Metrô inaugura
estação em Brasília
Flavio R. Cavalcanti
Centro-Oeste nº 91 (1º Out. 1994)
Foi inaugurada em Set/17 a primeira estação do metrô
na área do chamado "Plano Piloto" — a Brasília
original planejada por Lúcio Costa, e cujo mapa imita um avião.
A estação fica diante da SQS 114, na ponta da "Asa
Sul".
Na busca de votos, o governo do DF também inaugurou 8 km de via
férrea na área rural que separa Brasília da cidade-satélite
de Taguatinga, além da estação da Praça do
Relógio, no início do trecho urbano de Taguatinga.
Na verdade, boa parte dos 8 km já funcionavam desde Abril pp.,
embora em via singela, ligando o Park Shopping / Carrefour, fora do Plano
Piloto, à futura cidade de Samambaia, passando pelo Guará
e a futura cidade de Águas Claras.
A inauguração parcial de Abril visava cumprir a promessa
feita pelo governador em 1990, quando anunciou o metrô para 94/Abr/21,
aniversário de Brasília.
Desde Abril, o metrô tem operado em caráter experimental,
transportando grupos de estudantes em datas marcadas; e o público
em geral em alguns sábados, gratuitamente, sem divulgação
para evitar excesso. Só em Dezembro o metrô começará
a funcionar regularmente.
A construção do metrô de Brasília — na verdade,
um bonde moderno, ou "veículo leve sobre trilhos" (VLT)
— é uma das mais baratas, graças ao uso das vastas áreas
públicas do DF, dispensando a caríssima desapropriação
de centenas de imóveis urbanos.
Além disso, a maior parte dos trajetos fica na área rural
que separa Brasília de suas cidades-satélites, onde o metrô
pode correr a céu aberto, isolado por simples muros pré-moldados.
Apenas 10 de seus 42 km serão subterrâneos.
Até o fato das cidades situarem-se nas chapadas, e a área
verde nas baixadas fluviais, acabou sendo útil: — A linha desce
naturalmente, ajudando a acelerar na saída das cidades; e torna
a subir ao aproximar-se da cidade seguinte, ajudando a frear.
Nesta fase de implantação, o projeto prevê 42 km
de via dupla em bitola larga, 10 km em túneis (dos quais 7,5 km
na Asa Sul), 1.260 m em viadutos e 30 estações.
Estão sendo usados trilhos TR-57 e dormentes de concreto. A alimentação
é feita por um terceiro trilho, lateral, de alumínio, a
750 Volts.
Seus 20 trens vão operar a 80 km/h, em intervalos de 3 minutos
nos horários de pico. A capacidade é de 27 mil passageiros
por hora, em cada sentido, com a expectativa de transportar 400 mil pessoas
/ dia nos dois sentidos.
Cada trem é formado por 4 carros de aço inox motorizados,
para 1.370 pessoas (352 nos carros sem cabine e 326 nos carros com cabine),
construídos pela Mafersa.
O complexo de manutenção, pátio de estacionamento
e controle de operações serão situados na intersecção
das linhas em "Y", na futura cidade de Águas Claras.
No futuro, a linha urbana do Plano Piloto cobrirá também
a Asa Norte; e um novo tronco interligará Ceilândia, Taguatinga,
Águas Claras, Gama e a futura cidade Recanto das Emas, no limite
sul do DF — onde se ligará às cidades-dormitório
de Valparaíso, Céu Azul e Pedregal, já no Estado
de Goiás.
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VLT
Sua exposição sobre o chamado "metrô"
de Brasília (CO-91/20) foi o mais lúcido que já
encontrei em qualquer jornal, inclusive a Revista Ferroviária.
A história da evolução desse
projeto é muito interessante. Quando ainda trabalhava para
uma empresa de engenharia de projetos, ganhamos o primeiro contrato
de estudo e projeto de um sistema de transporte de massa para Brasília,
por volta de 1975. As restrições políticas
e arquitetônicas foram imensas (eu fui encarregado das previsões
de tráfego).
Intrigante é que a linha tracejada no CO-91/21
é quase exatamente a faixa-de-domínio que nós
recomendávamos, apesar das muitas marchas e contra-marchas
desses últimos 19 anos.
Previmos, também, que eventualmente o sistema
seria de veículos leves sobre trilhos (VLTs), o que pela
primeira vez foi mencionado em seu artigo [Warren
Delano, Centro-Oeste nº 92, 1º Dez. 1994].
Ensaio
O chamado "Metrô de Brasília"
inaugurou em Março/27 o trecho a céu aberto, que vai
do Carrefour / Park Shopping até a nova cidade-satélite
de Águas Claras, passando pelo Guará, onde cruza por
baixo da via férrea.
O trecho está operando em alguns dias e
horários, gratuitamente, para treinamento do pessoal e familiarização
dos usuários.
Até a eleição, o governador
pretende inaugurar os dois trechos subterrâneos que, de fato,
tornarão útil o sistema: (1) Os 7 km dentro da Asa
Sul de Brasília, onde estão as oportunidades de emprego;
e (2) O trecho dentro de Taguatinga e Ceilândia, onde vivem
quase 1 milhão de habitantes, a 40 km do centro.
O VLT Mafersa segue projeto da extinta Budd (segundo
José Emílio Buzelin...) e a tomada de força
— 700 Volts — se dá por um terceiro trilho, lateral, um pouco
mais alto que a linha [Centro-Oeste
nº 89, 1º Abr. 1994].
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VLT ou MLS
O conceito de "VLT" empregado em críticas
da época — para frisar a capacidade limitada do sistema —
é tecnicamente incorreto. Além do peso dos veículos
(bem inferior ao dos TUEs do Metrô DF), o VLT se diferencia
por integrar-se à via pública (como o velho bonde),
sem criar obstáculo ao trânsito de veículos
e pedestres (segregação da via por muros etc.). Além
disso, o VLT tem piso baixo, permitindo embarque sem necessidade
de plataformas. Em termos urbanísticos, caracteriza-se ainda
por deslocar-se na superfície, sem deteriorar esteticamente
as áreas percorridas. Em termos financeiros, é econômico
por não exigir "obras de arte" (túneis,
viadutos, etc.). Sua capacidade pode ser ampliada, dentro de certos
limites, acoplando-se veículos ou módulos adicionais
à composição padrão [Agradecemos
as informações a Alexildo Velozo Vaz].
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