1867: Tavares Bastos
Memória sobre immigração
I – Movimento da immigração
(...) Que falta para que se estabeleça aqui uma poderosa corrente
de immigração espontanea, que aliás se promove desde
o começo do seculo, desde o regimen da metropole? Faltam certas
vantagens materiaes e condições moraes do mais elevado alcance.
Tal é o ponto de vista do programma desta sociedade.
Com effeito, pretender que por si só o systema de venda das terras
nacionaes bastasse para attrahir aos Estados Unidos os emigrantes do velho
mundo, seria uma apreciação incompleta e inexacta sem se
computar a influencia das liberdades individuaes, das franquezas locaes,
da descentralisação, do ensino popular, de todas essas molas
que constituem o mecanismo da democracia moderna.
(...) Supponha-se, por um momento, a nossa organisação
social transformada: a escravidão abolida, a administração
local desembaraçada da dupla centralisação provincial
e geral, a justiça bem remunerada e confiada a mãos habeis,
muitas vias de communicação, completa discriminação
do dominio publico, subdivisão da grande propriedade, igualdade
dos cultos, governo activo e prestigioso, confiança do paiz nos
seus destinos; supponha-se isso possivel, e não se duvidará
crer que desde então faria o Brasil concurrencia aos focos actuaes
de immigração no mundo.
(...)
Em meio seculo, de 1810 a 1859, os Estados Unidos receberam pouco menos
de 6.000.000 de immigrantes. Ao periodo de 1850 a 1857 coube a metade
dessa enorme corrente. Nesses annos, a média annual foi de 377.494,
algarismo prodigioso, que entretanto ha sido ultrapassado (dr.
Jules Duval, Histoire de l'Emigration au XIX siècle, p.
186; M. John Bigelow, Estats-Unis d'Amérique en 1863, p.
278). A guerra civil não deteve o impeto da corrente; em
1863, só o porto de New-York recebia 156.843 individuos, ou cerca
de 430 por dia (The national almanac
for 1864, Philadelfia, p. 322).
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