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Jorge Amado

Jorge Amado data de 1944 seu conhecimento com JK, então prefeito de Belo Horizonte. “Mantivemos desde então relações cordiais, participei da campanha que o conduziu à Presidência da República”.

Militante do Partido Comunista, coube a Jorge Amado conversar assiduamente com o candidato à Presidência, propondo-lhe pontos de vista. “Nosso relacionamento foi sempre excelente, Juscelino ouvia, discutia, levando ou não em conta a opinião daqueles aliados por vezes incômodos”.

Teve poucos contatos durante a Presidência — como ao apresentar-lhe Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir — mas acompanhou, “com entusiasmo, sua atuação que modificou a face do Brasil e infundiu confiança ao nosso povo, quatriênio de cordialidade e alegria, de exaltada esperança”. Afirma Jorge Amado ter sido “um dos que sentiram desde o início a grandeza do projeto de Brasília”. No quinzenário de cultura “Para Todos” — que dirigia com Niemeyer, Moacyr Werneck de Castro e James Amado — “nós nos batemos por Brasília”.

A maior aproximação, porém, deu-se após 1964, quanto JK “passou a ser visto como o oposto da ditadura. (…) Juscelino, tão fundamentalmente civil e brasileiro, era o avesso da casta que se estabeleceu em Brasília. Por isso mesmo foi perseguido de todas as maneiras. Tentaram humilhá-lo, feri-lo, desmoralizá-lo, degradar sua imagem perante a nação, criar um fosso de mentiras e misérias entre ele e o povo. Nada conseguiram, no ostracismo seu prestígio cresceu, o amor do povo não lhe faltou em nenhum momento”.

Particularmente preciosa é sua rápida descrição da guerra contra a eleição de JK para a Academia Brasileira de Letras:

“Nos meus já passados vinte anos de membro da Academia, jamais assisti a tamanha, tão violenta e tão cínica pressão governamental sobre a Ilustre Companhia. Destinada a obter a derrota do candidato que, perseguido e acossado, desejava encontrar naquela casa de cultura (que tanto lhe devia) paz e afeto, oásis num deserto de maldições. O governo, por seus mais diversos órgãos, pressionou os acadêmicos de todas as maneiras, com promessas e ameaças. Os homens da ditadura não podiam aceitar que Juscelino conquistasse sequer uma simples eleição acadêmica” [Prefácio de Jorge Amado, p. IX-XI].

Bibliografia
braziliense

Conterrâneos Velhos de Guerra - roteiro e crítica - 7 Nov. 2014

Como se faz um presidente: a campanha de JK - 21 Ago. 2014

Brasília: o mito na trajetória da Nação - 9 Ago. 2014

Luiz Cruls: o homem que marcou o lugar - 30 Jul. 2014

Quanto custou Brasília - 25 Set. 2013

   

Bibliografia: Brasília, Brasil
JK: Memorial do Exílio


 
Flavio R. Cavalcanti - Set. 2013
[com informações do Prefácio do Autor, p. XIII-XVI]
Capa do livro "JK: Memorial do Exílio", de Carlos Heitor Cony

JK: Memorial do Exílio
Carlos Heitor Cony
Edições Bloch, Rio de Janeiro, 1982
188 páginas
Prefácio de Jorge Amado


Este livro integra — ou fecha — o projeto editorial das “Memórias de JK”:

  • Meu caminho para Brasília, em 3 volumes:
    • A experiência da humildade
    • A escalada política
    • 50 anos em 5
  • Por que construí Brasília
  • JK: Memorial do Exílio

O quarto volume — Por que construí Brasília — condensa, em parte, os três primeiros.

JK chegou a ver publicados apenas o primeiro e o quarto volumes. Os outros dois, só foram publicados após sua morte.

Nesses quatro volumes, JK limitou sua autobiografia somente até 31 de Janeiro de 1961, quando entregou a faixa presidencial ao sucessor regularmente eleito pelo voto popular.

“Escrita numa época de censura, a autobiografia de JK não incluiu o longo período que se seguiu: a senatória por Goiás, a crise da renúncia de Jânio Quadros, a fase parlamentarista, o governo de João Goulart, o movimento de 1964, a cassação de seu mandato e a suspensão de seus direitos políticos, os dias de exílio, os IPMs a que respondeu, a prisão em Dezembro de 1968, a sua participação na atividade privada” [Prefácio do Autor, p. XIII-XVI].

Este quinto volume — JK: Memorial do Exílio — abrange o período que vai da transmissão do cargo a Jânio Quadros, em 31 Jan. 1961, até sua morte, em 22 Ago. 1976.

Ao contrário dos volumes anteriores, — onde JK [“auxiliado” por Caio de Freitas] “fala”, na primeira pessoa, — aqui é o jornalista, cronista, escritor Carlos Heitor Cony quem “fala”, de modo inconfundível e contundente [com a colaboração de Alfredo C. Machado; e o trabalho de Carlos Roberto de Souza e Carlos Affonso de Lima nas pesquisas e na produção do livro].

A “produção” fundamental, porém, seguiu as mesmas linhas, do primeiro ao último volume da série: o próprio JK, instigado por Adolpho Bloch, e partindo de seus arquivos pessoais, redigiu as memórias.

Na revista Manchete, onde lhe foi reservado um escritório, o ex-presidente envolveu-se cada vez mais no ambiente jornalístico, nos trabalhos e discussões. Ao morrer, levava consigo um livro, cuja resenha deveria escrever para a revista.

Cony só veio a conhecer JK, pessoalmente, após ambos deixarem, separadamente, a prisão, em 1968.

“Mais tarde, a intimidade de tarefas comuns, a convivência diária nos últimos anos de sua vida, alguns momentos de alegria e tristeza compartilhados — tudo isso nos tornaria amigos e íntimos” [Prefácio do Autor, p. XIII-XVI].

Como resultado dessa convivência — e na impossibilidade de JK escrever o final de sua biografia, — ficou acertado entre ele, Bloch e Cony que a este caberia escrever o último volume.

Para este volume — cujo título seria “Mil dias de exílio”, referência a três anos vividos no exterior, — JK passou a redigir um diário, além de notas e rascunhos, parcialmente sistematizados por ele mesmo. Como Caio de Freitas, colaborador dos livros anteriores, já se encontrava adoentado, Cony passou a ajudá-lo na tarefa. Parte desse material — exceto o diário, entregue à família, — ficou em poder de seu editor Adolpho Bloch.

O trabalho passou a ser cobrado por Bloch após a morte de JK, e foi publicado originalmente em capítulos semanais, na revista Manchete.

No primeiro subperíodo, — de 1961 a 1964, quando JK ainda era, “na plenitude”, um homem público, participante ativo da vida nacional — Cony colocou maior ênfase no painel político da época.

Daí por diante, de perda em perda, o que emerge é, cada vez mais, o próprio JK, “à medida que os trancos da vida pública foram desbastando essa personalidade”.

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Adolpho Bloch

Adolpho Bloch cita, de passagem, as tentativas dos amigos de JK de ajudá-lo a estabelecer um escritório comercial, na Europa ou nos Estados Unidos, que lhe permitisse obter meios de sobrevivência, nos anos de exílio.

“Achei graça disso tudo”, diz Bloch. Em sua opinião, JK deveria dedicar-se a escrever suas memórias. “Eu insistia. E o entusiasmo se apoderou dele. As páginas começaram a surgir às centenas. O presidente lia e relia os trechos. Quando recebia provas para a revisão, ficava feliz”.

Quando JK começou a reunir material para o quinto volume, cujo título seria “Mil dias de exílio”, Carlos Heitor Cony passou a ajudá-lo. “JK nele confiava. E com ele deixava apontamentos para que Cony, mais tarde, escrevesse o último volume da série” [“Orelhas”].

Riedinger

Edward Riedinger situa “Meu caminho para Brasília”, 3 vols., em “1975-1978”, e acrescenta alguns detalhes em seu depoimento:

“O terceiro volume das memórias de Kubitschek, “Cinquenta anos em cinco”, foi organizada pelo romancista e jornalista Carlos Heitor Cony. Em uma entrevista com o autor (Rio de Janeiro, 7 Out. 1977), Cony explicou que a pesquisa e a redação das memórias tinham sido feitas pelo dr. Caio de Freitas, antigo assessor do ex-presidente. Uma vez compilado o material, o dr. Freitas consultou Kubitschek a respeito de adições, modificações e eliminações de partes do texto.

“As memórias começaram a ser publicadas em 1975 em apoio à candidatura Kubitschek à Academia Brasileira de Letras. A fim de não provocar personalidades dentro do governo militar da época, as memórias não traçam retratos ofensivos de figuras militares ou simpatizantes civis do governo. Consequentemente, denotam muito pouca irritação com a oposição movida contra Kubitschek por oficiais como Dutra, Canrobert e Távora. Compensando esta moderação, mostram-se inteiramente críticas em relação a civis como Café Filho. Uma consequência irônica dessa ênfase é dar a Café Filho uma aparência de força e decisão que ele realmente não tinha.

“As memórias de Kubitschek têm um aspecto em comum com as de Juarez Távora. Ambos geralmente atenuam os fatos quando mencionam qualquer iniciativa própria referente à atividade política, alegando que tais investidas foram estimuladas por amigos e correligionários. Diferentemente das de Juarez, porém, as memórias de Kubitschek refletem constantemente sua energia. Juarez, ao contrário, refere-se invariavelmente à sua fadiga mental, à necessidade de repouso e solidão. Café Filho, em suas memórias, ao invés de tentar minimizar o seu papel, geralmente procura mostrar que estava realmente no centro das decisões e atividades, e não manipulado pelos militares e pelas figuras da UDN que o rodeavam” [Riedinger: Como se faz um presidente].

  

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