Prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil: 1911
De Pirapora a Belém
Francisco Ferreira Neto, alm. 150 anos de transportes no Brasil.
Monografia premiada em concurso do Ministério
dos Transportes e publicada
(com prefácio de Maurício Joppert da Silva) pelo Centro
de Documentação e Publicações,
Ministério
dos Transportes, 1974
Em 1911 discutiu-se no Congresso um grande projeto ferroviário,
pois nessa época era o Poder Legislativo quem elaborava os programas
de expansão dos transportes no País, através de autorização
ao Executivo e alocação de recursos financeiros que eram
introduzidos nos Orçamentos Gerais da União, ou apresentados
sob forma de Lei específica.
Esse projeto de Lei tinha sido sugerido pelo Engº Paulo de Frontin,
que exercia na ocasião as funções de Diretor da Estrada
de Ferro Central do Brasil, mas já havia mandado estudar
o assunto desde 1907, quando ocupava o cargo de Inspetor Federal de
Estradas de Ferro.
Tratava-se do prolongamento dos trilhos da Estrada de Ferro Central do
Brasil, que já se encontravam em Pirapora, até a capital
do Estado do Pará.
O projeto foi convertido em Lei e sancionado a 7 de setembro de 1911.
O empreendimento em foco, que atraiu as atenções jornalísticas
e empresariais da época, era para ser executado em 4 etapas. A
primeira seria de Pirapora a Formosa, esta situada na área onde
deveria ser construída a Nova Capital do Brasil, nos termos da
Constituição de 1891. A segunda, de Formosa a Palma [Paranã]. A terceira,
de Palma a Carolina, e a última desta cidade a Belém.
A 1ª Grande Guerra eclodiu quando ainda se processavam os estudos
básicos dessa ferrovia. As atenções governamentais
foram desviadas para os problemas gerados por esse conflito e as atividades
ligadas à construção da Pirapora-Belém voltaram
à estaca zero. Depois o projeto caiu no esquecimento. Na verdade,
não havia recursos internos suficientes para enfrentar esse empreendimento
de certo modo considerável. Por outro lado, o apelo a empréstimos
externos, no pós-guerra, era inviável.
Nessas condições, do projeto acima referido só se
concretizou a construção da ponte sobre o rio São
Francisco, a jusante da cachoeira, obra de arte que, por muito tempo,
constituiu a maior ponte metálica do País.
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