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Fotografia aérea dos primeiros trens chegados a Brasília

1° Trem em Brasília

Revista "Refesa", Mar-Abr 1968, p. 4 a 7
Acervo: José Emílio Buzelin (SPMT) / Pesquisa e digitalização: Chris R.
[ Fotos omitidas: "O ministro Andreazza, tendo a seu lado o presidente da RFFSA e o marechal Juarez Távora, anuncia a integração de Brasília por via férrea" | "O presidente Manta e os diretores Waldo Sette e Rocha Santos desembarcam em Brasília" ]

"Com a chegada do primeiro trem, Brasília consolida-se, definitivamente, como capital da República". Com tal frase, pronunciada no palanque armado ao lado da estação provisória de Bernardo Sayão, fronteira ao Núcleo Bandeirante, como ele pioneiro, o ministro dos Transportes, cel. Mário Davi Andreazza, registrou, num pronunciamento histórico, a 21 de abril de 1968, data do 8° aniversário de fundação da cidade, o verdadeiro sentido da ligação que acabara de se completar, com o início de tráfego ferroviário experimental. Duas composições, que chegaram juntas, na hora marcada, da Viação Férrea Centro-Oeste, da Rede Ferroviária Federal, e da Estrada de Ferro Mogiana, efetivaram a integração de Brasília no território nacional, dotando-a de um meio de transporte que para muitos deveria mesmo ter precedido a sua implantação.

Esforço conjugado

  
Capa da revista Refesa, da Rede Ferroviária Federal, com a reportagem sobre a chegada dos primeiros trens a Brasília
Refesa era uma publicação bimestral
do Dep. Relações Públicas da
Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA)

Primeiro trem de passageiros em Brasília, tracionado pela locomotiva nº 2807
Momento de indescritível vibração popular na estação Bernardo Sayão saúda a chegada do primeiro trem.
  

Três estradas de ferro da RFFSA e duas do estado de São Paulo se conjugaram para assegurar a interligação perfeita, com uma única baldeação, por qualquer dos percursos possíveis: via Barra Mansa (1.536 km) e via Campinas (1.749 km). O primeiro trem, verdadeiramente o pioneiro na saída e na chegada, partiu da estação de D. Pedro II, às 10h30 de sexta-feira, 19 de abril, conduzindo, apenas, a comitiva da RFF, composta pelo seu presidente, general Antônio Adolfo Manta, os diretores Rocha Santos, Lafaiette de Castro Ferreira Bandeira e Waldo Sette de Albuquerque, os superintendentes-gerais administrativo e de transportes, respectivamente srs. Alberto Gomes e Francisco Vieira, os engenheiros Leônidas da Silva Juruena, Mário Chiesa e Carlos Velasco e os funcionários Vilas-Boas Ferraz, secretário particular do presidente, e Alberto Chaves de Barros, chefe do setor de promoções do Departamento de Relações Públicas e editor da revista Refesa. Em Barra Mansa esse grupo transferiu-se da automotriz da Estrada de Ferro Central do Brasil, que o transportara, para a composição da Viação Férrea Centro-Oeste, na qual atingiu Brasília, após cumprir, sem qualquer anormalidade, o trajeto previsto.

Em Belo Horizonte a composição passou a agrupar seis carros, tendo a caravana sido engrossada com o pessoal da VFCO e convidados especiais.

Às 18h30 desse mesmo dia 19 partia o segundo trem (da EFCB), conduzindo a comitiva do Departamento Nacional de Estradas de Ferro e da Diretoria de Vias de Transportes do Ministério do Exército, tendo à frente seus respectivos diretores, engenheiros Horácio Madureira e general Elysio Carlos Coutinho, figurando dentre os convidados numerosos oficiais dentre os quais o ex-presidente do Conselho Ferroviário Nacional, general Rodrigo Octávio Jordão Ramos.

Troca de máquinas

Na capital paulista, aonde chegou precisamente na hora estabelecida, 3h50 (Estação da Luz), essa composição passou a ser tracionada por uma máquina da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, também da RFFSA, prosseguindo a viagem até esta última cidade, onde se processou nova troca de máquina, desta feita fornecida pela Cia. Paulista de Estradas de Ferro, que puxou o trem até Campinas, ponto de baldeação para o traçado da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro.

Em Uberaba e Uberlândia procedeu-se a mais duas substituições de locomotivas, conforme o programa organizado, completando-se a viagem, no tempo previsto, depois de recuperar-se um atraso superior a duas horas, determinado pela necessidade de trafegar em velocidade muito reduzida nos trechos antigos da via permanente da estrada, paralelos àqueles cuja retificação e modernização encontra-se na etapa derradeira.

Histórico

A primeira providência relativa à ligação ferroviária com Brasília foi tomada em novembro de 1956, quando o Departamento Nacional de Estradas de Ferro, autorizado por decreto presidencial, dispensada a concorrência pública, fez realizar coleta de preços para a execução do reconhecimento, estudo e projeto da conexão da nova capital com a Estrada de Ferro Goiás, hoje integrada na Viação Férrea Centro-Oeste. O primeiro trecho estudado referia-se a Brasília - Surubi, comum às duas ligações Brasília - Pirapora e Brasília - Pires do Rio, cujo traçado foi, finalmente, aprovado, em portaria do diretor-geral do DNEF em 30 de maio de 1957.

O segundo trecho, entre Surubi e Pires do Rio, teve seu projeto igualmente aprovado em 29 de janeiro de 1959, pelo ministro de Viação e Obras Públicas, despachando exposição de motivos que lhe fôra encaminhada. A essa altura já se iniciara a construção do percurso Brasília-Surubi (outubro de 1957), enquanto o restante, daí a Pires do Rio, somente começou em janeiro de 1959, sob a égide da Cia. Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap).

Em 1962 os serviços voltaram ao controle do DNEF que, dois anos mais tarde, atribuía os encargos, inicialmente entregues a uma comissão especial, ao 7º Distrito Ferroviário, sediado em Brasília, e, posteriormente, ao 4º Distrito Ferroviário, localizado em Belo Horizonte. Finalmente em 1965 os trabalhos de construção da superestrutura e complementação da infra-estrutura passaram ao 2º Batalhão Ferroviário, da Diretoria de Vias de Transporte do Ministério do Exército. Os serviços de assentamento da via permanente, iniciados em junho de 65, terminaram em março de 67, com a chegada da ponta dos trilhos ao pátio da estação provisória de Bernardo Sayão, a 17 quilômetros de Brasília, restando, agora, a conclusão dos trabalhos de complementação da superestrutura.

  

Outra imagem da locomotiva nº 2807 na chegada do primeiro trem a Brasília
A locomotiva diesel-elétrica 2807, da VFCO, incorpora-se à chegada histórica.
[ Foto omitida: "Dirigentes ferroviários reúnem-se no almoço de confraternização" ]
Desfile de pequenas locomotivas a vapor do 2º Batalhão Ferroviário, abrindo caminho para o trem da Rede Ferroviária Federal - Viação Férrea Centro-Oeste
Duas pequenas locomotivas do 2º Batalhão Ferroviário
abrem caminho à composição da RFFSA.
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