Hipólito
Apontamentos para um plano de
Correios, Estradas e Colonização do Brasil
(...) Hipólito, como muitos outros dirigentes esclarecidos dessa
época, a começar pelo próprio Andrada, recomendava
a implementação de um programa abrangente de imigração
de agricultores europeus. O tema comparece em diversos números
do Correio, mas seria apenas no início de 1823, já interrompida
no mês de dezembro anterior a edição do Correio Braziliense,
que Hipólito elabora um plano preliminar cobrindo diversos aspectos
da ocupação racional do território brasileiro. O
documento, que tinha como título "Apontamentos para um plano
de Correios, Estradas e Colonização do Brasil", foi
remetido por mala diplomática de Londres ao próprio José
Bonifácio, em fevereiro de 1823, integrando hoje as coleções
do Arquivo Histórico do Itamaraty.
Para atender à implementação das medidas que ele
propunha, Hipólito sugeria a adoção de estrutura
administrativa própria, sob a forma de uma repartição
pública dividida em três seções:
a) correios, estradas, pontes, barcos de passageiros;
b) terras, registro de propriedades de raiz e estatísticas
do país;
c) imigração, colonização,
cultura de terras e lavra de minas.
Reconhecendo que talvez fosse difícil ter uma repartição
autônoma para esses diferentes serviços, ele propunha que
o encargo ficasse provisoriamente com a secretaria do exterior: "A
vasta importância deste objetos, num país tão extenso
e tão pouco povoado como é o Brasil, requer o cuidado de
uma repartição exclusiva, mas como por ora as relações
diplomáticas sejam as que menos tempo ocupem, pode este trabalho
anexar-se com muita propriedade ao Ministério dos Negócios
Estrangeiros".
Como vários contemporâneos, Hipólito mantinha a crença
que se deveria desestimular a vinda de comerciantes — preconceito que
seria ostentado pelas elites do Brasil até praticamente o final
da Segunda Guerra Mundial —, dando preferência aos agricultores
europeus, os únicos que poderiam realizar o objetivo prioritário:
a ocupação do solo. Desde 1813 ele expressava essa opinião:
"Os únicos estrangeiros que freqüentam agora o Brasil
são os negociantes, a pior sorte de população que
ali pode entrar, porque o negociante estrangeiro que ali chega não
possui outra pátria senão a carteira e o seu escritório,
chega, enriquece-se e vai-se embora morar no seu país natal ou
aonde lhe faz mais conta" Hipólito recomendava a importação
de artistas, mineiros, pescadores, homens de letras, que viessem ensinar,
difundindo a instrução, e, sobretudo, de agricultores, a
serem atraídos por medidas apropriadas. Em seu plano de 1823, ele
recomendava criar companhias por ações às quais seriam
distribuídos lotes (sesmarias), nos quais seriam estabelecidos
núcleos urbanos, bancos de depósito e desconto (inclusive
com a faculdade de emitir dinheiro válido nesse território)
e que contariam com isenção alfandegária para a importação
de instrumentos agrícolas e de mineração, máquinas
diversas, durante um prazo de 25 anos. A companhia pagaria ao governo
o dízimo da produção agrícola e o quinto da
mineração e ajudaria na manutenção de estradas
e pontes. Finalmente, Hipólito recomendava que se transferisse
a capital do Rio de Janeiro para o interior, menos por razões militares
do que para atender objetivos de ordem econômica e demográfica.
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Referências
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Antologia do Correio Braziliense - Barbosa
Lima Sobrinho - Livraria Editora Cátedra, Rio de Janeiro
/ INL, 1977
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Hipolito da Costa e o Correio Braziliense
- Mecenas Dourado, Rio de Janeiro, F. Bastos, 1957
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Hipolito da Costa e o Correio Braziliense
- Carlos de Andrade Rizzini, São Paulo, Cia. Ed. Nacional,
1957
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Diario da minha viagem para Filadélfia:
1798-1799 - Hipólito José da Costa, Rio de
Janeiro, ABL, 1955
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Narrativa da perseguição
- Hipólito José da Costa, Porto Alegre, UFRGS,
1974
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O senhor do tempo - Luiz Egypto: Entrevista
com Sergio Goes de Paula, autor de Hipólito de
Costa (Editora 34, Rio, 2001)
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