A mudança do tronco da Cia.
Mogiana de Estradas de Ferro
Direto para Brasília
A transferência da capital para o planalto central provocou
uma "mudança de nomes e siglas" dentro da
classificação das ferrovias existentes ou projetadas. Assim, os
"troncos" deixaram de ter o Rio de Janeiro como referência,
ou "centro" — da mesma forma como, na década anterior,
a fundação de Goiânia havia "alterado"
as classificações tronco / ramal no âmbito da
EF Goiás.
Devido, talvez, à tradicional preeminência (?) do
Rio Grande do Sul nos temas estratégicos, a modificação
mais evidente foi a do Tronco Sul (velho e/ou novo) que, de São
Paulo, deixou de "seguir" pela EFCB para o Rio,
passando a "seguir" pela Mogiana (e pela EF Goiás)
para a nova capital.
Em termos práticos, valorizou-se — e mudou — o tronco
da Mogiana, que no trecho entre Ribeirão Preto e Uberaba
deixou de ser a linha mais
antiga e longa, que passava por Franca (SP) e Sacramento (MG),
sendo substituída pela linha
de Igarapava, mais direta e curta. [comparativo
SFB82!]
O ano-chave dessa "mudança nominal" parece
ter sido 1960, com a instalação dos
três poderes em Brasília, em 21 de Abril. O Guia
Geral das Estradas de Ferro (GG1-CGT) de 1960 ainda numerava
as estações e computava as distâncias da Mogiana
entre Campinas (SP) e Araguari (MG) pelo tronco antigo (783 km).
O mesmo acontecia no suplemento Estradas
de Ferro do Brasil 1960, da Revista Ferroviária (784
km), provavelmente publicado na primeira metade do ano. Mas em Out.
1960 a própria Revista Ferroviária já atribuía
ao tronco da Mogiana um comprimento menor: 717
km [Também já
eliminava referências ao Plano de Metas e à origem
dos recursos, ao ponto de deixar nebulosa a data inicial das obras
a que se referia. E mistura dados do programa anterior (Vargas),
reunificando tudo sob a égide exclusiva da Mogiana. Jânio
Quadros já estava eleito (?) e outros engenheiros, técnicos,
departamentos despontavam no horizonte do provável]:
Com um grande tronco de 784 quilômetros lançados
entre Campinas, em São Paulo, e Araguari, em Minas Gerais
(...). [Companhia
Mogiana de Estradas de Ferro. Estradas de Ferro do Brasil, Revista
Ferroviária, 1960]
A linha que parte de Campinas e se dirige para
o norte, passando por Casa Branca, Ribeirão Preto, Uberaba,
Uberlândia, e termina em Araguari, cobrindo uma distância
de 717 quilômetros, é considerado o tronco da estrada,
visto nela desenvolver-se a maior parte do seu tráfego. [A
Companhia Mogiana de Estradas de Ferro está efetuando um
grande plano para modernizar os seus serviços. Revista
Ferroviária, Out. 1960]
O projeto aprovado pelo BNDE no último trimestre de 1959
dava a diretriz do novo tronco:
(...) remodelação dos trechos Mato Seco
- Urupês e Delta [MG]
- Uberaba (276 km de linhas) [Dias.
O BNDES e o Plano de Metas. Rio
de Janeiro, BNDES, Jun. 1996]
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783 km, pela linha do Rio Grande...

... ou 717 km pela Linha Igarapava.
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