Castello Branco, 1967
Mensagem ao Congresso

p. 166-171

Transportes

Política do setor

O setor de transportes no Brasil ocupa uma posição de grande relevância no contexto econômico. Além de absorver uma grande parcela dos recursos reais disponíveis para formação de capital fixo, foi um dos maiores responsáveis por uma série de desequilíbrios na economia brasileira. Os deficits operacionais das empresas estatais são elevados e exercem uma contínua pressão sobre o Tesouro Nacional. No passado, havia uma íntima vinculação entre as emissões de papel-moeda e as necessidades financeiras das empresas estatais para cobrirem os gastos não financiados pela receita da venda dos seus serviços. No período de 1964 a 1966 os déficits foram acentuadamente reduzidos e a sua cobertura não esteve mais vinculada às emissões de papel-moeda, reduzindo-se, portanto, o impacto inflacionário.

Os desequilíbrios encontrados no setor não se limitam somente a aspectos financeiros. A alocação de recursos para investimento em transportes não se processava segundo critérios racionais. Deficiências institucionais tornavam impraticável a operação das várias modalidades de transportes sob uma forma coordenada e eficiente. (...)

(...) Com a assistência técnica da ONU, um grupo de técnicos brasileiros e estrangeiros reunidos no Grupo Executivo de Integração da Política dos Transportes [Geipot] trabalha há mais de um ano na elaboração de planos e programas de transportes, dentro das linhas básicas da política estabelecida. A primeira fase dos estudos acaba de ser completada, constituindo-se em planos diretores decenais ferroviários, rodoviários, portuários e marítimos, além de estudos e recomendações gerais sobre a integração e coordenação das várias modalidades de transportes.

Na reforma administrativa está prevista a criação do Ministério dos Transportes, que implementará os planos e programas estudados e dará continuidade às atividades de planejamento. Prevê-se que em 1971, caso sejam executadas as recomendações dos estudos feitos, o sistema brasileiro de transportes estará equacionado em bases racionais, eliminados, então, todos os desequilíbrios e distorções verificados no passado.

(...)

Setor ferroviário

I -- Em 1966, a Rede Ferroviária Federal S/A prosseguiu na sua política de aumento de produtividade e de redução dos deficits operacionais.

Dentre as inúmeras realizações, destacam-se as seguintes:

a) Renovação de via permanente

Tiveram prioridade os serviços e as aquisições de materiais relacionados com a remodelação da via permanente, possibilitando melhor utilização do equipamento de transporte existente, bem como maior segurança do tráfego.

b) Renovação do material rodante e de tração

Foram adquiridos, em 1966, 600 vagões para a bitola de 1,00 metro, além de 50 carros de passageiros, os quais foram construídos nas oficinas das próprias ferrovias. Destinados a atender à demanda de passageiros dos subúrbios da área do Rio, foram recebidos ainda 53 trens-unidades.

c) Eletrificação

Foram realizados serviços de eletrificação em diversas ferrovias.

d) Erradicação de linhas, ramais e estações antieconômicos

Dando-se prosseguimento ao programa traçado, totalizou-se a eliminação de 1.010 km de linhas improdutivas.

e) Resultados financeiros

No encerramento do exercício de 1966, apresentaram saldos favoráveis ems eus balanços a EF Santos a Jundiaí, a EF D. Teresa Cristina e a subsidiária Rede Federal de Armazéns Gerais Ferroviários S/A (Agef).

II -- O Departamento Nacional de Estradas de Ferro continuou as obras constantes do Plano Preferencial de Extensão Ferroviária, cabendo parte da execução à Diretoria de Vias de Transporte do Ministério da Guerra e à RFFSA.

III -- No biênio 1964/1965 destacaram-se as seguintes atividades da RFFSA:

a) Remodelação de cerca de 5.000 km de linhas, cujas obras foram concluídas em 1966; deve-se salientar também a execução de programas de sinalização e modernização de comunicações e licenciamento.

b) No setor de obras, a política adotada pela RFFSA foi a de concentrar recursos nas iniciativas que viessem a produzir sensível redução nos custos da operação ferroviária.

Nesse sentido, merecem destaque as obras de construção de variantes em várias ferrovias, a conclusão dos alargamentos de bitola na VF Centro-Oeste e na EF Leopoldina, além de sua eletrificação.

Ressalte-se, ainda, a entrada em funcionamento do ferryboat no rio São Francisco, permitindo a ligação Norte-Sul.

c) Ao parque de material rodante e de tração da RFFSA foram incorporados, no referido biênio, 56 locomotivas diesel-elétricas e encomendadas mais 69 unidades, além de 1.355 vagões e 40 carros de passageiros.

d) Quanto à erradicação de ramais antieconômicos, a medida saneadora alcançou 2.654 de linhas sem expressão econômica.

e) Relativamente a tarifas, a RFFSA vem seguindo a política de constante atualização dos preços cobrados pelo transporte sob a forma integrada em todas as ferrovias de seu sistema, desde o ano de 1964.

f) Quanto à política de pessoal, a RFFSA adotou um regime de austeridade. Não foram descurados os programas de adaptação e treinamento dos servidores. O seu número, que em 1964 era de 154.354, reduziu-se em 1966 a 140.202, ou seja, uma diferença de 14.152, devida principalmente a desligamentos voluntários.

g) O esforço no sentido de intensificar o transporte de cargas pesadas a longas distâncias redundou no aumento do nível de trabalho realizado pela RFFSA. O número de toneladas-quilômetros transportadas aumentou de 25%, entre 1963 e 1966.

 

Humberto de Alencar
Castello Branco

Mensagem ao Congresso Nacional
remetida pelo Presidente da República na abertura da sessão legislativa de 1967

1967

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