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A privatização das ferrovias estatais (progressivamente
tratadas como trambolhos que só davam prejuízos) torna-se
tema recorrente nos relatórios dos anos seguintes, culminando no
de 1896, onde o ministro Joaquim Murtinho registra em detalhes a suspensão
de todas as obras, o pagamento das indenizações (2/3
do total, somente para o Barão de Drummond e Francisco Pereira
Passos) e as providências para o arrendamento das ferrovias da União
— inclusive a Central do Brasil, oferecida nos Estados Unidos e na Europa,
mas nunca arrendada, de fato, ainda por 100 anos.
A intocabilidade da Central — como a desproteção
das demais, quase todas no Nordeste — já estava patente quando
se desfez o "gabinete Rui Barbosa", Deodoro voltou-se
para figuras do Império (como Lucena) e Glicério, eleito
deputado, declarou-se descomprometido com a ditadura: «Era,
porém, intenção do orador propor a venda das estradas
de ferro da União, menos a Central, a cuja venda ou arrendamento
se oporá sempre» [Glicério,
Câmara dos Deputados, 6 de outubro de 1891].
Assim, prossegue a Central, intocada mas sujeita à falta
de recursos — outros interesses apresentam-se prioritários
—, ou ao argumento de atender interesses locais. Em nome da Federação,
são detidas obras em Estados politicamente fracos, ou retardadas
quando em Minas Gerais: «Ainda mais, quasi todas as linhas ferreas
ligadas a esses contractos, como os ramaes de Jacú e da Feira de
Sant'Anna, na Bahia, de Ouro Preto a Marianna, em Minas Geraes, de Timbaúba
ao Pilar, em Pernambuco, e outros, são de caracter puramente estadoal;
e a União não póde construir linhas estadoaes, com
as rendas federaes, sem infringir manifestadamente a Constituição
Republicana». Em nome da economia, são atingidas outras:
«Ainda mais, outras linhas, como o prolongamento da Baturité,
a do Sul de Pernambuco e o actual prolongamento da Central do Brasil são
linhas absolutamente improductivas, atravessando zonas completamente estereis,
e que só poderão servir para augmentar cada vez mais os
deficits daquellas estradas».
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| Extensão dos trechos inaugurados |
| Período |
EFCB (km) |
Brasil (km) |
Part. EFCB |
| Deodoro (Rui / Glicério) |
38
|
398
|
10%
|
| Deodoro (Lucena) |
21
|
724
|
3%
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| Floriano Peixoto |
88
|
1.373
|
6%
|
| Prudente de Morais (SP) |
167
|
2.073
|
8%
|
| Campos Sales (SP) |
29
|
1.116
|
3%
|
| Rodrigues Alves (SP) |
170
|
1.503
|
11%
|
| Afonso Pena (MG) |
98
|
2.534
|
4%
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| Nilo Peçanha (RJ)*concluiu mandato de
Afonso Pena |
148
|
1.871
|
8%
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| Hermes da Fonseca (RS) |
487
|
4.596
|
11%
|
| Venceslau Brás (MG) |
147
|
1.538
|
10%
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| Epitácio Pessoa (PB)*6%, exceto Delfim
Moreira |
78
|
1.686
|
5%
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| Artur Bernardes MG) |
300
|
2.057
|
15%
|
| Washington Luís (SP) |
0
|
1.149
|
0%
|
| Getúlio Vargas (RS)*até 1944 |
154
|
2.620
|
6%
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| República |
1.925
|
25.238
|
8%
|
| Império |
1.213
|
8.984
|
14%
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A tabela deve ser encarada com muitas
reservas. Os dados referem-se a linhas de diferentes categorias, inclusive
as absorvidas pela EFCB (em 1890, por exemplo, não mostram a absorção
da EF S. Paulo e Rio, inaugurada antes; e em 1893 referem-se a pequenas
linhas fluminenses, enquanto no governo Rodrigues Alves referem-se à
Linha do Centro e ramal de Pirapora). Os períodos também
têm durações diferenciadas, devendo-se considerar,
além disso, a defasagem entre decisão, investimento e inauguração.
Enfim, a política não é determinado pelo simples
local de nascimento — basta lembrar as circunstâncias e compromissos
de cada aliança, variando de um período para outro. Tudo
isso considerado, a tabela é mais expressiva do que seria de esperar.
Fonte: suplemento da Revista
Ferroviária, 1945.
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