Plataforma Rodoviária, cruzamento do Eixo
Monumental (nível térreo) com o Eixo
Rodoviário. Em primeiro plano, o Teatro
Nacional, e no alto o retângulo de prédios do Setor
de Diversões Sul, conhecido como Conic, em 27-Nov-2003 (primavera
/ spring). Às 9h, o movimento é pequeno e os estacionamentos
permanecem vazios.
Rodoviária
Plataforma de ligação
A Plataforma Rodoviária é o ponto de cruzamento das vias que
definem o traçado da cidade — o Eixo Rodoviário
(residencial, Norte-Sul) e o Eixo Monumental
(institucional, Leste-Oeste) — e foi projetada para ser o centro da vida urbana.
O Eixo Monumental atravessa a Rodoviária
em nível térreo, entroncando com o Eixo
Rodoviário na parte central.
O Eixo Rodoviário atravessa em nível
inferior, apelidado Buraco do Tatu (60 km/h,
sem interrupção por semáforo ou faixa de pedestres).
A plataforma superior une os lados norte e sul do Eixo
Rodoviário, mas não oferece passagem desimpedida. É
um imenso estacionamento para veículos e calçadão para
pedestres, unindo os setores cultural e de diversões.
Abriga também duas praças (que quebram o trânsito de veículos
no sentido sul) e uma extensa marquise
(lado norte) com as escadas, elevadores, lanchonetes, bancas de revistas, ponto
de táxi etc.
Plataforma Rodoviária com a Casa de Chá (Rotary Club) em primeiro
plano, e à esquerda a praça que quebra o trânsito no sentido
sul. No alto, o retângulo de prédios do Setor de Diversões
Norte (shopping Conjunto Nacional Brasília), em 9-Set-2003 (inverno
/ winter). Às 8h50, os estacionamentos ainda estão vazios.
A plataforma térrea constitui a Estação
Rodoviária de Brasília, centro das linhas urbanas (cidades
do Distrito Federal) e metropolitanas (cidades
do Entorno do DF). Originalmente também recebia as linhas de ônibus
interestaduais — hoje sediadas na Estação
(Rodo-)Ferroviária, a 6 km do Centro.
A lógica era trazer a estrada até o centro da cidade, integrando
o sistema de longa distância ao sistema de transportes urbano.
As duas alas térreas (originalmente separadas) são ligadas por
um extenso mezzanino (acompanhando a marquise
superior), que constituiu um dos primeiros centros de comércio e serviços
no centro da cidade — restaurante, livraria, barbearia, farmácia, cine-foto,
souvenirs etc.
Sob o gramado oeste (rotatória), entre os estacionamentos inferiores
do Conjunto Nacional e do Conic
foi construída a Estação
Central do Metrô DF. O acesso
se dá por escadas e elevadores na ala oeste da plataforma térrea
da Rodoviária.
Referências
5 – O cruzamento desse eixo monumental, de cota inferior, com
o eixo rodoviário-residencial impôs a criação
de uma grande plataforma liberta do tráfego que não
se destine ao estacionamento ali, remanso onde se concentrou logicamente
o centro de diversões da cidade, com os cinemas, os teatros,
os restaurantes etc. (fig.
5)
6 – O tráfego destinado aos demais setores prossegue,
ordenado em mão única, na área térrea
interior coberta pela plataforma e entalada nos dois topos mas aberta
nas faces maiores, área utilizada em grande parte para o
estacionamento de veículos e onde se localizou a estação
rodoviária interurbana, acessível aos passageiros
pelo nível superior da plataforma (fig.
6). Apenas as pistas de velocidade mergulham, já então
subterrâneas, na parte central desse piso inferior que se
espraia em declive até nivelar-se com a esplanada do setor
dos ministérios.
10 – Nesta plataforma onde, como se via anteriormente, o tráfego
é apenas local, situou-se então o centro de diversões
da cidade (mistura em termos adequados de Piccadilly Circus, Times
Square e Champs Elysées). (...). Previram-se igualmente nessa
extensa plataforma destinada principalmente, tal como no piso térreo,
ao estacionamento de automóveis, duas amplas praças
privativas dos pedestres, uma fronteira ao teatro da ópera
e outra, simetricamente oposta, em frente a um pavilhão de
pouca altura debruçado sobre os jardins do setor cultural
e destinado a restaurante, bar e casa de chá. Nestas praças,
o piso das pistas de rolamento, sempre de sentido único,
foi ligeiramente sobrelevado em larga extensão, para o livre
cruzamento dos pedestres num e noutro sentido, o que permitirá
acesso franco e direto tanto aos setores do varejo comercial quanto
ao setor dos bancos e escritórios (fig.
8).
Lúcio
Costa, Relatório
do Plano Piloto de Brasília