Castello Branco, 1965
Mensagem ao Congresso

p. 139-141

A política de transportes

O programa de governo visa, fundamentalmente, o eficiente e econômico atendimento de demanda de transportes, e a eliminação do importante foco inflacionário representado pelas emissões necessárias à cobertura dos déficits operacionais. Para tanto, programa-se a redução dos custos de transportes e sua gradativa transferência para os usuários, através dos fretes, convergindo ambos para o equilíbrio financeiro das autarquias envolvidas, de modo a inverter a tendência à participação crescente da coletividade nos custos de transporte.

A despeito de não ser, sempre, do ponto de vista nacional, o meio de transporte ideal, o setor rodoviário absorveu, nos últimos anos, 80% do incremento da demanda. Isto se deveu, em grande parte, às suas condições de rapidez, segurança e flexibilidade, não representando, obrigatoriamente, o preço mais baixo que o usuário pode desfrutar. A participação dos setores marítimo e ferroviário nas mercadorias transportadas decaiu de 67% para 33% nos últimos 14 anos, o que, aliado à sua alta proporção de custos fixos e à elevação dos custos variáveis, explica grande parte dos seus crescentes déficits.

(...)

Nesse plano, e na medida das possibilidades, foram considerados os esforços no sentido de uma política ordenada de investimentos, evitando a pulverização de recursos escassos, procurando-se canalizar os investimentos para os empreendimentos prioritários incluídos nos Planos Preferenciais e, dentre estes, selecionados os de maior urgência em relação ao triênio referido.

A execução da política de transportes em [1965?] será focalizada, a seguir, nos diferentes setores.

Setor ferroviário

Através da Rede Ferroviária Federal, procurou-se, em 1964, criar condições técnicas de trabalho que permitissem progressivo aumento de produtividade, com o conseqüente reflexo na redução dos déficits operacionais.

Como realizações da maior significação, dentro do setor ferroviário, cabe ressaltar:

a) renovação de via permanente: cerca de 2.300 km de linhas foram totalmente renovados, melhorando-se as condições de tráfego do sistema pelo aumento de velocidade comercial e pelo maior peso dos trens;

b) renovação do material rodante e de tração: aquisição de 400 novos vagões e, dentro do programa de dieselização, 56 locomotivas diesel-elétricas;

c) eletrificação: concentração de recursos no sistema eletrificado das áreas do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte;

d) sinalização automática para 450 km de linha da Estrada de Ferro Central do Brasil;

e) criação de duas subsidiárias, a primeira destinada à exploração de armazéns e silos — Armazéns Gerais Ferroviários S/A (Agef) — e a segunda, a Urbanizadora Ferroviária S/A para exploração comercial do patrimônio da Rede Ferroviária Federal S/A.

Em caráter prioritário, a Rede Ferroviária Federal S/A realizou a integração tarifária. Foram efetuados, especialmente, estudos sobre as tarifas de minério e carvão, procurando aproximá-las do custo real do transporte. Isto resultará, dada a elevada participação (cerca de 20%) destes produtos no esforço de tração ferroviária, em substancial redução da subvenção necessária ao custeio da Rede Ferroviária Federal S/A. Este fato é auspicioso se lembrarmos que o percentual pago pelo usuário para o transporte ferroviário vinha decaindo, de forma sensível, nos últimos anos e, especialmente, no período 1957/63, quando passou de 46% para 28%, com a conseqüente complementação por parte da coletividade.

No que se refere à situação financeira, é importante ressaltar que o déficit previsto, antes da série de medidas saneadoras tomadas, era da ordem de Cr$ 463 bilhões, sendo reduzido no final do exercício em cerca de Cr$ 163 bilhões. Para 1965 é esperada uma considerável redução deste déficit em termos reais.

O Departamento Nacional de Estradas de Ferro iniciou suas atividades em 1964 dando início ao Programa de Ação Imediata para o triênio 1964/1966, cujas diretrizes passaram a orientar os trabalhos desta autarquia.

 

Humberto de Alencar
Castello Branco

Mensagem ao Congresso Nacional
remetida pelo Presidente da República na abertura da sessão legislativa de 1965

1965

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Referências

 

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