Detalhe de um atlas escolar luso-brasileiro de 1927, quando não
existia Goiânia (a capital era a cidade de "Goyaz",
hoje chamada "Goiás Velho")
e a ferrovia terminava antes de "Bomfim" (Silvânia).
Anápolis era "Santa Anna"; Luziânia, "Santa
Luzia"; e Planaltina, "Mestre d'Armas". A área
prevista para o "Districto Federal"
(conhecida como "Retângulo Cruls" ou "Quadrilátero
Cruls") era bem maior que a atual, incluindo Corumbá
e a lagoa Formosa.
Relatório da Comissão Exploradora
do Planalto Central do Brasil
Rio de Janeiro, 1894
(Codeplan, Brasília, 1992)
Trata-se do famoso "Relatório
Cruls" (1894), referente à 1ª Missão
Cruls (1892-1893), durante o governo Floriano Peixoto. Também
indicado na época como "Relatório completo",
para diferenciá-lo de outro "parcial",
anterior (1893), publicado no Diário Oficial da União.
Relatório da
Comissão de Estudos da Nova Capital da União
Typo-lith. Carlos Schmidt, Rio de Janeiro,
1896
Trata-se de um segundo Relatório
"parcial" (1896),
referente à 2ª Missão
Cruls (1894-1895), abortada pelo corte de verbas
no governo Prudente de Morais. Não chegou a ter edição
"completa" e aparentemente jamais foi reeditado.
Os trechos e resumos aqui apresentados de diversas fontes
são apenas uma tentativa de resgatar parte de suas
informações.
Exploração e Estudos do Planalto
Central
Comissão Cruls
Flavio R. Cavalcanti
1ª Missão: Comissão Exploradora
do Planalto Central do Brasil
O presidente Floriano Peixoto fez mais do que "cumprir"
o dispositivo
constitucional que determinava a mudança da capital,
sem fixar prazo ou urgência sua mensagem
ao Congresso destacava a "necessidade inadiável"
da mudança.
Em 1892, o Congresso aprovou a Comissão Exploradora do
Planalto Central do Brasil, formada pelo engenheiro belga Luís
Cruls, diretor do Observatório Astronômico do Rio
de Janeiro, e outros 21 membros,
entre cientistas, técnicos e militares [além
de um "contingente de militares", citado apenas por
Mourão]. Segundo um dos participantes, Floriano
Peixoto lhes garantiu mudar a capital ainda em seu mandato (1891-1894),
nem que tivesse de instalar o governo em barracas
de campanha.
Essa 1ª Missão Cruls partiu do Rio de Janeiro em
junho de 1892, repetindo exatamente o roteiro de Varnhagen,
por ferrovia até Uberaba, no Triângulo Mineiro, ponto
final dos trilhos da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro. Dali,
seguiu a cavalo com quase 10 toneladas de bagagens e equipamentos,
em 200 baús de madeira até Pirenópolis,
Santa Luzia (Luziânia) e Formosa.
Após monumental coleta de informações, medições,
levantamentos etc., ali lançou quatro marcos definindo
uma área entre as três cidades o retângulo
Cruls, de 160 por 90 km abrangendo nascentes das bacias
dos maiores rios brasileiros, Amazonas, São Francisco e
Paraná.
De volta ao Rio de Janeiro, após 13 meses de viagem, uma
exposição na sede dos Correios e Telégrafos
apresentou mapas, fotografias e amostras do solo, flora e fauna
do planalto. O relatório da 1ª missão Cruls
bastante conhecido como "Relatório
Cruls", ou "Relatório completo"
foi publicado por Lombaerts, em 1894. Antes, porém, um
primeiro relatório parcial já havia sido
apresentado ao governo e publicado no Diário Oficial da
União em junho de 1893.
Ao rejeitar uma proposta de exploração de outra
área entre a Bahia, Goiás e Piauí e determinar
estudos mais detalhados, o Congresso Nacional praticamente oficializou
a área demarcada para sediar o futuro "Districto Federal".
A partir de então, o "retângulo Cruls"
passou a constar de todos os mapas do Brasil.
2ª Missão: Comissão de Estudos da
Nova Capital da União
Cruls recebeu do governo Floriano Peixoto, em 1894, a incumbência
de uma segunda missão instalar uma estação
meteorológica no local; providenciar ligação
telegráfica à rede mais próxima; proceder
ao reconhecimento da ligação férrea ou férreo-fluvial;
escolher o local da cidade dentro do quadrilátero; e aprofundar
levantamentos sobre o clima, abastecimento de água, topografia
e natureza do terreno.
Nesta segunda visita, o botânico Glaziou
destacou as condições favoráveis à
criação do lago
Paranoá onde, na sua opinião, teria havido
um lago natural em priscas eras.
Os trabalhos da segunda missão Cruls prosseguiram até
o final de 1895, quando foram interrompidos por falta de verba,
e de interesse do governo Prudente de Morais. Apenas os militares
integrantes da Comissão de Estudos puderam se manter
no local, precariamente, reduzidos ao soldo fixo, para a guarda
do equipamento caríssimo , até que se votasse
uma verba emergencial, suficiente apenas para levá-lo de
volta ao Rio de Janeiro.
Um segundo relatório
parcial aparentemente jamais reeditado foi publicado
em 1896, com informações sobre a ligação
ferroviária. No mesmo ano, foi suprimida a estação
telegráfica de Mestre d'Armas (Planaltina), presumivelmente
instalada pela 2ª Missão Cruls.
Nesse período, de 1893 a 1897, Minas Gerais construiu
e inaugurou sua nova capital, Belo Horizonte inicialmente
chamada "Cidade de Minas" , em substituição
à cidade de Ouro Preto.
Mapa do Brasil de 1893, já com o "Retângulo
Cruls" indicando o futuro DF
Fonte: A
mudança da capital
Atlas Melhoramentos, de 1957: ainda o antigo "Retângulo
Cruls"