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Brasília e as ferrovias
Planos de viação

Vianna, Hélio. História da República.
Transportes na República - Ferrovias, rodovias e aviação. in
Queiroz, Dinah Silveira de. Livro dos Transportes.
Ministério dos Transportes, 2ª ed., Rio de Janeiro, 1970.

a) Planos de viação de predominância ferroviária

As características geográficas do Brasil determinaram o aspecto dispersivo de nossa viação interna. Contudo, não nos têm faltado os planos de coordenação que visam à correção dessa situação.

De acordo com um trabalho do sr. Moacir M. F. Silva, o primeiro desses planos, em ordem cronológica, foi o "Esboço de Plano de Viação Geral para o Império do Brasil", apresentado ao Instituto Politécnico Brasileiro em 1874 pelo engº João Ramos de Queirós, que em 1882 também o apresentou à Câmara dos Deputados. Além de prever estradas de ferro depois realizadas ou iniciadas (Rio de Janeiro - rio São Francisco; Rio de Janeiro - São Paulo; Curitiba - rio Paraná; Porto Alegre - Uruguaiana), distingue-se por ter projetado três ferrovias muito interessantes: uma do Salvador a São Luís do Maranhão, com ramal para o Recife e sub-ramais para Natal e Fortaleza; outra, denominada "Artéria Central", de Canavieiras à cidade de Mato Grosso (Vila Bela), passando pelas de Goiás e Cuiabá; e mais uma, de Porto Alegre às Sete Quedas do rio Paraná e Corumbá. Pressupunha, também, o aproveitamento dos trechos navegáveis dos nossos grandes rios do planalto. "Bem ideado, com fundamentos geográficos e econômicos, é simples, modesto, prevendo só as linhas essenciais" - concluiu o sr. Moacir M. Silva.

Mais imaginoso, e não apenas brasileiro, foi outro plano do mesmo ano de 1874, devido ao malogrado engº André Rebouças. Previa nada menos de dez "paralelas" ferroviárias, que cortariam o Brasil de leste a oeste. Seis "convergentes" de caráter fluvial auxiliariam noutro sentido essas fantasiosas "paralelas".

Um terceiro plano apresentou (ao) ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, em 1881, o engenheiro-chefe da Diretoria de Obras, Honório Bicalho. utilizando quatro grandes linhas (Leste-Oeste, Central-Norte, Central-Sul e Noroeste), conseguiria a sua "rede geral de comunicações" férreas e fluviais ligar o Rio de Janeiro às várias regiões brasileiras, dando melhor acesso ao oceano a diversas.

Do mesmo gênero, embora menos rigoroso quanto ao aproveitamento das vias fluviais, foi o chamado Plano Bulhões, que resultou da incumbência dada pelo I Congresso Ferroviário Brasileiro aos engenheiros A. de Oliveira Bulhões, Ferino José de Melo e Jorge Rademaker Grunewald.

Proclamada a República, nomeou o Governo Provisório uma Comissão, encarregando-a da elaboração de um Plano de Viação Federal, apresentado em 1890. Previu numerosas estradas de ferro, sobretudo nas regiões Sul, Centro e Nordeste, além de grandes linhas sem caráter econômico, como, por exemplo, um longo arco entre Teresina e Manaus, inutilmente prolongável pelas margens dos rios Negro e Branco.

Posteriormente, muitos foram os projetos parciais, relativos ao desenvolvimento ferroviário do Brasil. Um dos mais completos deixou-o o engº Eugênio de Sousa Brandão, em 1932, contendo... 28.000 km de prolongamentos sugeridos, em 24 linhas diferentes.

Designada pelo ministro da Viação, em 1931, organizou outra comissão, até 1934, o Plano Geral de Viação Nacional, compreendendo, além de pormenores técnicos, o traçado de 11.180 km de vias fluviais e 39.897 km de estradas de ferro, correspondentes a 21,8% e 78,2%, respectivamente, distribuídas, as ferrovias, em 9 linhas-tronco no sentido dos meridianos, 11 linhas-tronco no sentido dos paralelos e 18 ligações suplementares. Dentro e fora desse plano foram construídos, desde sua aprovação naquele último ano, uns 2.000 km de ferrovias. Modificou-se posteriormente o Plano Geral de Viação Nacional, inclusive para atenção, também, da contribuição rodoviária, ultimando esse trabalho uma outra comissão, no início de 1948.

De acordo com o noticiário pouco depois publicado, a "Comissão, após as investigações em que foram levadas em consideração razões de ordem econômicas e de segurança e defesa do país, organizou uma nomenclatura das linhas constantes do Plano Ferroviário, que, em resumo, ficou constituído por troncos principais e secundários".

(...) "Além dos troncos principais e secundários, foram traçadas 32 ligações que estabelecem a comunicação entre troncos ferroviários, deste com os marítimos e fluviais e ainda com os necessários a estabelecer a continuidade do transporte nas vias fluviais, ou as que permitem a comunicação de determinados troncos a pontos considerados de interesse militar ou econômico"».

    
1835 - Plano Vasconcelos
1838 - Plano Rebelo
1869 - Plano Morais
1871 - Carta itinerária
1874 - Plano Ramos de Queiroz
1874 - Plano Rebouças
1881 - Plano Bicalho
1882 - Plano Bulhões
1882 - Plano Ramos de Queiroz.
1886 - Plano Rodrigo Silva
1890 - Plano da Commissão
1912 - Plano da Borracha
1926 - Plano José Luiz Batista
1926 - Plano Pandiá Calógeras
1927 - Plano Paulo de Frontin
1932 - Plano Souza Brandão
1934 - Plano Geral de Viação
1951 - Plano Nacional de Viação
1955 - Comissão Pessoa
1956 - Plano Ferroviário Nacional
1964 - Plano Nacional de Viação
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1973 - Plano Nacional de Viação
         | Centro-Sul

A história em trilhos

A linguagem típica das resenhas dos diversos planos ferroviários pouco esclarece sobre o contexto das diversas propostas e seus autores: — Apenas, p.ex., que "o ilustre engenheiro" Ramos de Queiroz apresentou-o ao Instituto Politécnico.

Para quem não cultive a memória da instituição pioneira, a história da engenharia ou os grandes nomes do ofício, resta uma impressão vaga, de estudiosos que se debruçam sobre um tema e geram sucessivas idéias, a seguir levadas espontaneamente a um instituto, a um editor, a um jornal, ao governo ou ao Parlamento.

E para quem cultive, restam projetos técnicos, onde se notam características como realismo ou idealismo, hidroviarismo ou ferroviarismo, simplicidade ou complexidade — como valores aparentemente restritos ao âmbito dos próprios projetos ou, no máximo, referidos ao estágio de desenvolvimento do país em sua época, ao estágio alcançado pela tecnologia (e sua aceitação em outros países), ao estado das finanças públicas (sempre ruim) ou da conjuntura internacional, mais ou menos propícia à obtenção de empréstimos em um dado momento.

Ficam implícitos, portanto, uma visão linear de desenvolvimento, um condicionamento rígido a um movimento pendular de oportunidades de origem externa, e uma crença um tanto ingênua de que características pessoais de algumas figuras determinariam o maior ou menos sucesso do país em avançar nos trilhos de um desenvolvimento bitolado, a priori, dentro de rumos invariáveis. O contraponto a tais "grandes vultos", naturalmente, é o viés do desprezo dedicado a uma generalização que atende pelo rótulo de "os políticos", também indigitados pelo cognome de "nossos homens públicos", "otoridades" etc. — sendo obscura a distinção entre esses dois times — ambos formados por homens públicos —, uma vez que os dois lados jogavam na política. E não havendo evidência de que a "grandeza" (de uns) fosse física, nem fita métrica resolve.

  
Planos ferroviários
1835: Plano Vasconcelos | 1838: Plano Rebelo | 1869: Plano Morais | 1871: Carta itinerária
1874: Plano Ramos de Queiroz | 1874: Plano Rebouças | 1881: Plano Bicalho | 1882: Plano Bulhões
1882: Plano Ramos de Queiroz (II) | 1886: Plano Rodrigo Silva | 1890: Plano da Commissão | 1912: Plano da Borracha
1926: Plano Baptista | 1926: Plano Pandiá Calógeras | 1927: Plano Paulo de Frontin | 1932: Plano Souza Brandão
1934: Plano Geral de Viação Nacional | 1951: Plano Nacional de Viação | 1955: Comissão Pessoa
1956: Plano Ferroviário Nacional | 1964: Plano Nacional de Viação (Sul e Sudeste) (DF)
1973: Plano Nacional de Viação (Sul e Sudeste) | PNLT | PAC (Mar. 2009) | As ferrovias construídas (Dez. 2004)
Obs.: Os mapas dos planos viários são, em geral, recentes, e muito provavelmente incompletos e/ou inexatos.
Ainda sem exame dos textos e/ou mapas originais (11-Jul-2005 ). Lembrar que o Acre só foi incorporado no século XX;
Belo Horizonte só foi construída no início da República; e Goiânia, no primeiro período Vargas.
Brasília nos planos ferroviários (DF)
Ferrovias concedidas do plano de 1890 | EF Tocantins | Cia. Mogiana | Ferrovia Angra-Catalão | EF Goiás | Ferrovia Santos - Brasília
O prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil | A ferrovia da Cia. Paulista | Documentação
A chegada do trem a Brasília
Um trem para Brasília | O primeiro trem para Brasília | O trem de Brasília | Trem da Mogiana
"Trens de luxo para Brasília" | Expresso Brasil Central | Reinauguração do Trem Bandeirante
Ligação Santos-Brasília | Balanço de fim de jornada | | Pátio de Brasília será o maior | A nova estação de Brasília
Abastecimento de combustíveis | Variante Pires do Rio e mudança do DNEF
A logística da construção | As ferrovias da Novacap | Os trens experimentais do GTB
Brasília e a idéia de interiorização da capital
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