Bernardes, 1926
Mensagem ao Congresso

p. 24

Mudança da Capital

Na ultima Mensagem que vos dirigimos não queremos deixar de insistir no assumpto da transferencia da Capital Federal para o interior do paiz.

Reconhecida necessaria desde a substituição do regimen, a ponto de ser determinada na Constituição, a conveniencia da mudança da capital é cada vez mais premente. Razões financeiras, administrativas, economicas e politicas se conjugam para impôr, sem mais delongas, a localização da séde do governo em meio mais adequado ao exercicio desembaraçado de suas funcções.

O Governo Nacional deve desenvolver a sua acção em um centro, do qual possa auscultar o sentimento nacional, com exactidão e calma, sem a visão alterada por um local improprio de observação, sem a reflexão perturbada pelo tumulto de uma grande cidade cosmopolita e onde a segurança material dos representantes dos poderes publicos se ache fóra do alcance de ataques externos e de attentados internos.

p. 25

No interior do paiz, a capital seria um laço de connexão entre as diversas unidades federadas e poderia irradiar para todas as direcções as vias de transporte e communicação e outros elementos de progresso da alçada da União; e, em emergencia de defesa nacional, a actuação do Governo seria muito mais segura e efficiente.

Não é somenos a consideração financeira, quando se attenta em que, num orçamento depauperado, dezenas de milhares de contos despende a União, annualmente, no Rio de Janeiro, em serviços de natureza local. A economia feita com a passagem desses encargos ao futuro Estado, em que se converterá o Districto Federal, seria mais do que sufficiente para custear as despesas da construcção da nova capital e da sua ligação a todos os Estados, se o Congresso não preferisse alguma das propostas já apresentadas para essa obra.

Era esse um dos assumptos que traziamos em mente para o governo, não nos tendo sido possivel dedicar-lhe a attenção necessaria, devido ás circumstancias que têm absorvido as preoccupações da administração e os recursos da Nação.

Viação ferrea

A conveniencia do desenvolvimento da viação ferrea é assumpto, pela sua evidencia e accordo de opiniões, fóra de discussão. Mas, se essa conveniencia está acima da controversia, o mesmo não succede relativamente á opportunidade do proseguimento das construcções.

Opiniões das mais auctorizadas, ás quaes convictamente nos alliamos, sustentam a necessidade de uma pausa nos prolongamentos das linhas, afim de que se possa, neste periodo, voltar a attenção e os recursos disponiveis para o melhoramento das estradas existentes e o seu conveniente apparelhamento. É tambem necessario fazer produzir e render as terras que marginam as estradas de ferro existentes, mesmo colonizando-as. No nosso systema politico, a União não tem meios de promover o aproveitamento dessas terras, mas os Estados podem estimulal-o e até forçal-o, quer pela colonização, quer tributando mais pesadamente os terrenos marginaes, que se conservem incultos ou applicados a explorações que não sejam as mais adequadas á sua qualidade e situação.

(...)

   

Documento

Referências

Brasília nos planos ferroviários (DF)
Ferrovias concedidas do plano de 1890 | EF Tocantins | Cia. Mogiana | Ferrovia Angra-Catalão | EF Goiás | Ferrovia Santos - Brasília
O prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil | A ferrovia da Cia. Paulista | Ferrovias para o Planalto Central | Documentação
A idéia mudancista | Hipólito | Bonifácio | Independência | Império | Varnhagen | República | Cruls | Café-com-leite | Marcha para oeste | Constitucionalismo | Mineiros | Goianos | Projetos de Brasil | Ferrovias para o Planalto Central
 
  
    
 
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