
Movimentação de terra para aplainar o retângulo da Rodoviária
(encaixada entre os taludes em primeiro plano) até o Congresso Nacional.
O "testemunho" de terra marca o ponto zero — cruzamento dos eixos
Monumental e Rodoviário — e indica o nível anterior do terreno.
Foto: Mário Fontenelle / Arquivo
Público do DF / Digitalização: Augusto
Areal [ The
City of Brasilia / Info
Brasília ].
Rodoviária
Técnica oriental milenar
Sucessivos patamares de terreno, aplainado em degraus, criaram a base do projeto
urbanístico da Esplanada dos Ministérios e da praça dos
Três Poderes.
Do lado oeste, o patamar da Esplanada começa em anfiteatro — encabeçado
pela via de ligação entre os setores hoteleiros, em nível
mais alto, e delimitado lateralmente pelos setores de diversões.
A Plataforma Rodoviária encaixa-se nesse anfiteatro, ocultando a intensa
movimentação de ônibus que chegam e partem.
Referências
9 – (...) A aplicação em termos atuais,
dessa técnica oriental milenar dos terraplenos, garante a coesão
do conjunto e lhe confere uma ênfase monumental imprevista (fig.
9). Ao longo dessa esplanada — o Mall dos ingleses —, extenso gramado
destinado a pedestres, a paradas e a desfiles, foram dispostos os ministérios
e autarquias (fig.
10). (...)
Lúcio
Costa, Relatório
do Plano Piloto de Brasília
11 dez. 1958, quinta-feira (p. 151-153)
Carta de Lúcio Costa — O arquiteto
Lúcio Costa, autor do Plano-Piloto de Brasília, escreve ao presidente
da Novacap a seguinte carta, a propósito da marcha de construção
da futura capital:
«Prezado amigo dr Israel Pinheiro: Noto que os "técnicos"
disto e daquilo, inclusive derrotismo e oposição, andam ultimamente
preocupados com o vulto dos movimentos de terra realizados em Brasília,
por onde se vê que ainda não puderam ler, ou compreender, o que
leva mais tempo, o texto elucidativo do Plano-Piloto adotado.
A característica desse plano sempre consistiu no deliberado
cruzamento, em níveis diferentes, dos dois eixos que constituem a estrutura
urbana, utilizando-se a terra removida para esse fim na construção
das plataformas da Esplanada dos Ministérios e Autarquias e da Praça
dos Três Poderes, bem como nas cortinas laterais dos setores bancários
e comercial. Feito isto, e construído o amplo viaduto central, o arcabouço
urbano estará definido e a cidade poderá então crescer
e tomar corpo com o correr dos anos, sem qualquer impedimento.
Urbanismo o que se refere a urbs [i], não o "continental
ou interplanetário", é precisamente isto: empreender desde
logo as obras fundamentais, concebidas em função do futuro e de
modo tal que a ordenação clara e harmônica do partido adotado
se revela, de fato, uma decorrência delas.
Não se está a fazer em Brasília uma capital
de província, mas a nova capital de um País que ainda será
uma grande nação.»