiram, tomar os Estados Unidos da America do Norte como typo para nosso desenvolvimento industrial, porque não temos as aptidões superiores de sua raça, força que representa o papel principal no progresso industrial desse grande paiz. Nem devemos considerar o proteccionismo como agente exclusivo, nem mesmo principal, do progresso industrial da America do Norte, pois a industria de transportes por caminhos de ferro, que jamais alli gosou de protecção official, representa, entretanto, a maior victoria industrial dos Americanos sobre todos os outros povos do mundo.

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Seja, pois, esta a fórmula da nossa politica industrial:

Produzir barato aquillo que só podemos importar caro, e importar barato aquillo que só podemos produzir caro.

Por esta fórma teremos o maximo de producção com o minimo de esforço, o que se traduz por grandes lucros para os productores e preços baixos para os consumidores, isto é, riqueza e vida facil e confortavel.

***

A crise financeira e a febre industrial de que acabamos de fallar acarretaram para a agricultura perturbações de tal ordem que essa fonte principal de nossas riquezas está sob a acção de uma crise profunda e de difficil solução.

A atracção que a vida das cidades exerce sobre os operarios, a acçãoque os lucros grandes e rapidos das industrias protegidas exercem sobre os capitaes e sobre os braços, a desconfiança caracteristica das épocas de crises financeiras são outras tantas causas de drenagem que soffre a agricultura em seus elementos mais importantes de producção.

Accrescente-se a isto a elevação de salarios produzida entre outras causas pela carestia de vida e pelo habito de uma existencia mais confortavel e por isso mesmo mais dispendiosa por parte dos operarios e ver-se-ha facilmente uma das faces mais importantes de nossa crise agricola.

Si em condições financeiras normaes os defeitos intrinsecos do credito agricola constituem uma das grandes difficuldades da lavoura, póde-se imaginar os embaraços que elles devem produzir nas condições em que nos achamos.

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Além dessas causas geraes, outras individuaes actuam no mesmo sentido: a falta de instrucção, de previdencia, de energia, de actividade e sobretudo de eonomia da parte de muitos dos nossos agricultores.

Sem duvida o Estado contribue de certo modo para formação de algumas daquellas causas geraes. É, pois, do dever delle procurar removel-as.

O agente principal da nossa situação financeira é a desvalorisação da nossa moeda, consequente á emissão exagerada de papel-moeda inconvertivel.

O resgate real desse excesso de papel é, pois, para a agricultura, como para todas as outras actividades nacionaes, o primeiro dos deveres do Governo.

Não pensam assim aquelles que acreditam ser a baixa do cambio um elemento favoravel aos agricultores do café.

Antes que o estado cambial tenha exercito sua influencia malefica sobre todas as relações economicas do paiz, é certo que essa crença tem alguma cousa de real; desde, porém, que a baixa do cambio tenha elevado o preço de todos os elementos que contribuem para a producção do café, o excesso do preço de renda calculado em papel-moeda é neutralisado pelo excesso no custo de producção. (...)

Si não ha vantagem nem prejuizos directos debaixo do ponto de vista que acabamos de considerar, é certo que a cultura do café soffre indirectamente, como todas as actividades sociaes, com a crise financeira, que, abalando o credito e deslocando os capitaes, difficulta as operações economicas necessarias a todo o trabalho humano na sociedade.

O desvio de braços e capitaes da agricultura é outro facto de que o Estado tem responsabilidade directa, pois elle tem impellido esses elementos de producção para muitas industrias artificiaes por meio de tarifas ultra-proteccionistas.

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Moderar o proteccionismo industrial é, pois, outro dever do Estado para com a agricultura.

Outra causa de caracter geral, que contribue para a crise da lavoura, é a que se manifesta na organisação do credito agricola.

Legislar, pois, não só para fazer desapparecer tudo o que possa estorvar a constituição de estabelecimentos de credito agricola, e, mais ainda, estimular por todos os meios indirectos a creação destas instituições, procurando sempre assimilar o mais possivel o credito agricola ao credito commercial e industrial, é ainda outro dever do Estado para com a lavoura.

O systema Torrens que realisa esse desideratum e que tem dado resultados brilhantes nos paizes em que tem sido applicado, nenhum resultado deu entre nós.

Convém indagar a causa desse desastre e remover, tanto quanto possivel aos poderes publicos, as difficuldades com que essa bellissima instituição está lutando em nosso paiz.

A instrucção agricola, não sómente a que se ensina nas escolas superiores, como acontece entre nós, mas a que se dirige ás classes médias e populares; as conferencias, os artigos, não em jornaes especiaes, mas na propria imprensa politica, que conta um circulo de leitores maior e mais certo; os concursos, não sómente esses que se realisam pelas exposições em que causas accidentaes e artificiaes dão muitas vezes a victoria áquelles que menos a merecem, mas o concurso real em que os juizes, visitando os estabelecimentos em occasião inesperada, podem apreciar o estado verdadeiro e real dos trabalhos agricolas; todos esses agentes, todos esses elementos impulsivos de industria agricola são a obra por excellencia das sociedades de agricultura, ás quaes em um paiz como o nosso, em que a iniciativa particular é tão fraca, o Estado deve fornecer todos os meios de prosperidade, sem entretanto nunca substituir-se a ellas exercendo directamente suas funcções.

A educação moral não é menos importante na agricultura que a instrucção; mas essa, só a escola dura e ás vezes cruel da experiencia póde fornecer.

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A imprevidencia, o amor á ociosidade e a dissipação são vicios que só podem ser curados pelos males e soffrimentos que elles acarretam.

Procurar afastar esses soffrimentos de um modo absoluto é perpetuar aquelles vicios, é destruir o unico agente natural e efficaz de regeneração.

Quando se manifesta uma crise no trabalho, é dever do Estado afastar todas as causas com que elle tenha contribuido para aquelle mal; mas seria contra os principios de justiça proteger os ineptos, os imprevidentes, os viciosos, com o sacrificio daquelles que lutam, que se esforçam e que vencem com os elementos proprios da energia individual.

A unica solução do problema em taes casos é, submettendo-se a essas leis, proceder de accordo com ellas.

Restringir a cultura de café aos pontos mais productivos, procurando outras culturas d'entre tantas que podemos explorar com grandes vantagens, é o que de um modo lento e gradual se ha de dar fatalmente.

O proprio interesse individual, sem acção do proteccionismo, para o qual já muitos appellam, ha de resolver o problema nesse sentido.

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Limitação no desenvolvimento da produção do café (...) e aperfeiçoamento do preparo desse producto, são os unicos meios de evitar a aggravação da crise actual e o apparecimento de crises iguaes no futuro.

Si estes dous resultados só pódem ser obtidos pela acção particular, si o Estado nada póde influir de um modo efficaz sobre o preço do café, elle póde entretanto, modificando certos factores que oneram esse producto, augmentar a renda liquida do productor.

Esses factores são o custo de transporte e os impostos de exportação.

Os deficits enormes das estradas de ferro mostram de um modo bem claro que a União já foi além do que era rasoavel nesse sentido; os Estados, porém, que teem interesses directos na cultura do café, podem auxilial-a com a reducção dos impostos que a oneram, e que diminuem a renda liquida dos lavradores.

Não penso, porém, que essa acção estadoal deva ser indefinida, pois que ella poderia contribuir artificialmente para maior desenvolvimento da producção do café, mas que ella se deve exercer tão sómente o tempo necessario para a multiplicação das nossas culturas.

Confesso, porém, que tenho mais confiança na solução da crise do café pela acção individual de que acima fallei, do que pela intervenção governamental que acabo de indicar.

** ministério não pode ajudar tanto a agricultura quanto o Dep. Agric. dos EUA

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** crise fez mal ao comércio, que porém reage com virilidade e honestidade ímpar.

Com a extincção do serviço de immigração feito pela União, a corrente immigratoria para o Brasil deverá soffrer uma diminuição sensivel.

Não considero este facto um mal, debaixo de todos os pontos de vista, para o nosso paiz, mesmo porque o considero transitorio, devendo desapparecer quando estiver definitivamente estabelecida a immigração expontanea.

Antes de tudo, é preciso considerar que, grande numero de immigrantes que vinham por conta do Estado, voltavam aos seus paizes sem que aqui tivessem deixado o menor vestigio de sua passagem, a não ser a despeza para o Thesouro, de modo que os sacrificios impostos á Nação não correspondiam ao povoamento do nosso territorio.

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Depois, havendo uma grande differença entre diversos Estados da União quanto ao poder attrahente sobre os immigrantes, differença relativa ao clima, salarios, meios de transporte, costumes e outras circumstancias, a corrente se estabelecia fatalmente para certos Estados em detrimento de outros, quaesquer que fossem os meios empregados para evitar esse inconveniente. (...)

(...) esse serviço trazia-nos sobretudo homens sem tendencia para se fixarem definitivamente em nosso solo, augmentando o nosso capital social com os lucros do seu trabalho.

Ao contrario, esses lucros, sendo enviados em grande parte para fóra do paiz, pesam na balança commercial como um augmento de importação, e, entrando no mercado cambial, influem de modo desastrado sobre a baixa do nosso cambio.

** excesso de imigrantes criava quistos "atirando para segundo plano os attibutos que possuiamos como Nação"

A grandeza e a felicidade de um povo não estão simplesmente na sua grandeza numerica, nem nas suas riquezas materiaes.

Os attibutos moraes da raça, a indole pacifica, o amor ás instituições politicas livres, a tolerancia religiosa e outras qualidades deste genero, são para mim, muito mais importantes; e eu prefiro sem hesitar para a minha patria a felicidade da Suissa, á grandeza da Russia ou da Allemanha.

Não devemos, pois, sacrificar a um desenvolvimento material rapido a perda dos grandes attributos de nossa nacionalidade, alguns dos quaes devem constituir motivo de justo orgulho de nossa parte.

Não defendo, nem sustento o nativismo intolerante; precisamos de elemento extrangeiro, para povoar o nosso paiz, para fecundar as nossas riquezas naturaes, melhorando as condições de nossa vida material, mesmo para ceder-nos algumas qualidades moraes que não possuimos em quantidade sufficiente; mas devemos ter sempre em mente que o nosso poder assimilador é fraco e que, si nosso esforço pelo progresso material não for reflectido e moderado, a nossa nacionalidade soffrerá golpes profundos e irreparaveis.

Em alguns pontos do Brasil esse phenomeno já começa a revelar-se de um modo inquietador e basta o apparecimento, entre nós, embora confuso ainda do socialismo, essa volta da sociedade á escravidão primitiva, para nos fazer ver o perigo que póde trazer-nos um desenvolvimento precipitado e imprudente.

Não procuremos imitar tambem neste ponto os Estados Unidos da America do Norte; não temos o poder assimilador energico e intenso desse grande povo.

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Elle póde quasi sem esforço digerir, absorver, assimilar e aproveitar para seu crescimento essa grande massa de alimentos que lhe vai chegando todos os annos de todos os pontos da terra.

Nas mesmas condições nós seriamos digeridos, absorvidos e assimilados pelo elemento extrangeiro.

O paiz cresceria, mas o fundo de nossa nacionalidade teria desapparecido.

** diz que sem incentivo estatal só virá o imigrante sem ilusões ou promessas fantásticas, que sonha voltar para sua terra, e leva de volta tudo que acumular aqui.

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Esforcemo-nos, pois, para assegurar e fortalecer a corrente de immigração expontanea (...).

Cortemos o nosso territorio de estradas de ferro (...)

Os nossos trabalhos publicos foram em grande parte suspensos por auctorisação legislativa, de que o Poder Executivo se viu forçado a usar por falta absoluta de recursos.

Si essa suspensão foi devida ás nossas condições financeiras, não é menos verdade que para a producção do nosso estado economico precario muito contribuiram esses trabalhos publicos.

(...) leis orçamentarias da Republica encerram grande quantidade de verbas destinadas a obras estadoaes e ás vezes puramente municipaes.

A nossa Constituição Politica, reduzindo as fontes de renda da União, reduziu, como era logico, os serviços a cargo do Governo Federal.

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(...) cada Estado julga-se com direito de exigir todos os annos a execução de obras federaes em seu territorio, e solicitada ou antes arrastada por todos os lados, a União divide, retalha a verba destinada a essas obras em uma infinidade de parcellas ás vezes ridiculas com o fim de satisfazer ás exigencias de diversos Estados.

Imagine-se quando poderão ficar promptos portos para cujo melhoramento se votam 100 ou 200 contos ao cambio actual, como se nota no orçamento vigente. (...)

Imaginem-se as sommas enterradas e paralysadas nessas obras sem termo, e os juros que se perdem desses capitaes empregados em obras que nada produzem, porque nunca estão acabadas.

** estende-se além do gif 44, pelo menos, antes de entrar no relatório propriamente dito

 

Agricultura, 1896
Ministerio da Industria, Viação e Obras Publicas
- apresentado em maio de 1897
ministro Joaquim Murtinho

Darwinismo econômico
Viação férrea

Ofício Cruls

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