Costa e Silva, 1968
Mensagem ao Congresso

p. 56-59

Política geral de transportes

Ao estabelecer a atual política de transportes, o governo teve em mente dotar o País de uma infra-estrutura adequada às necessidades imediatas e futuras, bem como promover a integração das várias modalidades de transporte, objetivando reduzir os custos operacionais dos serviços e aumentar a produtividade de todo o sistema.

(...)

Setor ferroviário

Tanto do ponto de vista econômico como financeiro, chegaram as ferrovias brasileiras em março de 1964 a um elevado grau de deterioração, com profundos reflexos negativos de ordem psicológica e administrativa. O governo anterior tomou uma série de medidas que permitiram a correção de certos desequilíbrios. Procura o governo atual dar continuidade aos programas que encontrou em andamento e agir no setor das ferrovias de forma a aumentar a sua eficiência e melhorar a qualidade dos serviços. Consciente de que os investimentos necessários à modernização do sistema ferroviário não trarão os benefícios esperados, caso não sejam adotadas medidas precisas e urgentes no campo operacional e administrativo, fixou o atual governo as diretrizes fundamentais para essa atualização, baseadas nos estudos ferroviários concluídos, prevendo-se sua implementação no período 1968-1970.

Além do estabelecimento dessas medidas de caráter operacional e administrativo, realizou-se uma série de investimentos em 1967, destacando=-se os seguintes:

— entrega ao tráfego da variante Floriano - Agulhas Negras (16 km), na Estrada de Ferro Central do Brasil, com dormentes de concreto e trilhos soldados ao longo de toda a extensão da nova linha, possibilitando velocidade de 120 km/h;

— entrega definitiva ao ao tráfego, em bitola métrica, do trecho Divinópolis - Costa Pinto (181 km), na Viação Férrea Centro-Oeste;

— conclusão do sistema de ferry-boat sobre o rio São Francisco, possibilitando a integração ferroviária Norte-Sul, já com um intercâmbio de mais de 200 vagões mensais;

— assentamento da linha de bitola métrica na ligação Ambaí - Campos Elíseos (16 km), na Estrada de Ferro Leopoldina;

— conclusão das pontes sobre os rios Fofó (Rede Viação Cearense), Irajá (Estrada de Ferro Leopoldina) e dos viadutos de Vespasiano e Figueira de Melo (Estrada de Ferro Central do Brasil);

— conclusão das novas estações das Estradas de Ferro Central do Brasil e Leopoldina em Triagem, Penha e Santíssimo, subúrbios do Rio de Janeiro;

— remodelação de via em 1.000 km de linha; substituição de 200 km de trilhos; soldagem aluminotérmica e elétrica de 300 km de trilhos;

— recebimento de 665 novos vagões metálicos e baixa de 316 vagões obsoletos; de 69 locomotivas diesel elétricas e baixa de 302 locomotivas a vapor; de 47 composições elétricas (141 carros) para o serviço suburbano do Rio de Janeiro, propiciando um aumento diário de 30.000 passageiros;

— início da instalação da nova linha de claros do oleoduto da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí;

— aquisição do primeiro armazém plástico a ser utilizado nos piques de safra; e

— suspensão de tráfego em 123 km de linhas de baixa densidade de transporte.

Para 1968 estão previstos, entre outros, os seguintes empreendimentos:

— remodelação de 820 km de via;

— aquisição de cofres de carga, guindastes, manobradores de pátios, cavalos-mecânicos e reboques;

— remodelação do sistema eletrificado suburbano do Rio de Janeiro;

— aquisição de 500 vagões novos e recuperação de 600 antigos;

— assentamento da segunda linha de claros do oleoduto da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí;

— conclusão da variante de Hulhas Negras (Viação Férrea do Rio Grande do Sul); e

— abertura ao tráfego da ligação Ambaí - Campos Elíseos.

No que diz respeito à construção de novas linhas, destaca-se o Tronco Sul, projeto em que se concentraram 71% dos recursos destinados às novas linhas. Prevê-se para 1968 a mesma ênfase, com aplicação de NCr$ 61,2 milhões, sendo intenção do governo entregar o Tronco Sul concluído até fins de 1970. Serão aceleradas, ainda, as construções de novas linhas, cuja viabilidade econômica esteja demonstrada.

p. 96

Transferência para Brasília

A Lei nº 5.793, de 30 de novembro de 1967, fixou normas para a mudança de órgãos federais para Brasília, estabelecendo que deverão ser transferidos apenas os núcleos centrais dos órgãos da administração federal.

Empenha-se agora o Ministério do Planejamento e Coordenação Geral na definição desses núcleos centrais, de modo que se desloquem somente os funcionários responsáveis em cada ministério pela formulação de diretrizes gerais de política, pelo planejamento global e pelo controle e supervisão geral.

A mudança para o Distrito Federal, como vinha sendo feita, poderia converter-se em perigoso instrumento de desarticulação dos serviços públicos e de aumento excessivo de seu custo operacional, não só pelo risco de duplicação de serviços como pela indesejável transferência de atividades meramente executivas para a capital da República.

Como conseqüência, procede-se à tarefa de definir a estrutura local dos ministérios no Estado da Guanabara, tendo em vista o fato de que os órgãos aí estabelecidos ainda estão organizados e dimensionados de forma centralizada.

Medida de importância fundamental para normalizar o processo de transferência e acelerar as obras residenciais foi a criação da Coordenação do Desenvolvimento de Brasília — Codebrás.

 

Arthur da Costa e Silva
Mensagem ao Congresso Nacional
remetida pelo Presidente da República na abertura da sessão legislativa de 1968

1968

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Referências

 

Planos ferroviários | Linhas concedidas do plano de 1890 | EF Tocantins | Cia. Mogiana | Linha Angra-Catalão | EF Goiás | Ramal de Pires do Rio | O prolongamento da Central do Brasil | A linha da Cia. Paulista
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