Prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil: 1946-1962
Os trilhos voltam a avançar
Com o suicídio de Vargas [Ago.
1954], o presidente Café Filho nomeia o marechal
José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque para presidir
[Set. 1954 ~ Mai. 1956]
a Comissão de Localização da Nova Capital.
A primeira viagem do marechal Pessoa ao local da futura capital — acompanhado
apenas do general Mário Travassos e de Ernesto Silva — começou
por uma escala em Pirapora [4 Fev. 1955],
onde:
«Engenheiros do DNEF [Departamento
Nacional de Estradas de Ferro] deram-nos todas as informações
referentes à construção do prolongamento da estrada
de ferro para Brasília e condições do trecho Pirapora
– Belo Horizonte» [História
de Brasília].
A presença de engenheiros do DNEF em Pirapora parece indicar que,
naquele momento, houvesse atividade nas obras do prolongamento da Central
do Brasil rumo ao planalto central.
De fato, o prolongamento de Pirapora em direção
a Formosa,
às portas do retângulo
Cruls, estava classificado no Plano
Nacional de Viação de 1951 como "em construção".
Segundo Délio Araújo, essa nova tentativa de avanço
havia sido lançada no governo [1946-1951]
do presidente Dutra, nos
anos 40.
Pedro Paulo R. Rezende aponta indícios do alcance que essa atividade
poderia ter alcançado ainda na década de 40:
A linha, ao cruzar o rio, seguiria para o norte via Formosa
e teria um ramal para Patos. Com base
em cartas de navegação da USAF dos anos 40, vê-se
que a linha foi aberta até um lugar denominado Paredão de
Minas. Em Pirapora, entrevistei pessoas que me garantiram que a linha
foi estendida até lá. Alguns pilotos também dizem
isto. O fato é que não encontrei documentos da Central sobre
a operação da linha, apenas da construção.
[Pedro Paulo Resende, cf. Ralph
Giesbrecht, Buritizeiro,
no site Estações
Ferroviárias]
Mesmo se já não houvesse tal atividade no início
de 1955, em breve poderia voltar a haver pois, ainda nesse ano, o marechal
"fez uma exposição
de motivos ao então presidente Café Filho e solicitou
a inclusão de verbas no orçamento de 1956" para
o "prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil, a partir
de Pirapora à futura Capital, com 452 km, em bitola de 1,60 m"
[História
de Brasília].
Os primeiros itinerários terrestres de Belo Horizonte ao canteiro
de obras da futura capital parecem ter aproveitado o leito em construção
e as picadas provisórias:
«O próprio Oscar Niemeyer nos informa
(...) "nas primeiras viagens que fiz de Belo Horizonte, viagens
que programava para dois dias, se estendiam por quatro, aos solavancos,
em estradas que mais pareciam atalhos, incidindo em erradas, dormindo
exausto em Belo Horizonte, Pirapora, Paracatu e muitas vezes na própria
rodovia"» [Oscar Niemeyer,
Minha experiência em Brasília, Rio de Janeiro, Vitória,
1961 - cf. Hermes Aquino Teixeira. Brasília: O outro lado da
utopia (1956-1960) - Dissertação para obtenção
de grau de Mestre em História. Universidade de Brasíli.
Datilografado. 1982. A verificar: No tempo da GEB (1956-1960): Trabalho
e violência na construção de Brasília.
Thesaurus,
1996].
As propostas do marechal Pessoa já se refletem no Plano
Ferroviário Nacional de 1956, que antecedeu a criação
da Rede Ferroviária Federal S/A.
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